O pai da puta: sobre a repulsa pelo direito das paixões
O artigo aborda a relação entre o direito e as emoções, especialmente no que diz respeito à paixão e suas repercussões sociais e jurídicas. A autora discute como o conceito de "filho da puta" reflete desigualdades de gênero e a facilidade de compreender a vulnerabilidade quando a vítima é uma filha própria em contraste com a filha do outro. Ao revisitar noções de honra e a aplicação da lei, o texto questiona a visão do direito sobre a paixão, defendendo que essa emoção não deve ser considerad...

O artigo aborda a complexa intersecção entre gênero, paixão e direito, analisando a expressão pejorativa "filho da puta" e suas implicações sociais, especialmente em relação à percepção de mulheres e à vulnerabilidade das meninas em contextos de violência sexual.
O texto propõe uma reflexão sobre a diferença de tratamento entre as filhas das pessoas e as filhas do “outro”, explorando como questões de raça, classe e etnia influenciam essa vulnerabilidade. A autora discute a repulsa em relação à paixão, sugerindo que o direito muitas vezes rejeita as emoções que a paixão envolve, preferindo a razão cartesiana e a lógica da competitividade. É abordada a crítica à visão de que a paixão é fútil, questionando essa associação e sua utilização no direito penal, onde a emoção ou paixão não exclui a imputabilidade.
O texto ainda menciona a visão de Freud sobre a vulnerabilidade da paixão e critica a forma como o direito pode reforçar normas machistas, particularmente em relação à defesa da honra e a forma como trata tanto autores quanto vítimas de crimes passionais. Em última análise, a autora conclama os operadores do direito a reconhecer a complexidade das emoções humanas em vez de simplesmente optar por vitimizar ou penalizar ações baseadas em paixões.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "O pai da puta: sobre a repulsa pelo direito das paixões" por Maíra Marchi Gomes.
- Definição e interpretação do termo "puta": Discussão sobre as conotações da expressão, diferenciando entre a profissional do sexo e outras associações, como a mulher que não é monogâmica.
- Gênero e vulnerabilidade: Análise da diferença no tratamento de vítimas de crimes sexuais quando a vítima é a própria filha versus a filha do "outro".
- Alteridade e representação da outra: Reflexão sobre como a alteridade radical impacta a percepção das vítimas e a forma como são tratadas por diferentes grupos sociais.
- Reprovação das paixões: Exploração da ideia de que a paixão, especialmente a paixão feminina, é vista como algo insensato e como isso se relaciona com o direito.
- Relação entre direito e razão: Crítica ao ideal moderno que valoriza a razão cartesiana em detrimento das emoções, destacando como o direito teme a paixão.
- Freud e vulnerabilidade na paixão: Discussão sobre a visão de Freud de que o amor nos torna indefesos e sua relevância para a responsabilidade penal.
- Legítima defesa da honra: Reflexão sobre a história do direito penal em relação à proteção da honra e como a vulnerabilidade da paixão foi manipulada.
- Imputabilidade e emoções: Análise da aplicação do artigo 28 do Código Penal em relação à paixão e emoção como fatores na responsabilização penal.
- Paixão versus futilidade: Questionamento da noção de que a paixão é um motivo fútil para a violência e seu impacto nas condenações judiciais.
- Humildade e reconhecimento das paixões: Chamada à reflexão sobre a natureza humana e a função dos operadores do direito frente às paixões que motivam ações.
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