Concepções de família no código civil - narcisismo do operador do direito e seus respingos em crianças e adolescentes
O artigo aborda a reflexão crítica sobre as concepções de família presentes no Código Civil brasileiro e seus impactos na vida de crianças e adolescentes. A autora, Maíra Marchi Gomes, analisa como o Direito oblitera famílias não tradicionais e impõe normas que podem prejudicar a subjetividade dos jovens, destacando a obrigatoriedade da participação dos pais na vida dos filhos como um dever, além de questionar a visão restrita do que constitui uma família.

O artigo aborda a análise crítica da concepção de família no Código Civil brasileiro, especialmente em relação às suas implicações para crianças e adolescentes, destacando a visão restritiva e tradicionalista do Direito. Os temas principais incluem a imposição de deveres aos cônjuges, que reforçam a ideia de monogamia e residências conjugal, desconsiderando outras formas de união; a exclusão de famílias homossexuais e a visão reducionista do conceito de filiação, que implica que apenas filhos biológicos têm relevância legal; a obrigatoriedade de supervisão dos pais sobre seus filhos, transformando o amor parental em um dever legal; a questão da guarda compartilhada em situações de desentendimento entre os pais, que pode desconsiderar o bem-estar da criança; e por fim, a crítica ao narcisismo dos operadores do Direito, que perpetuam uma visão única da família homogênea e tradicional, em detrimento de outras configurações familiares que podem ser igualmente saudáveis e acolhedoras.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Concepções de família no código civil - narcisismo do operador do direito e seus respingos em crianças e adolescentes" por Maíra Marchi Gomes.
- Análise do Código Civil: Reflexão sobre a extensão do Código Civil e suas implicações na concepção de família e seus efeitos sobre a subjetividade de crianças e adolescentes.
- Normas que regem os casais: Discussão sobre os deveres impostos aos cônjuges, como a fidelidade recíproca e a vida em comum, e a exclusão de outras formas de união.
- Exclusões do Direito: Critica ao fato de o Direito considerar apenas uniões heteroafetivas e filhos biológicos, ignorando a diversidade familiar e as novas configurações de família.
- Impactos na guarda de crianças: Análise do Art. 1.583 e as responsabilidades dos pais em relação aos filhos, destacando o aspecto do amor como obrigação imposta pelo Direito.
- Guarda compartilhada: Reflexão sobre a aplicação da guarda compartilhada e a omissão do juiz em considerar o impacto dessa decisão na vida da criança.
- Crítica ao narcisismo dos operadores do Direito: A autora aponta como a busca por aprovação social entre operadores do Direito pode levar a decisões prejudiciais a crianças e adolescentes.
- Convite à reflexão: Um chamado aos magistrados para reconsiderarem suas posições e práticas legislativas, evitando a exclusão das diferentes configurações familiares.
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