Mãe é quem cuida e pai é quem abandona? sobre gênero e abandono de incapaz
O artigo aborda a relação entre gênero e o conceito de abandono de incapaz, analisando um caso de uma mãe indiciada por deixar seus filhos sob os cuidados de familiares enquanto buscava tratamento para sua saúde mental. A autora critica a forma como operadores do direito muitas vezes ignoram evidências e relatos que mostram o contexto de sofrimento da mulher, ressaltando a tendência de desconsiderar o papel ativo dos pais, especialmente do pai, no cuidado das crianças. Assim, o texto propõe u...

O artigo aborda a questão do abandono de incapaz sob a ótica de gênero, discutindo como a percepção dos operadores do direito pode ser influenciada por estereótipos relacionados à maternidade e paternidade.
Entre os temas tratados, destaca-se a análise de um caso específico em que uma mulher foi indiciada por abandono dos filhos, gerando uma reflexão sobre a desconsideração de evidências que mostravam seu esforço em delegar o cuidado das crianças a familiares. O texto critica a abordagem de laudos psicológicos que desconsideram o estado mental da mulher no momento do ato, sugerindo um olhar enviesado que privilegia a figura da mãe perfeita e vilaniza a mãe que busca ajuda. Além disso, é discutida a questão da guarda dos filhos, onde se aponta que o pai, apesar de ter a guarda legal, não assume a responsabilidade plena, e a análise da legislação vigente, que exige a presença de dano concreto para configurar abandono, é reavaliada à luz do caso em questão.
O machismo presente na interpretação da lei é igualmente destacado como um fator que contribui para a perpetuação de injustiças. O artigo conclui que a maternidade é vista como um dever absoluto, enquanto as falhas da paternidade são frequentemente ignoradas, propondo uma crítica ao tratamento legal das questões familiares de maneira mais equitativa.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Mãe é quem cuida e pai é quem abandona?" de Maíra Marchi Gomes.
- Apropriação da lei pelos operadores do direito: Discussão sobre como as representações de gênero influenciam a interpretação das leis, especialmente em casos de abandono.
- Caso específico de abandono de incapaz: Análise do caso de uma mulher indiciada por abandono dos filhos e a importância de considerar suas condições mentais e contextuais.
- Importância da escuta no sistema judicial: Reflexão sobre a importância de considerar depoimentos e evidências além das provas documentais em casos de abandono.
- Conceitos jurídicos de abandono: Discussão sobre a necessidade de reconhecer a situação concreta e a capacidade do ofendido antes de considerar um abandono.
- Machismo nas decisões jurídicas: Análise crítica sobre como preconceitos de gênero podem afetar a percepção do papel dos pais e a responsabilização das mães.
- Condições de maternidade e sofrimento: Examina como a condição de maternidade pode intensificar o sofrimento psicológico e impactar as decisões das mulheres em situações de cuidado.
- Delegação de cuidados: Reflexão sobre a legitimidade da delegação de cuidados por parte dos pais e a diferença no tratamento de ações de mães e pais no direito.
- Erros de tipo e entendimento jurídico: Análise da possibilidade de erro de tipo na compreensão do que constitui abandono e a necessidade de uma avaliação adequada do contexto.
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