Opinião: Preventiva após pedido de absolvição é ranço inquisitório
O artigo aborda a controvérsia sobre a possibilidade de decretação de prisão preventiva após pedido de absolvição ou impronúncia pelo Ministério Público, apontando que tal prática é incompatível com o sistema acusatório estabelecido pela Constituição. Os autores, Gina Ribeiro Gonçalves Muniz e Jorge Bheron Rocha, criticam a manutenção de medidas cautelares em situações onde o acusador não vislumbra indícios de culpa, ressaltando a necessidade de proteger a liberdade individual do acusado. A d...

O artigo aborda a questão da manutenção da prisão preventiva após pedidos de absolvição ou impronúncia pelo Ministério Público, destacando que essa prática contraria o princípio do sistema acusatório estabelecido pela Constituição Brasileira.
Os autores analisam a legislação, especialmente os impactos do pacote “anticrime”, que proíbe a decretação de medidas cautelares por parte do magistrado sem solicitá-las expressamente. Também discutem a crítica à “sabotagem inquisitorial” que ainda permeia a jurisprudência, apontando para uma resistência em observar os limites da função judicial e a imparcialidade que deve reger o juiz. O artigo enfatiza que, se o promotor pede a absolvição, isso implica a inexistência de indícios suficientes, tornando a continuidade da prisão injustificável.
Há uma reflexão sobre a necessidade de um pensamento acusatório no Judiciário e a proteção da liberdade do cidadão contra abusos, além da função do Supremo Tribunal Federal em reafirmar esses princípios. Ao final, os autores alertam que a manutenção indevida de prisões preventivas em tais circunstâncias poderia desvirtuar a função proativa do Estado de Direito em garantir a liberdade.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Preventiva após pedido de absolvição ou impronúncia é ranço inquisitório" de Gina Ribeiro Gonçalves Muniz e Jorge Bheron Rocha.
- Impacto do Pacote Anticrime: Discussão sobre a proibição de decretação de prisão preventiva de ofício pelo magistrado e os movimentos contrarreformistas no sistema penal.
- Reformas Processuais: Análise crítica sobre reformas pontuais e sua inadequação para consolidar o sistema acusatório na prática judicial.
- Imparcialidade Judicial: Enfatização da necessidade de um juiz imparcial, que não deve agir como protagonista, mas sim como um mediador equidistante das partes.
- Vinculação do Juiz ao Ministério Público: Avaliação do papel do juiz em relação aos pedidos de absolvição ou impronúncia pelo Ministério Público e a impossibilidade de manter prisão preventiva nessas situações.
- Decreto Prisional e Direitos Fundamentais: Reflexão sobre a ilegalidade da manutenção de prisões cautelares após um pedido de absolvição, sublinhando a importância do devido processo legal.
- Desafios do Sistema Acusatório: A necessidade de garantir a eficácia do sistema acusatório e evitar práticas autoritárias no processo penal brasileiro.
- Expectativas do STF: O papel do Supremo Tribunal Federal em reafirmar os princípios do sistema acusatório e estabelecer limites claros para a prisão cautelar no contexto judicial.
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