Artigos Conjur – IA generativa e o senso comum teórico de Warat: o espectro de Teodoro na decisão penal

ARTIGO

IA generativa e o senso comum teórico de Warat: o espectro de Teodoro na decisão penal

O artigo aborda a interseção entre a inteligência artificial generativa e o senso comum teórico descrito por Warat no contexto da decisão penal. Explora como a automatização da redação judicial, guiada por parâmetros estatísticos, pode empobrecer a interpretação jurídica, e propõe que a essência humana do desejo e da deliberação não deve ser substituída por uma abordagem puramente algorítmica. O texto critica a opacidade da produção judicial gerada pela IA, onde a singularidade do caso pode s...

Alexandre Morais da Rosa
28 ago. 2026
IA generativa e o senso comum teórico de Warat: o espectro de Teodoro na decisão penal
Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a intersecção entre a inteligência artificial generativa e a teoria do direito, inspirado na alegoria proposta por Luis Alberto Warat sobre a dualidade da ciência jurídica.

Entre os temas discutidos, destaca-se a caracterização de Teodoro Madureira como a representação do jurista metódico e sem surpresas, enquanto Vadinho simboliza a indeterminação, o desejo e a capacidade de romper com fórmulas rígidas — uma relação que é explorada no contexto de decisões penais automatizadas. O texto explica o funcionamento de modelos de linguagem generativa, detalhando etapas como o pré-treinamento e o ajuste fino, além de abordar como esses sistemas aprendem a partir de dados jurídicos, resultando em decisões que reproduzem o senso comum teórico, descrito por Warat como a camada pré-discursiva que governa a interpretação do direito. A discussão se aprofunda na opacidade algorítmica, onde a máquina gera decisões que aparentam deliberação, mas carecem de autoria ética, e examina o risco da máquina produzir apenas a média do campo jurídico, em oposição à singularidade necessária nas decisões judiciais.

A necessidade de uma relação ética entre humanos e máquinas é enfatizada, defendendo que a tecnologia deve ser um assistente controlado, preservando a responsabilidade humana nas decisões significativas, enquanto a crítica ao uso inapropriado da IA no direito é ressaltada por meio da necessidade de curadoria e auditoria dos dados. O artigo conclui propondo um equilíbrio entre o uso da tecnologia e a manutenção da complexidade interpretativa necessária em decisões penais, utilizando os personagens de Warat como metáforas para discutir a importância de preservar o desejo interpretativo no direito.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "IA generativa e o senso comum teórico de Warat: o espectro de Teodoro na decisão penal" por Alexandre Morais da Rosa.

  • A metáfora de Jorge Amado: Comparação entre os personagens de "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e a dualidade da ciência jurídica, representando a norma e o desejo interpretativo.
  • Funcionamento da IA generativa: Explicação sobre o pré-treinamento e ajuste fino dos modelos de linguagem, enfatizando o papel da arquitetura 'transformer' e do mecanismo de atenção.
  • Senso comum teórico em jurisprudência: Discussão sobre como o senso comum teórico pode ser considerado dados que governam subjetividades sem reexame crítico.
  • Teodoro vs. Vadinho: Análise do impacto da IA generativa na produção de textos jurídicos, onde Teodoro representa o conformismo e Vadinho simboliza a inovação e interpretação crítica.
  • Opacidade das decisões automatizadas: Reconhecimento da falta de transparência e autoria ética nas decisões redigidas por máquinas.
  • Limitações da imitação de Vadinho: Observação de que a AI pode simular o estilo de Vadinho, mas não consegue reproduzir o desejo ou compromisso autenticidade na interpretação.
  • Importância da curva de avaliação: Abordagem sobre como a crítica da ferramenta de IA deve ser constante para evitar decisões superficiais baseadas no senso comum teórico.
  • Relação entre tecnologia e humanidade: Proposta de que a IA deve funcionar como assistente, com vigilância e limites normativos, mantendo a responsabilidade humana nas decisões.
  • Desafios da aplicação da IA na prática forense: Discussão sobre a aplicabilidade de tecnologias IA generativas no processo penal e sua interação com os princípios jurídicos.
  • Carnavalização epistemológica: A importância de romper com a pacificação e interrogá-la em um contexto legal, evitando a repressão da narrativa por meio de médias estatísticas.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Alexandre Morais da RosaPós-doutorando em Universidade de Brasilia (UnB). Doutor em Direito (UFPR), com estágio de pós-doutoramento em Direito (Faculdade de Direito de Coimbra e UNISINOS). Mestre em Direito (UFSC). Professor do Programa de Graduação, Mestrado e Doutorado da UNIVALI. Juiz de Direito do TJSC. Membro Honorário da Associação Ibero Americana de Direito e Inteligência Artificial/AID-IA. Pesquisa Novas Tecnologias, Big Data, Jurimetria, Decisão, Automação e Inteligência Artificial aplicadas ao Direito Judiciário, com perspectiva transdisciplinar. Coordena o Grupo de Pesquisa SpinLawLab (CNPq UNIVALI)

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