Prática Criminal · Prisão preventiva, temporária e liberdade provisória

A prisão preventiva precisa ser revisada a cada 90 dias?

Precisa. O Código de Processo Penal manda o órgão que decretou a preventiva revisar a necessidade dela a cada 90 dias, de ofício e por decisão fundamentada, sob pena de tornar a prisão ilegal. O artigo traz remissão a duas ações no Supremo, e a consequência do descumprimento foi questionada ali.

O dever

O art. 316, parágrafo único, do CPP determina que, decretada a prisão preventiva, o órgão emissor da decisão revise a necessidade de sua manutenção a cada 90 dias, mediante decisão fundamentada, de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal.

A conferência é de calendário: a data da decretação, a data da última revisão e o intervalo entre elas.

A remissão no texto

O texto vigente do parágrafo traz remissão às ADIs 6581 e 6582, ações de controle concentrado no Supremo Tribunal Federal. O dever de revisar está escrito; a consequência de não revisar, se a prisão se torna ilegal automaticamente, foi objeto dessas ações. A base da plataforma não registra o resultado, e esta página não o afirma. Antes de pedir a soltura com base apenas na falta de revisão, vale conferir o que as ações decidiram.

A revogação a qualquer tempo

O art. 316 do CPP permite ao juiz, de ofício ou a pedido, revogar a preventiva se faltar motivo para que ela subsista, e decretá-la de novo se sobrevierem razões.

O art. 282, § 5º, do CPP traz a mesma regra para as medidas cautelares em geral: revogar ou substituir quando faltar motivo para que subsistam.

Fato novo que desfaz um fundamento específico da prisão, como comprovação de trabalho, mudança de endereço ou colheita da prova que se temia perder, é o que sustenta o pedido de revogação, e o pedido deve dizer qual fundamento caiu.

O que a lei não diz

O texto não diz se a revisão feita pelo tribunal, em recurso ou habeas corpus, supre a revisão que cabe ao órgão que decretou.

O que esta página não responde: Esta página não afirma o que as ADIs 6581 e 6582 decidiram sobre a consequência da falta de revisão, nem se a revisão pelo tribunal supre a do juiz.
A ferramenta que faz esse trabalho

A plataforma tem uma inteligência artificial que responde sobre decisões do Superior Tribunal de Justiça em prisão preventiva, que é onde a fundamentação, a revisão e o excesso de prazo vêm sendo decididos.

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