A “necropolítica” e o brasil de ontem e de hoje
O artigo aborda a obra "Necropolítica" de Achille Mbembe, que analisa como a soberania se manifesta através do controle da vida e da morte, relacionando esses conceitos à escravidão e às guerras contemporâneas. O autor discute a ideia de "necropoder" e critica como o Estado utiliza a violência para solidificar seu poder, especialmente em contextos de exceção. A discussão se torna relevante ao refletir sobre a realidade brasileira e a naturalização da violência nas questões de segurança pública.

O artigo aborda a "necropolítica" no contexto brasileiro, analisando as ideias do filósofo Achille Mbembe. Em primeiro lugar, discute a noção de que a soberania se relaciona ao poder de decidir quem vive e quem morre, enfatizando a "biopolítica" de Foucault.
Além disso, relaciona conceitos de estado de exceção e inimigos fictícios, mostrando como esses fatores legitimam a violência estatal. O autor argumenta que a escravidão é uma forma inicial de biopolítica, resultando em uma "morte social" do indivíduo. O texto também examina a situação de colonização e a desumanização dos "selvagens", ilustrando a violência institucional por meio do exemplo da Palestina e da intervenção militar no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro. As guerras contemporâneas e a despersonalização do combatente moderno são abordadas, assim como a figura do "homem-bomba", cuja lógica de suicídio se entrelaça com a do homicídio.
A obra de Mbembe é apresentada como um convite à reflexão sobre as políticas de segurança no Brasil, destacando episódios recentes que exemplificam sua crítica à "necropolítica" e ao tratamento de populações como "mortos-vivos". Por fim, o texto conecta essas questões atuais ao conceito de necropoder, podendo ser de interesse para aqueles que buscam compreender as relações entre soberania, violência e biopolítica na contemporaneidade.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "A ‘necropolítica’ e o Brasil de ontem e de hoje" por Rômulo de Andrade Moreira.
- Conceito de Necropolítica: Exploração da ideia de que a soberania envolve o controle sobre quem vive e quem morre, moldando a política contemporânea.
- Influência de Foucault: A relação entre biopoder e a instrumentalização da existência humana, destacando a crítica a formas de soberania que visam a destruição das populações.
- Experiências de Destruição Humana: Análise das relações contemporâneas entre soberania, vida e morte, enfocando a escravidão como um marco de biopoder.
- Estado de Exceção e Estado de Sítio: Conexão entre estes estados e a legitimidade da violência, discutindo como eles sustentam a necropoder.
- Casos de Violência: Reflexões sobre a colonização, o extermínio de populações e a militarização da vida cotidiana, utilizando exemplos como o caso palestino e intervenções no Brasil.
- Guerras da Globalização: Discussão sobre as guerras contemporâneas e suas implicações éticas, a desumanização dos ataques e a nova lógica envolvida.
- Máquinas de Guerra: O surgimento de organizações políticas e comerciais predatórias na África, ilustrando a dominação e o controle sobre corpos humanos.
- Homem-Bomba: Análise da lógica por trás do terrorismo suicida, explorando a fusão entre morte e a transformação do corpo em arma.
- Reflexões sobre o Brasil: Críticas a discursos políticos recentes sobre segurança pública e as implicações de políticas que desencadeiam a mortalidade em populações vulneráveis.
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