Prisão automática? O doppio binario cautelare da Lei 15.358 sob a ótica do controle jurisdicional
O artigo aborda a promulgação da Lei nº 15.358/2026, que introduz um sistema rigoroso de combate ao crime organizado no Brasil, inspirado no doppio binario cautelare italiano. Os autores discutem os riscos dessa legislação, que promove a presunção de periculosidade e a decretação automática de prisões, ameaçando o devido processo legal e as garantias constitucionais. O texto enfatiza a importância da análise individualizada por parte do Judiciário, alertando para a possível consolidação de um...

O artigo aborda a promulgação da Lei nº 15.358/2026, que introduz o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, e sua relação com o sistema italiano do doppio binario cautelare; a nova lei radicaliza procedimentos, tipificando o “domínio social estruturado” e impõe prisões automáticas, o que gera preocupações em relação a garantias constitucionais e à presunção de culpabilidade; também discute o impacto do sistema italiano, que cria um rigoroso subsistema processual para crimes de máfia e terrorismo, e como a legislação brasileira pode estar se afastando da individualização do juízo cautelar; o artigo analisa as presunções relativas e absolutas, destacando o risco de automatismos que podem comprometer a análise judicial concreta; além disso, reflete sobre a necessidade de o Judiciário desenvolver medidas para garantir os direitos dos acusados em um cenário de exceção, e conclui que qualquer restrição à liberdade deve exigir demonstração empírica do risco, reforçando que a automatização na decretação de prisões desafia os princípios jurídicos fundamentais e a presunção de inocência.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Prisāo automática? O doppio binario cautelare da Lei 15.358 sob a ótica do controle jurisdicional" por Alexandre Claudino Simas Santos, Aury Lopes Jr. e Alexandre Morais da Rosa.
- Impacto da Lei nº 15.358/2026: Análise da nova legislação e como ela endurece o rito processual e a execução penal no contexto do crime organizado.
- Paralelo com o doppio binario cautelare italiano: Discussão sobre as semelhanças entre o sistema brasileiro e o italiano, especialmente no que diz respeito à presunção de periculosidade.
- Automatismos na decretação de prisões: Riscos associados à criação de regras que levam à prisão automática, sem a análise individualizada do caso concreto.
- Jurisdição cautelar e garantias constitucionais: A importância de não transformar a jurisdição em uma homologadora de presunções legislativas e a preservação do devido processo legal.
- Crítica ao sistema de presunções: Análise dos mecanismos presuntivos na Itália e no Brasil, incluindo presunções relativas e absolutas e sua compatibilidade com os princípios constitucionais.
- O papel do Judiciário: A responsabilidade do Poder Judiciário em garantir a aplicação correta das leis e a proteção dos direitos fundamentais, mesmo em face de legislações rigorosas.
- Efeito da Lei Raul Jungmann: Discussão sobre as mudanças na execução penal e a criação de um subsistema penal de exceção que pode impactar direitos dos réus.
- Conclusão sobre as garantias processuais: Reflexão sobre a necessidade de respeitar limites legais para evitar um processo penal desigual e garantir a proteção dos direitos fundamentais dos indivíduos.
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