Muniz e Santiago: A prisão preventiva como regra
O artigo aborda a problemática da prisão preventiva no sistema judiciário brasileiro, evidenciando a frequente falta de fundamentação nas decisões judiciais e o uso impróprio das medidas cautelares. Os autores discutem as alterações legislativas recentes, incluindo a Lei nº 13.964/2019, que visam garantir que a prisão preventiva seja aplicada apenas em casos estritamente necessários, assegurando que as medidas cautelares sejam devidamente justificadas e não tratadas como regra. A crítica prin...

O artigo aborda a problemática do uso da prisão preventiva no sistema judiciário brasileiro, enfatizando a superlotação dos tribunais e a crítica ao papel da defesa na interposição excessiva de recursos.
Os autores exploram as consequências da legislação mais recente, especificamente a Lei nº 12.403/2011, que introduziu medidas cautelares diversas da prisão, e a Lei 13.964/2019, que exigiu maior fundamentação para a decretação de prisões preventivas, visando garantir os direitos processuais fundamentais. É discutido o dever de fundamentação nas decisões judiciais, tanto para medidas cautelares quanto para prisões, com ênfase na presunção de inocência do acusado. Além disso, o artigo analisa a prática de banalização das medidas cautelares, a necessidade de uma abordagem mais rigorosa na evidência de urgência e perigo, e o impacto da cultura judiciária que muitas vezes considera a prisão preventiva como regra.
O texto conclui que a carência de fundamentação adequada no uso de medidas cautelares e a visão quantitativa da jurisprudência não resolvem o congestionamento processual, sugerindo que mudanças legislativas devem ser acompanhadas por uma transformação na mentalidade dos magistrados.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "A prisão preventiva como regra", por Gina Ribeiro Gonçalves Muniz e Nestor Eduardo Araruna Santiago.
- Causas do Congestionamento Processual: Análise das razões além do volume de recursos, como decisões judiciais sem a devida fundamentação, que contribuem para a sobrecarga dos tribunais superiores.
- Alterações Na Legislação: Descrição das mudanças trazidas pela Lei nº 12.403/2011 e pela Lei 13.964/2019 sobre a aplicação de medidas cautelares e a fundamentação necessária para a prisão preventiva.
- Medidas Cautelares Diversas da Prisão: Discussão sobre como as medidas cautelares devem ser consideradas e fundamentadas adequadamente, sem serem tratadas como meras consequências de prisões em flagrante.
- Princípio da Presunção de Inocência: A importância de respeitar a presunção de inocência na aplicação de medidas cautelares, evitando que o acusado seja tratado como culpado antes do julgamento.
- Função da Audiência de Custódia: Análise do papel do juiz na audiência de custódia e a necessidade de aplicar a menos gravosa das medidas cautelares, priorizando a liberdade do acusado.
- Crítica ao Uso Excessivo de Medidas Cautelares: Reflexão sobre como a aplicação desmedida de medidas cautelares pode prejudicar a tutela da liberdade e desvirtuar o processo judicial.
- Necessidade de Mudança Cultural: Considerações sobre a necessidade de uma mudança de mentalidade entre magistrados para abordar as medidas cautelares de forma mais equilibrada e fundamentada.
- Dados e Pesquisas sobre Medidas Cautelares: Apresentação de dados do relatório do IDDD sobre a banalização das medidas cautelares, evidenciando a urgência de repensar sua aplicação.
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