ARTIGO

Rastrear a moeda não é encontrar o dono

O artigo aborda o uso de ferramentas de rastreamento de criptomoedas por órgãos de justiça e a tensão entre a certeza apresentada por esses laudos e as limitações técnicas subjacentes. Os autores, Maíra Fernandes e Rafaela Azevedo de Otero, exploram como softwares como o Reactor podem classificar endereços de blockchain sem garantir plenamente a identificação de usuários, além de questionar a validade de laudos que não seguem normas de perícia estabelecidas. A análise critica a falta de trans...

29 jul. 2026 1 acessos
Rastrear a moeda não é encontrar o dono
Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda diversos temas relacionados ao uso de software de rastreamento de criptomoedas em investigações criminais, destacando a relação entre tecnologia e direito.

Inicialmente, menciona a crescente adoção do software Reactor pelos Ministérios Públicos brasileiros e o mal-entendido acerca da blockchain, que, apesar de registrar transações de forma pública, não identifica proprietários, levando a dependência de heurísticas para atribuir endereços a indivíduos. A validade desses métodos é questionada por meio de um estudo recente que evidenciou a baixa confiabilidade em contextos práticos, além de discutir a importância da qualificação dos peritos que assinam laudos de rastreamento, conforme o Código de Processo Penal. Outro ponto relevante é a questão da contaminação de ativos em carteiras que mistura dinheiro lícito e ilícito, e como as convenções adotadas afetam a avaliação do patrimônio envolvido.

O artigo critica ainda a falta de transparência nas bases de dados utilizadas no rastreamento e levanta preocupações sobre a admissibilidade de provas obtidas sem a devida cooperação formal. Por fim, enfatiza a necessidade de profissionais do direito se prepararem para interpretar criticamente esses laudos, garantindo que os direitos dos acusados sejam adequadamente resguardados.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "Rastrear a moeda não é encontrar o dono" por Maíra Fernandes e Rafaela Azevedo de Otero.

  • Uso de software de rastreamento: Análise do acordo entre Ministérios Públicos e a empresa Chainalysis para rastrear criptomoedas, enfatizando que a informação é gerada por software e não por peritos.
  • Natureza da blockchain: Explicação de como a blockchain permite visualizar transações, mas não identifica os usuários, destacando a falta de certezas em quem realmente controla os endereços.
  • Métodos de agrupamento de endereços: Discussão sobre as heurísticas utilizadas por softwares para agrupar endereços e os problemas de confiabilidade associados a essas inferências.
  • Estudo sobre confiabilidade: Resultados de um teste de heurísticas com dados de corretoras que mostram a variação do desempenho na identificação de pessoas físicas e carteiras com maior privacidade.
  • Implicações legais e processuais: Questões sobre a validade dos laudos que surgem de softwares de rastreamento e a exigência de peritos qualificados segundo o Código de Processo Penal.
  • Provas e contraditório: Reflexão sobre o direito de defesa em relação ao acesso a dados utilizados nas análises e a necessidade de repetição de provas digitais.
  • Conceito de "contaminação" de ativos: Análise de como a mistura de ativos legais e ilegais em uma carteira levanta questões sobre a proveniência de fundos e a aplicação de convenções para determinar a origem do dinheiro.
  • Cooperação internacional e sigilo: Discussão sobre como dados de identidade de usuários em corretoras não são públicos e a falta de uma autorização formal para acesso a esses dados pode gerar problemas legais.
  • Exemplo de caso nos EUA: Referência ao caso United States v. Sterlingov, onde o software foi aceito como prova, com destaque para questões de cadeia de custódia e verificação independente.
  • Desafios para advogados: Reflexões sobre a complexidade em interpretar relatórios de rastreamento e a necessidade de formação contínua para garantir a defesa dos clientes em casos envolvendo criptomoedas.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

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Rafaela de OteroAdvogada Criminalista, Mestre em Direito Econômico pela UCAM. Especialista em Ciências Criminais pela PUC-RS. OCM advogados - Sao Paulo/SP.

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