Violência psicológica: sobre a invisibilidade da psicologia por parte do direito
O artigo aborda a problemática da violência psicológica, destacando sua subvalorização pelo sistema jurídico e a falta de reconhecimento significativo quando perpetrada contra crianças e adolescentes. A autora, Maíra Marchi Gomes, critica a judicialização e a criminalização da violência, argumentando que o Direito, especialmente o Penal, tende a ignorar a complexidade das vivências subjetivas das vítimas, além de não considerar a importância da psicologia em suas avaliações. A necessidade de ...

O artigo aborda a violência psicológica sob a perspectiva da invisibilidade da psicologia no âmbito do direito, destacando a disparidade entre as legislações que tipificam esse tipo de violência em relação a mulheres, crianças e adolescentes.
A autora, Maíra Marchi Gomes, critica a judicialização e a criminalização das violências, enfatizando que o Direito Penal tende a se impor como resposta única, desconsiderando outros discursos e contextos. Discute a precariedade de provas na violência psicológica e o silenciamento das vítimas, evidenciando a resistência do operador do direito em reconhecer a realidade subjetiva. Gomes também examina a falta de estudos sobre violência psicológica e critica a pressa da sociedade em tratar o luto e o sofrimento emocional, contrastando a psicologia com a abordagem utilitarista do direito.
A importância da perícia psicológica é sublinhada, questionando como se pode julgar casos de violência psicológica sem a contribuição de profissionais da área. Por fim, a autora convoca operadores do direito a refletirem sobre a integração entre psicologia e direito, abordando os paradoxos dessa relação e o impacto das interações entre essas esferas.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Violência psicológica: sobre a invisibilidade da psicologia por parte do direito" por Maíra Marchi Gomes.
- Violência psicológica como crime: Discussão sobre a criminalização da violência psicológica contra mulheres e sua exclusão em casos envolvendo crianças e adolescentes.
- Crítica à judicialização: Reflexão sobre a inadequação da criminalização como solução para as violências e os preconceitos presentes no sistema judicial.
- Dificuldade de materialidade: Análise da precariedade das provas na violência psicológica em comparação com outras formas de violência, como a física e sexual.
- Silenciamento das vítimas: Explorando como a visão limitada do operador do direito prejudica a compreensão e a voz das vítimas de violência psicológica.
- Rechaço ao imaterial: Discussão sobre a resistência cultural ocidental à consideração do sofrimento psicológico como legítimo e digno de atenção.
- Perícia psicológica: Reflexão sobre a falta de comprometimento no uso de perícia psicológica para entender a violência psicológica em processos judiciais.
- Epistemologia e Direito: Análise das diferenças entre a abordagem psicológica e a jurídica, e como isso afeta as vítimas e os profissionais de psicologia.
- Paradoxos do operador do direito: Crítica à forma como os operadores do direito interagem com os psicólogos e o uso de suas contribuições de maneira seletiva.
- Importância da escuta na dor emocional: A necessidade de acolher e legitimar o sofrimento emocional em oposição às respostas rápidas e superficiais da sociedade.
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