Você sabe o que é fundamentação ‘per relationem’?
O artigo aborda a importância da fundamentação das decisões judiciais, conforme prevista na Constituição, e critica a prática da fundamentação "per relationem", onde juízes restringem-se a reproduzir argumentos de outros, especialmente do Ministério Público, sem apresentar suas próprias razões. Os autores Aury Lopes Jr. e Alexandre Morais da Rosa discutem casos recentes que evidenciam a inadequação dessa técnica, promovendo o entendimento de que tal abordagem viola o devido processo legal e a...

O artigo aborda a importância da motivação nas decisões judiciais, conforme estabelecido no artigo 93, IX, da Constituição, e analisa a técnica de fundamentação conhecida como "per relationem".
A fundamentação é crucial para garantir o contraditório e para avaliar se a decisão judicial é racional e acompanhada das evidências adequadas, desempenhando um papel essencial na legitimidade do ato decisório. O texto discute o problema da fundamentação "per relationem", onde o juiz se limita a reproduzir argumentos de outrem, especialmente do Ministério Público, sem fornecer suas próprias razões, o que gera uma prática criticada e conivente por tribunais superiores. Um exemplo prático é mencionado através de um caso específico (ERESP Nº 1.384.669/RS) que ilustra como a falta de fundamentação adequada foi contornada por meio de embargos de divergência, destacando a necessidade de que a fundamentação, mesmo quando remissiva, deveria ser complementada por análise própria do juiz.
O artigo faz uma crítica à adoção desse método sem rigor, que fere o devido processo legal e a proteção dos direitos dos acusados, enfatizando que a jurisprudência deve evitar a abordagem de "cópia e cola" em sentenças para assegurar a justiça e a legalidade nas decisões judiciais. Por fim, defende que a fundamentação adequada é uma condição essencial para a proteção dos direitos processuais e um passo importante para garantir um julgamento justo.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Você sabe o que é fundamentação 'per relationem'?", de Aury Lopes Jr. e Alexandre Morais da Rosa.
- Importância da Fundamentação Judicial: A necessidade de motivação das decisões judiciais é garantida pela Constituição e fundamental para garantir o contraditório e a avaliação da prova.
- Definição de Fundamentação 'Per Relationem': O conceito onde o juiz utiliza argumentos de terceiros em vez de fornecer suas próprias razões, limitando-se a fazer referências a argumentos alheios.
- Prática Conivente dos Tribunais Superiores: A crítica à aceitação da fundamentação 'per relationem' pelos tribunais, que muitas vezes não oferecem a devida fundamentação nos acórdãos.
- Estudo de Caso (ERESP Nº 1.384.669/RS): Análise de um caso em que a fundamentação 'per relationem' foi criticada, demonstrando a falta de fundamentação nas decisões e suas consequências.
- Maratona Recursal: A evidência de que o manejo correto dos recursos processuais é crucial, especialmente em casos onde há a necessidade de revisitar decisões com fundamento inadequado.
- Divergência entre Turmas: Diferenças de tratamento entre a Quinta e a Sexta Turma do STJ na aceitação da fundamentação 'per relationem', frisando a necessidade de uma fundamentação própria nos juramentos.
- Impacto no Devido Processo Legal: A violação do devido processo legal quando se adota a fundamentação 'per relationem' sem a devida análise e consideração das alegações das partes.
- Reforço da Necessidade de Fundamentação Adequada: A decisão do STJ que exige acréscimo de fundamentação nas decisões, proibindo a simples remissão aos pareceres ministeriais.
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