ARTIGO

Márcio Chaer: um editor contra os bárbaros, em nome do contraditório

O artigo aborda a trajetória de Márcio Chaer e da ConJur na defesa do contraditório, do pluralismo e da cobertura crítica do Judiciário. A partir de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, reflete sobre decisões por aclamação, igualdade processual e valorização de vozes desconhecidas. Ao final, destaca a publicação de opiniões divergentes como forma de preservar o debate livre.

05 out. 2026
Márcio Chaer: um editor contra os bárbaros, em nome do contraditório
Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a relação entre Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, destacando a publicação póstuma de Pessoa sobre o amigo, a correspondência entre ambos e a fundação da revista Orpheu; a ideia de que “morrem jovens os que os deuses amam”, interpretada como uma reflexão sobre o gênio, a beleza, os limites do conhecimento, a desigualdade entre humanos e deuses e o sofrimento associado à grandeza; a condição do inovador diante da indiferença social, comparada à figura de Cassandra, cuja verdade não é reconhecida por uma plateia sem critérios para compreender o novo; a crítica à aclamação das massas, ao poder do espetáculo, à valorização dos gladiadores e mimos e à substituição da grandeza pelo gosto majoritário; a teoria da decisão baseada na oposição entre aclamação e julgamento ponderado, mostrando que decisões por popularidade favorecem quem grita mais alto e prejudicam ideias que exigem leitura e reflexão; a função dos tribunais como instituições contrárias ao circo, especialmente por meio do contraditório, da escuta equilibrada, da igualdade de tratamento e da oportunidade de manifestação para todas as partes; o papel do processo como mecanismo capaz de produzir igualdade por regras, sem depender de reconhecimento, admiração ou privilégio; o pioneirismo de Márcio Chaer na cobertura especializada do Judiciário por meio da fundação da ConJur, em 1997; a valorização, na ConJur, do equilíbrio entre textos de autores desconhecidos e consagrados, do pluralismo de ideias e do debate crítico; a concepção de democracia como manutenção contínua de procedimentos que resistem à aclamação e permitem a publicação de opiniões divergentes; a gratidão do autor pela permanência dessa regra editorial; e a conclusão de que a melhor forma de homenagear Chaer é continuar escrevendo livremente, aceitando o contraditório, publicando respostas e preservando uma prática jornalística e intelectual baseada na escuta, na contestação e na liberdade de pensamento.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo “Márcio Chaer: um editor contra os bárbaros, em nome do contraditório”, de Alexandre Morais da Rosa.

  • Relação entre Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro: Contextualização do texto publicado por Pessoa na revista Athena, destacando a amizade, a correspondência iniciada em 1912 e a fundação conjunta da revista Orpheu.
  • O sentido da morte precoce do gênio: Análise do preceito segundo o qual “morre jovem quem os deuses amam” e da ideia de que o amor dos deuses igualaria o gênio, embora o destino impeça a plena igualdade entre deuses e humanos.
  • O gênio como figura exilada: Discussão sobre a consciência dolorosa de que a beleza perece, o conhecimento é limitado e o indivíduo excepcional permanece dividido entre diferentes mundos.
  • Indiferença diante da inovação: Reflexão sobre a dificuldade da sociedade em reconhecer ideias novas, comparando o inovador ao profeta e evocando a figura de Cassandra, cuja verdade era recebida como mentira.
  • Limites da compreensão coletiva: Explicação de que a plateia nem sempre rejeita o novo por maldade, mas por não possuir critérios para identificar aquilo que ainda não tem nome ou reconhecimento.
  • A aclamação como forma deficiente de julgamento: Crítica à lógica em que vence quem grita mais alto, enquanto a grandeza, que exige tempo, atenção e leitura cuidadosa, é eclipsada pelo espetáculo imediato.
  • A metáfora do circo e dos bárbaros: Análise da imagem de um circo maior que o de Roma, no qual gladiadores, mimos e soldados bárbaros passam a definir o que tem valor e sufocam aquilo que poderia alcançar grandeza.
  • Teoria da decisão: Identificação de uma teoria segundo a qual decisões baseadas em aclamação favorecem quem é compreendido instantaneamente, em prejuízo de argumentos complexos e de construções que demandam reflexão.
  • O papel dos tribunais contra o circo: Apresentação dos tribunais como instituições destinadas a substituir a lógica do espetáculo por procedimentos capazes de organizar a escuta e limitar decisões impulsivas.
  • Contraditório como instrumento de igualdade: Destaque para o contraditório como regra que garante às partes igual tempo, forma e oportunidade de manifestação, independentemente de sua posição social ou prestígio.
  • Regra processual em lugar do privilégio: Comparação entre o amor dos deuses, que iguala pela perda, e o processo, que promove igualdade por meio de regras aplicáveis a todos.
  • Pioneirismo da ConJur na cobertura do Judiciário: Reconhecimento do trabalho de Márcio Chaer na fundação da ConJur, em 1997, e na criação de um espaço pioneiro para a cobertura especializada do Poder Judiciário.
  • Pluralismo e debate crítico: Ênfase na abertura da ConJur à diversidade de ideias, permitindo que textos de autores desconhecidos e consagrados ocupem espaço semelhante e sejam avaliados pelos leitores.
  • Democracia como preservação do procedimento: Definição do democrata como aquele que mantém o procedimento de escuta, publicação e debate contra a lógica da aclamação, ainda que o resultado não seja sempre conveniente.
  • Legado editorial de Márcio Chaer: Homenagem à permanência de uma prática editorial baseada na liberdade de pensamento, na publicação de respostas e na aceitação do contraditório.
  • A continuidade da tarefa: Conclusão de que escrever, publicar, aceitar a contestação e garantir a resposta são formas de manter vivo o legado de Chaer e preservar o pensamento livre na ConJur.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
Acessar artigo

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

Avatar de Alexandre Morais da Rosa
Alexandre Morais da RosaPós-doutorando em Universidade de Brasilia (UnB). Doutor em Direito (UFPR), com estágio de pós-doutoramento em Direito (Faculdade de Direito de Coimbra e UNISINOS). Mestre em Direito (UFSC). Professor do Programa de Graduação, Mestrado e Doutorado da UNIVALI. Juiz de Direito do TJSC. Membro Honorário da Associação Ibero Americana de Direito e Inteligência Artificial/AID-IA. Pesquisa Novas Tecnologias, Big Data, Jurimetria, Decisão, Automação e Inteligência Artificial aplicadas ao Direito Judiciário, com perspectiva transdisciplinar. Coordena o Grupo de Pesquisa SpinLawLab (CNPq UNIVALI)

Explore

Indicações relacionadas a este conteúdo

Precisa de ajuda?
Fale com nossa equipe pelo WhatsApp para dúvidas sobre este conteúdo.

Não perca este conteúdo

Assine a Criminal Player e tenha acesso imediato a esta aula, mais de 4.900 conteúdos, ferramentas de IA e a maior comunidade de advocacia criminal do Brasil.

Ver planos