O que têm a nos mostrar as audiências de custódia?
O artigo aborda uma análise detalhada das audiências de custódia realizadas pela Defensoria Pública do Estado da Bahia, focando no perfil dos presos em Salvador entre 2015 e 2018. Destaca a predominância de homens jovens, negros e com baixos níveis de escolaridade, além de implicações sociais e raciais nas decisões judiciais, evidenciando desigualdades na concessão de liberdade provisória. A pesquisa revela dados alarmantes sobre violência policial e reforça a urgência de reavaliação do siste...

O artigo aborda a pesquisa realizada pela Defensoria Pública do Estado da Bahia sobre as audiências de custódia na comarca de Salvador entre 2015 e 2018, revelando diversos temas relevantes.
Primeiramente, discute o perfil sociodemográfico dos presos, destacando que 94,2% são homens, 98,8% se identificam como negros e 68,3% têm até 29 anos. A análise também aponta para a precariedade educacional, com 54,6% dos detidos possuindo apenas ensino fundamental incompleto, e a condição socioeconômica, onde quase 99% têm renda abaixo de dois salários mínimos. Outro ponto relevante é a desigualdade no acesso à liberdade provisória, sendo que apenas 51,6% dos negros obtiveram essa concessão em comparação a 57% dos brancos. O texto menciona também as agressões físicas sofridas pelos negros durante a prisão, as quais foram reportadas por 24,4% deste grupo.
Além disso, a pesquisa destaca a alta taxa de apreensões por crimes contra o patrimônio e tráfico de drogas, que totaliza 81,3% dos casos. No tocante às mulheres, evidencia que 97% das presas que se declararam negras, com predominância de jovens; e enfatiza a baixa taxa de reiteração criminosa entre os detidos, uma vez que menos de 8% retornaram às audiências de custódia. Por fim, o artigo reflete sobre a seletividade do sistema penal e a influência dos estereótipos sociais na criminalização das minorias.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "O que têm a nos mostrar as audiências de custódia?" por Rômulo de Andrade Moreira.
- Coleta de dados das audiências de custódia: Análise dos dados coletados pela Defensoria Pública do Estado da Bahia sobre prisões em flagrante na comarca de Salvador entre setembro de 2015 e dezembro de 2018.
- Perfil dos presos: Predominância de homens (94,2%), negros (98,8%), jovens (68,3%), com ensino fundamental incompleto (54,6%) e renda inferior a dois salários mínimos (98,7%).
- Liberdade provisória: Percentuais de concessão de liberdade provisória: 51,6% para negros e 57% para brancos; 4,8% receberam liberdade plena, evidenciando restrições impostas.
- Disparidades raciais no sistema penal: Análise do impacto da cor da pele nas decisões judiciais, como a prisão preventiva e relaxamento de prisão, com destaque para a injustiça enfrentada pela população negra.
- Agressões físicas durante a prisão: Percentuais de agressões físicas, sendo 24,4% para a população negra e 16,4% para brancos, com a maioria das agressões atribuídas a policiais militares.
- Estereótipos e criminalização feminina: Discussão sobre como estereótipos afetam o tratamento das mulheres na justiça, com 97% das mulheres presas se declarando negras e a maioria sendo jovem.
- Reiteração criminosa e audiência de custódia: Dados sobre a reincidência, mostrando que menos de 8% dos presos voltaram para uma segunda audiência, contradizendo a ideia de que a audiência incentiva a criminalidade.
- Reflexão sobre a escravidão: Considerações históricas e sociais sobre a herança da escravidão e seu impacto atual nos direitos humanos da população negra.
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