Decisão e impureza da razão: a neurobiologia e as nossas incertezas (parte 2)
O artigo aborda a crítica às teorias hermenêuticas e à argumentação jurídica que, segundo os autores, levam juízes e operadores do direito a acreditar em uma racionalidade pura que, na prática, é contaminada por fatores emocionais e biológicos. Os autores argumentam que as decisões jurídicas são influenciadas por instintos, intuições e a estrutura do cérebro humano, desafiando a noção de que a razão pode ser totalmente desvinculada das emoções. A reflexão propõe repensar a abordagem da racion...

O artigo aborda a intersecção entre neurobiologia e a prática jurídica, ressaltando que a suposta razão jurídica total é um mito, uma vez que juízes e operadores de direito são influenciados por emoções e instintos, o que compromete a objetividade de suas decisões.
Os autores discutem a "razão impura", que demonstra que a racionalidade não é isolada e que decisões jurídicas envolvem um complexo entrelaçamento de fatores neurais, emocionais e sociais. A crítica à ideologia de uma interpretação puramente racional é reforçada ao afirmar que os juízes, como seres humanos, são suscetíveis a vieses e equívocos, o que leva a uma "hermenêutica de la sospecha".
Além disso, o texto explora como a aceitação da influência das emoções pode enriquecer a compreensão do processo jurídico e a condição humana, sugerindo que uma abordagem que reconhece essa interdependência entre razão e emoção pode promover um avanço significativo na prática do direito e na teoria hermenêutica.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Decisão e impureza da razão: a neurobiologia e as nossas incertezas (parte 2)" por Alexandre de Morais da Rosa e Atahualpa Fernandez.
- O mito da razão jurídica total: Discussão sobre como juízes e operadores jurídicos não estão imunes às emoções, desafiando a ideia de que a razão é pura e objetiva.
- A influência das emoções nas decisões judiciais: Exame sobre como sentimentos, experiências e condições biológicas moldam a interpretação e decisão no âmbito jurídico.
- A crítica às teorias hermenêuticas: Análise de como essas teorias podem levar a uma falsa sensação de entendimento, desconsiderando a complexidade humana envolvida no processo de decisão.
- Superando visões protocolares da decisão: Proposta para reconhecer a humanidade dos operadores do direito e a necessidade de abandonar certos mitos da racionalidade.
- Consequências da razão impura: Reflexão sobre como o reconhecimento dos sentimentos em processos de decisão pode melhorar a compreensão do indivíduo e suas interações jurídicas.
- A relação entre razão e emoção: Exploração de como todas as decisões, supostamente lógicas, estão contaminadas por emoções, e a necessidade de integrar essa compreensão ao entendimento do direito.
- Revisão do conceito de racionalidade: Proposta de uma nova abordagem sobre a racionalidade, chamando a atenção para a "razão impura" que integra instintos e emoções no processo decisório.
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