Todos temos um Berlusconi em nós ou projetado no outro
O artigo aborda a complexa relação entre o sujeito e a linguagem, enfatizando que as decisões judiciais são condicionadas culturalmente e não são inerentes ou divinas. Alexandre Morais da Rosa discute a influência da figura do juiz, visto como portador de uma suposta onipotência, e a necessidade de uma reflexão crítica sobre a estrutura que molda a justiça, alertando para a projeção de aspectos negativos da subjetividade humana. A metáfora do "Berlusconi" representa os elementos ocultos dentr...

O artigo aborda a complexa relação entre a formação do sujeito e as influências sociais e familiares que moldam sua estrutura identitária. Inicialmente, discute-se a importância da linguagem na construção do sujeito, apontando como os significantes que o cercam influenciam seu desenvolvimento e suas fantasias.
A figura do juiz é analisada sob a perspectiva de sua posição de poder e responsabilidade, questionando como suas decisões são condicionadas culturalmente e não são naturais. O texto também reflete sobre a Constituição Federal de 1988, indicando sua incoerência e a multiplicidade de interpretações que possibilita, além da crítica ao ideal de um juiz divino. A relação entre a violência, a subjetividade e o papel do Direito Penal é explorada, destacando questões de trauma, ficção e narrativa no processo judicial.
Por fim, menciona-se a necessidade de uma nova postura do juiz que desafie a cultura da paranoia, sugerindo uma reflexão sobre as realidades construídas que nos cercam, usando a figura de Berlusconi como uma metáfora para as ambições e ilusões presentes em cada um de nós.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Todos temos um Berlusconi em nós ou projetado no outro", escrito por Alexandre Morais da Rosa.
- A estrutura do sujeito: Discussão sobre como o sujeito é moldado pelos significantes fornecidos pela sociedade e pela família, destacando a importância dos discursos parentais desde o nascimento.
- Condição do juiz contemporâneo: Reflexão sobre o papel do juiz na sociedade brasileira, abordando a falta de naturalidade nas decisões judiciais e a influência da ideologia nas determinações legais.
- Decisão judicial como um ato cultural: Exploração da noção de que as decisões judiciais são condicionadas culturalmente e não derivam de uma Justiça divina, mas da construção simbólica da sociedade.
- Juiz como figura divina: Análise da autoimagem do juiz e como o discurso judicial se assemelha a uma narrativa de onipotência, evidenciada na prece do juiz e na crença coletiva sobre sua função.
- Constituição de 1988 e suas contradições: Crítica à Constituição brasileira como um documento com múltiplas interpretações, refletindo um arranjo que busca representar diversas vozes, mas também é propenso a leituras totalitárias.
- Comparação com a ficção: Discussão sobre a relação entre a realidade e as narrativas ficcionais, usando referências como "Matrix" e o conceito de que a ficção pode moldar nossa compreensão da realidade.
- Violência e subjetividade na Justiça: Reflexão sobre a violência constitutiva e a ideia de que o Direito Penal é uma forma de violência mediada pelo Estado, levando à importância do sujeito dentro do sistema judicial.
- Desafios do juiz contemporâneo: Considerações sobre o juízo contemporâneo em relação a suas tensões internas e a pressão para atuar em um espaço de elevada responsabilidade moral e social.
- Berlusconi como metáfora: Utilização da figura de Berlusconi como uma metáfora para a dualidade e conflitos que todos enfrentamos, sugerindo que essa projeção ocorre tanto individualmente quanto na sociedade.
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