Entre a reprovação moral e o silêncio penal: o acesso digital à pornografia infantojuvenil
O artigo aborda os desafios do Direito Penal frente à complexidade do acesso digital à pornografia infantojuvenil, destacando a falta de tipificação específica para a mera visualização desse conteúdo. Os autores discutem a necessidade de uma clara definição legal, já que a legislação atual penaliza somente a aquisição, posse e armazenamento, deixando um vácuo quanto à responsabilidade por acessar materiais ilícitos. Apontam que a omissão legislativa não justifica a interpretação extensiva dos...

O artigo aborda a complexidade das transformações sociais e legais impostas pela era digital, destacando a dificuldade do Direito Penal em se adaptar a comportamentos emergentes, especialmente em relação ao acesso a pornografia infantojuvenil.
Os autores discutem a questão da responsabilização penal, ressaltando que enquanto a visualização desse material é moralmente reprovável, não se enquadra nas condutas tipificadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que apenas prevê punições para aquisição, posse ou armazenamento. A análise ressalta a importância do princípio da legalidade, evidenciando que a ausência de uma tipificação clara para o ato de visualizar impede a aplicação de penas, a menos que haja uma modificação legislativa. Além disso, eles discutem a problemática da notificação prévia exigida pela lei para a remoção de conteúdo ilegal da internet, que pode criar uma proteção excessiva a sites, além de questionar a possibilidade de erro de tipo no julgamento penal.
A conclusão enfatiza a importância de não permitir que as iniciativas legais para proteção de menores ultrapassem os limites estabelecidos pela legislação penal, garantindo uma interpretação que respeite os direitos e garantias fundamentais previstos constitucionalmente.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Entre a reprovação moral e o silêncio penal: o acesso digital à pornografia infantojuvenil" por Albino Freire, Jacinto Nelson de Miranda Coutinho e Bruna Araujo Amatuzzi Breus.
- Complexidade da vida em sociedade e o ambiente digital: Reflexão sobre as transformações sociais em função da era cibernética e a necessidade de adaptação do Direito Penal às novas condutas que emergem nesse contexto.
- Desafios do Direito Penal frente à tecnologia: Discussão sobre como a digitalização e as condutas virtuais desafiam as categorias tradicionais do Direito Penal, como dolo, culpa e tipicidade.
- Acesso à pornografia infantojuvenil: Análise da falta de tipificação penal no Brasil para a mera visualização de pornografia envolvendo crianças e adolescentes, questionando a capacidade do ordenamento jurídico em lidar com essa realidade.
- Limitações do artigo 241-B do ECA: Exame dos núcleos do tipo penal previstos pelo artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente e a implicação de não se prever a conduta de acessar material pornográfico sem armazenamento.
- Princípio da legalidade e nulidade da conduta: Reforço da ideia de que não se pode criminalizar comportamentos que não estão tipificados na lei, evidenciando a necessidade de um entendimento rigoroso sobre o que constitui crime.
- Notificação prévia e responsabilidade dos provedores: Debate sobre a exigência de notificação para que conteúdos proibidos sejam removidos da internet e a adequação dessa medida frente ao desafio da fiscalização na rede.
- Erro de tipo e defesa dos acusados: Reflexão sobre a possibilidade de erro de tipo na avaliação da idade de modelos em conteúdo pornográfico e as implicações jurídicas disso em casos de acusação.
- Consequências da responsabilização excessiva: Advertência sobre o risco de a tentativa de proteger menores levar à extrapolação das normas penais, comprometendo a justiça e a legalidade.
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