Como usar o Leitor de Conversa de WhatsApp
Guia do Leitor de Conversa de WhatsApp: abra o arquivo exportado pelo próprio aplicativo, do celular ou do computador, e a ferramenta calcula o hash antes de ler, reconstrói a conversa na tela ao lado da lista de mensagens, deixa filtrar por interlocutor e por período, marca o que o aplicativo registrou (mensagem apagada, mensagem editada, chamada, mídia que ficou de fora) e gera o bloco para a petição com a proveniência do arquivo. Tudo no seu navegador.
O que esta ferramenta faz
O Leitor de Conversa de WhatsApp abre o arquivo que o próprio aplicativo exporta e o transforma em algo que dá para ler, filtrar e citar. Ele calcula o hash SHA-256 do arquivo antes de qualquer leitura, organiza as mensagens em ordem, numera cada uma com uma posição citável, permite filtrar por interlocutor, por período e por palavra, e marca o que o próprio aplicativo registrou.
A conversa aparece de duas formas ao mesmo tempo: a lista de mensagens, que é onde se filtra, se marca e se anota, e a reconstrução, que remonta o diálogo com a aparência de uma conversa para ler o fio do assunto sem perder o contexto.
Abra em criminalplayer.com.br/leitor-conversa-whatsapp. Tudo roda no seu navegador: o arquivo não é enviado para a plataforma, nem o texto, nem o hash.
Isto é a mesma coisa que uma ata notarial? E que os serviços de captura?
Não, e a diferença não é de qualidade: é de momento. Ata notarial e serviços de captura qualificada alcançam conteúdo que ainda está vivo na tela, no instante em que ele está lá. Este leitor recai sobre um arquivo de exportação que já existe. São instrumentos de etapas diferentes, e um não faz o trabalho do outro.
| Instrumento | Alcança | Quem faz | O que produz |
|---|---|---|---|
| Ata notarial | conteúdo vivo na tela | tabelião | fé pública sobre o que ele viu (art. 384 do CPC) |
| Captura qualificada | conteúdo vivo na tela | empresa privada | hash, carimbo de tempo e relatório próprio. Sem fé pública |
| Este leitor | o arquivo de exportação que já existe | você, no seu navegador | leitura organizada e citável, com a proveniência do arquivo |
Na hora de escolher, a pergunta é uma só: o conteúdo ainda está vivo?
- A conversa já foi juntada aos autos. Não há conteúdo vivo a capturar, e não se lavra ata notarial sobre a exportação produzida por outra pessoa. A leitura com método é o caminho disponível, e é o que esta ferramenta faz.
- A conversa está no aparelho e pode desaparecer. Congelar vem primeiro, por ata notarial ou por captura qualificada. Aqui nada é preservado: a leitura vem depois, sobre o arquivo já exportado.
E o hash daqui não é carimbo de tempo. Ele demonstra integridade a partir do cálculo: que a leitura recaiu sobre aquele arquivo e que ele não mudou desde então. Não data o arquivo e não alcança o período anterior. Carimbo de tempo e fé pública são outros instrumentos, e nenhum dos dois é produzido nesta página. O relatório declara isso por escrito, no item de limites.
Como gerar o arquivo certo
Pelo celular. Na conversa, dentro do WhatsApp do aparelho: toque no nome do contato ou do grupo, escolha Exportar conversa e depois Incluir mídia (quando os arquivos importarem) ou Sem mídia (quando só o texto interessar). Salve o arquivo e abra aqui sem editar.
Pelo computador. O aplicativo do WhatsApp para computador também exporta, e o pacote que ele gera é aceito aqui. Ele vem com a conversa em dois arquivos, um de texto e um em formato de marcação, e é do segundo que sai a data de exportação declarada pelo próprio aplicativo, que aparece na proveniência. O arquivo de texto exportado pelo celular não traz essa data em lugar nenhum, então, quando ela importa, a exportação pelo computador é a que a entrega.
São três formatos nativos, e os três são lidos: o do Android, o do iPhone e o do aplicativo para computador, em português e em inglês, tanto em .txt quanto em .zip. No .zip, a ferramenta calcula também o hash de cada arquivo de mídia e confere se todo anexo citado na conversa está mesmo dentro do pacote.
A proveniência diz de onde o arquivo veio, quando dá para dizer. O export não declara em lugar nenhum o aparelho que o gerou, mas cada aplicativo deixa marcas próprias no texto, e é por elas que a leitura responde iPhone, Android ou aplicativo para computador. Quando as marcas não bastam, a resposta é não identificada pelo arquivo, e ela sai assim também no bloco da petição: é declaração de método, não lacuna.
Os três escrevem os avisos do aplicativo com palavras diferentes, e por isso vale abrir o arquivo como ele saiu. Abrir, salvar de novo por outro programa ou juntar dois arquivos num só é o que faz a leitura perder marcação e, em alguns casos, acender apontamento que não existia.
Print e PDF de print não servem aqui. Se a conversa chegou aos autos nessa forma, o caminho é requerer a extração integral, no Gerador de Requerimentos de Prova Digital.
A conversa na tela: lista, lado a lado e reconstrução
No topo da área da conversa há três arranjos, e você troca conforme o trabalho do momento:
- Lado a lado (como a página abre): a lista de mensagens e a reconstrução na mesma vista. É o arranjo de leitura, porque o que se lê de um lado se marca do outro sem trocar de tela.
- Lista: só a lista de mensagens, com toda a largura. É o arranjo de garimpo, para filtrar, percorrer muita mensagem e marcar em quantidade.
- Reconstrução: só o diálogo remontado, com toda a largura. É o arranjo de leitura corrida, para acompanhar o fio de um assunto.
Dentro da reconstrução, Celular e Computador trocam o formato da moldura. A escolha é de espaço de leitura, não de origem do arquivo: a vista de celular é mais alta e estreita, a de computador é mais larga, e nenhuma das duas afirma em que aparelho a conversa foi exportada.
Quem é você nesta conversa
Quando o arquivo tem dois ou mais participantes, a página pergunta quem é você nesta conversa, com um botão para cada nome e a opção Não informar, que é como ela começa.
A pergunta existe porque o arquivo não registra quem exportou: o aplicativo grava o nome da própria conta do mesmo jeito que grava o do outro. Assumir um lado seria apresentar como fato uma escolha nossa. A resposta muda apenas de que lado as mensagens aparecem na reconstrução, e nada mais: não altera a leitura, os apontamentos nem o bloco da petição.
Quando o arquivo já traz "Você" como nome de um dos lados, que é como o aplicativo para computador escreve, esse lado vem escolhido, e dá para trocar.
Do apontamento para a mensagem
No quadro O que o arquivo registra, cada item que aponta para uma mensagem numerada tem um ver na conversa. O clique traz aquela mensagem para a vista nos dois lados ao mesmo tempo, carregando o que ainda faltava carregar da lista.
Se a mensagem estiver fora dos filtros ativos no momento, a página diz isso e pede para limpar o filtro, em vez de burlar por conta própria a escolha que você fez.
O que a ferramenta aponta, e em que classe
Os apontamentos vêm separados em três classes, porque não têm o mesmo peso:
- Registro do aplicativo: o que o próprio WhatsApp escreveu no arquivo. Mensagem apagada para todos, mensagem editada depois de enviada, mídia que ficou de fora da exportação e chamadas, com a contagem das que ficaram sem atendimento.
- O arquivo não fecha: sinais de que o arquivo foi mexido fora do aplicativo. Mensagem fora da ordem cronológica, formatos de exportação misturados no mesmo arquivo e anexo ausente do pacote fora do padrão de corte do aplicativo.
- Ponto a esclarecer: o que é pergunta, não achado. Silêncio longo entre mensagens, retrocesso de horário de até uma hora, alteração do código de segurança, texto acrescentado antes da primeira mensagem, anexo antigo ausente e registro do aplicativo que esta leitura não nomeia.
Vale conhecer os limiares, porque são eles que decidem em qual classe o apontamento cai:
- Uma hora separa a pergunta da acusação. Quando uma mensagem marca hora anterior à que veio antes dela, a ferramenta mede o tamanho do retrocesso: até 60 minutos fica como ponto a esclarecer, porque relógio desajustado e mudança de fuso explicam; acima de 60 minutos passa para "o arquivo não fecha", como mensagem fora da ordem cronológica.
- Anexo que falta nem sempre é anexo retirado. A Central de Ajuda do WhatsApp informa que a exportação com mídia anexa as mídias mais recentes da conversa: o próprio aplicativo corta as antigas. Por isso a ausência é lida pelo padrão. Se o que falta é todo anterior ao que veio, o apontamento fica como ponto a esclarecer, e a via é pedir a extração integral ou nova exportação. Se há buraco no meio, com arquivos presentes depois dos ausentes, o corte do aplicativo não explica, e aí segue como "o arquivo não fecha".
- O limiar do silêncio é você quem escolhe, no campo Silêncio a partir de (3, 7, 15 ou 30 dias; começa em 7). O quadro lista os dez maiores intervalos. E só roda com ao menos 20 mensagens no arquivo: sem amostra não dá para falar de ritmo de conversa.
- Código de segurança é eixo de autoria, não de integridade. Reinstalar o aplicativo, trocar de aparelho e trocar de chip produzem exatamente o mesmo aviso. Por isso ele não é sinal de adulteração, e sim pergunta a fazer antes de qualquer afirmação sobre quem escreveu as mensagens do período seguinte.
- Registro que a leitura não nomeia é ressalva de método, não acusação. O arquivo marca cada trecho que o próprio aplicativo escreveu, e o texto desses avisos muda de uma versão e de um idioma para outro. Quando um deles vem marcado e não é reconhecido, ele aparece reproduzido como consta, em vez de ser engolido em silêncio.
- Chamada é ocorrência, não conteúdo. O arquivo registra que a chamada houve e se ficou sem atendimento. Áudio de chamada não existe na exportação e não se obtém por esta via.
Dois dos pontos a esclarecer puxam providência no bloco da petição: a alteração do código de segurança (esclarecê-la antes de discutir autoria) e o texto antes da primeira mensagem (requerer o arquivo de exportação original, na forma gerada pelo aplicativo). Os demais ficam registrados sem pedido: são apenas o que conferir.
A ferramenta é conservadora de propósito: ela prefere não apontar a apontar demais. Dez apontamentos frágeis ensinam o juízo a ignorar a impugnação inteira; dois bem classificados sustentam.
Marcar as mensagens, e escrever por que elas importam
Cada mensagem da lista tem um marcador, e ele tem três estados, que se distinguem na tela:
- Não marcada: o marcador aparece vazio.
- Marcada, ainda sem observação: o marcador aparece cheio. A mensagem já vai para o bloco da petição.
- Marcada, com observação escrita: o marcador muda de forma. É o estado completo.
Ao marcar, abre-se o campo Por que esta mensagem importa. O que você escrever ali acompanha o trecho dentro do bloco da petição, e é ele que registra o raciocínio no momento da leitura, em vez de obrigar a reconstruí-lo de memória depois.
A barra de marcação diz quantas ainda estão sem observação, porque mensagem marcada sem o porquê escrito é trabalho pela metade, e numa lista longa as duas se pareciam. Dá para marcar uma a uma ou marcar as que estão filtradas, e o botão informa quantas e quais vai marcar antes do clique.
A saída para a petição
Com as mensagens marcadas, você gera o bloco. Ele traz, nesta ordem: a proveniência do arquivo (nome, tamanho, hash, contagens, período, participantes, a origem do arquivo e, quando o pacote a declara, a data de exportação), a nota de método, o quadro dos apontamentos com o fundamento de cada um, a transcrição dos trechos marcados com a posição de cada mensagem no arquivo e a sua observação, as providências que aqueles achados sustentam e os limites da leitura.
Dá para copiar, baixar em texto, imprimir em PDF e enviar para o dossiê do Kit de Cadeia de Custódia, junto com o resto da diligência. O hash gerado aqui também pode ser conferido no Kit.
Onde o seu trabalho fica guardado, e como zerar
Os dados do caso que você preenche ficam guardados no seu próprio navegador, neste computador. Não vai para a plataforma, não acompanha você em outro aparelho e ninguém mais vê. É a mesma escolha que permite trabalhar com o caso na tela sem que ele saia da sua máquina.
A conversa em si nunca é gravada. Ela é lida na memória do navegador enquanto a aba está aberta e some quando você fecha a aba ou clica em Fechar a conversa. A marcação e as observações acompanham a conversa: elas também somem ao recarregar a página. Gere o bloco, ou mande para o dossiê, antes de sair.
O que fica guardado são os dados do caso e o que você mandou para o dossiê. A consequência é que, ao voltar, você reencontra o caso da última visita. Quando isso acontece, a página avisa numa faixa no topo, com duas saídas: Continuar de onde parei ou Começar do zero.
Para zerar a qualquer momento, use Limpar esta ferramenta, na barra que fica no topo da página. Ela mostra a lista do que está guardado, com a quantidade de cada coisa, e você marca o que quer apagar. Não há como desfazer: o que sai daqui não fica em lugar nenhum, porque nunca esteve em servidor nosso. Baixe ou copie antes o que ainda precisar.
O dossiê da diligência é o mesmo em todas as peças da Investigação Defensiva. Apagá-lo aqui apaga também no Kit de Cadeia de Custódia, na Linha do Tempo da Custódia, no Mapa de Vínculos, no Mapa do Local do Fato e no Leitor de Conversa. A lista avisa isso antes de você confirmar.
Em computador compartilhado, no escritório ou no fórum, limpar ao terminar é o cuidado que evita que o próximo a sentar encontre o caso do seu cliente na tela.
Cuidados e limites
- O arquivo não numera as mensagens. Por isso ele não permite afirmar que alguma foi retirada. Quem apaga uma mensagem somente para si não deixa marca nenhuma, e a ferramenta diz isso no relatório em vez de fingir que detectou.
- Mensagem de visualização única não é exportada, conforme a Central de Ajuda do WhatsApp, e não deixa registro algum: conteúdo desse tipo pode ter existido na conversa sem aparecer aqui. O relatório declara isso por escrito.
- A reconstrução mostra só o que consta do arquivo. A exportação não registra confirmação de entrega, confirmação de leitura, presença nem miniatura de imagem, e nada disso é desenhado na tela. A moldura é espaço de leitura, não reprodução do aparelho de quem exportou.
- Silêncio não é supressão. Um intervalo de semanas pode ser apenas um intervalo de semanas. É pergunta a fazer, não achado a afirmar.
- O arquivo é do aparelho de quem exportou, com o relógio e o fuso daquele aparelho, que a leitura não tem como conferir. E a primeira mensagem é o começo do que estava no aparelho no dia da exportação, não necessariamente o começo da conversa.
- Integridade e autoria são coisas diferentes. Mostrar que a mensagem está lá e não foi alterada não prova quem a escreveu: conta compartilhada, aparelho emprestado e perfil clonado continuam sendo hipóteses. A ferramenta trabalha só no primeiro eixo.
- Isto não é laudo pericial e não afirma nulidade. Cada ponto é matéria a verificar e sustentar pela defesa.
Para pôr em fila as datas da apreensão, da extração e do laudo desse mesmo material, use a Linha do Tempo da Custódia.
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