Como usar o Kit de Cadeia de Custódia
Guia do Kit de Cadeia de Custódia: seis ferramentas para documentar a integridade da prova digital, todas rodando no seu navegador. Gerar hash SHA-256, conferir o hash de um laudo, ler e remover metadados (EXIF), calcular prazos de guarda e montar o dossiê da diligência. O que o hash demonstra, o que ele não demonstra, e os cuidados de cada ferramenta.
O que esta ferramenta faz
O Kit de Cadeia de Custódia é um conjunto de seis ferramentas para documentar a integridade da prova digital: tanto a que você colhe na investigação defensiva quanto a que a acusação apresenta e você quer impugnar por quebra de cadeia de custódia (arts. 158-A a 158-F do CPP).
Tudo roda no seu próprio navegador. O arquivo nunca é enviado à plataforma nem a servidor nenhum, e a saída sai pronta para anexar à peça, ao termo de coleta ou à ata notarial.
Abra em criminalplayer.com.br/kit-cadeia-de-custodia. É um recurso para assinantes. A barra de atalhos no topo leva direto a cada ferramenta: Gerar hash, Conferir hash, Metadados, Limpar metadados, Prazos e Dossiê.
O que o hash demonstra (e o que não demonstra)
O hash é a impressão digital criptográfica de um arquivo: se um único bit muda, o hash muda. Ele demonstra integridade a partir do momento do cálculo, ou seja, que o arquivo com aquele hash é idêntico ao que você registrou.
- Não certifica origem, autoria nem data de criação do conteúdo. Para fé pública sobre a existência e o teor, o caminho é a ata notarial.
- Metadados são indício, não prova. A ausência de EXIF não prova adulteração (prints, apps de mensagem e re-salvamento removem metadados); a presença pode ter sido editada.
- A ferramenta documenta; quem sustenta a prova é a defesa.
As seis ferramentas
1) Hash de integridade (Gerar hash)
Calcula o hash SHA-256 de um ou mais arquivos da diligência (foto, vídeo, áudio, documento, extração) e monta um relatório com data, hora e fuso. Arraste os arquivos para a área indicada ou clique para escolher (limite de 500 MB por arquivo). Você pode marcar "Incluir também SHA-512". Ao final: Baixar relatório (.txt), Copiar, Imprimir ou salvar PDF e Adicionar ao dossiê.
2) Conferir um hash (Conferir hash)
A operação inversa: cole o hash que consta no laudo ou na mídia da acusação, escolha o arquivo dos autos e a ferramenta confere se são o mesmo arquivo. Ela detecta o algoritmo pelo tamanho do hash (MD5, SHA-1, SHA-256 ou SHA-512). O veredito é claro: "Os hashes CONFEREM" ou "Os hashes NÃO CONFEREM". Uma divergência, quando o hash vem de laudo oficial, é indício de quebra de cadeia de custódia a apurar.
3) Ler os metadados (Metadados)
Lê localmente os metadados EXIF embutidos numa foto JPEG: datas de captura e modificação, fabricante, modelo, software, dimensões e coordenadas GPS (com a opção de abrir no mapa). Escolha a imagem e leia.
4) Remover metadados (Limpar metadados)
Gera uma cópia limpa de uma imagem JPEG, sem localização, aparelho e datas, para você compartilhar ou juntar sem vazar dados do cliente ou de uma testemunha. A remoção é cirúrgica, sem recomprimir a imagem. Atenção: a cópia limpa tem hash diferente do original, de propósito. Use a cópia para compartilhar e nunca substitua por ela o original que você preservou.
5) Quanto tempo você tem? (Prazos)
Escolha o tipo de registro e a data do fato para estimar a janela antes do descarte, com o status de urgência e a ação recomendada. A ferramenta distingue prazo legal (por exemplo, os registros do Marco Civil) de estimativa de prática (por exemplo, câmeras privadas, de 7 a 30 dias). Da tela, você salta direto para gerar a notificação de preservação.
6) Dossiê da diligência (Dossiê)
Consolida tudo num só documento. Veja a seção abaixo.
O dossiê da diligência
Cada ferramenta acima tem o botão Adicionar ao dossiê. Ao clicar, o resultado (um hash gerado ou conferido, uma leitura de metadados, uma cópia limpa) entra numa lista com carimbo de data e hora. No topo, preencha os dados do caso (advogado, OAB, cliente, referência) uma vez.
Ao final, você tem um documento único da diligência, com cabeçalho do caso e a declaração de método (tudo local, nada transmitido). Botões: Baixar o dossiê (.txt), Copiar, Imprimir ou salvar PDF e Limpar dossiê.
O dossiê fica salvo apenas naquele navegador, naquele computador (sobrevive a recarregar a página, mas não sincroniza entre aparelhos e não vai para servidor). O Mapa de Vínculos também escreve no mesmo dossiê, com os vínculos apurados.
Cuidados e limites
- Computador compartilhado: como o dossiê fica no navegador, use "Limpar dossiê" ao terminar em máquina que não é só sua.
- Limite de 500 MB por arquivo na geração de hash (o arquivo é lido inteiro na memória). Acima disso, divida ou reduza.
- Leitura e limpeza de metadados cobrem JPEG. PNG e prints normalmente não têm EXIF; para PNG, use a exportação sem metadados do próprio editor.
- Gere hash novo sempre em SHA-256 (ou SHA-512). MD5 e SHA-1 servem só para conferir laudo legado.
- Navegador atual. Se faltarem os recursos de criptografia do navegador, a ferramenta avisa; use uma versão atual de Chrome, Firefox ou Edge.
Antes de colher, muitas vezes é preciso preservar: veja o Gerador de Preservação de Prova. Para o passo a passo do módulo inteiro, veja Ferramentas de Investigação Defensiva: por onde começar.
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