Como usar o Kit de Cadeia de Custódia

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Como usar o Kit de Cadeia de Custódia

Guia do Kit de Cadeia de Custódia: seis ferramentas para documentar a integridade da prova digital, todas rodando no seu navegador. Gerar hash SHA-256, conferir o hash de um laudo, ler e remover metadados (EXIF), calcular prazos de guarda e montar o dossiê da diligência. O que o hash demonstra, o que ele não demonstra, e os cuidados de cada ferramenta.

Atualizado em 20 ago 2026cadeia-de-custodiahashprova-digitalexifmetadadosinvestigacao-defensivacpp-158

O que esta ferramenta faz

O Kit de Cadeia de Custódia é um conjunto de seis ferramentas para documentar a integridade da prova digital: tanto a que você colhe na investigação defensiva quanto a que a acusação apresenta e você quer impugnar por quebra de cadeia de custódia (arts. 158-A a 158-F do CPP).

Tudo roda no seu próprio navegador. O arquivo nunca é enviado à plataforma nem a servidor nenhum, e a saída sai pronta para anexar à peça, ao termo de coleta ou à ata notarial.

Abra em criminalplayer.com.br/kit-cadeia-de-custodia. É um recurso para assinantes. A barra de atalhos no topo leva direto a cada ferramenta: Gerar hash, Conferir hash, Metadados, Limpar metadados, Prazos e Dossiê.

O que o hash demonstra (e o que não demonstra)

O hash é a impressão digital criptográfica de um arquivo: se um único bit muda, o hash muda. Ele demonstra integridade a partir do momento do cálculo, ou seja, que o arquivo com aquele hash é idêntico ao que você registrou.

  • Não certifica origem, autoria nem data de criação do conteúdo. Para fé pública sobre a existência e o teor, o caminho é a ata notarial.
  • Metadados são indício, não prova. A ausência de EXIF não prova adulteração (prints, apps de mensagem e re-salvamento removem metadados); a presença pode ter sido editada.
  • A ferramenta documenta; quem sustenta a prova é a defesa.

As seis ferramentas

1) Hash de integridade (Gerar hash)

Calcula o hash SHA-256 de um ou mais arquivos da diligência (foto, vídeo, áudio, documento, extração) e monta um relatório com data, hora e fuso. Arraste os arquivos para a área indicada ou clique para escolher (limite de 500 MB por arquivo). Você pode marcar "Incluir também SHA-512". Ao final: Baixar relatório (.txt), Copiar, Imprimir ou salvar PDF e Adicionar ao dossiê.

2) Conferir um hash (Conferir hash)

A operação inversa: cole o hash que consta no laudo ou na mídia da acusação, escolha o arquivo dos autos e a ferramenta confere se são o mesmo arquivo. Ela detecta o algoritmo pelo tamanho do hash (MD5, SHA-1, SHA-256 ou SHA-512). O veredito é claro: "Os hashes CONFEREM" ou "Os hashes NÃO CONFEREM". Uma divergência, quando o hash vem de laudo oficial, é indício de quebra de cadeia de custódia a apurar.

3) Ler os metadados (Metadados)

Lê localmente os metadados EXIF embutidos numa foto JPEG: datas de captura e modificação, fabricante, modelo, software, dimensões e coordenadas GPS (com a opção de abrir no mapa). Escolha a imagem e leia.

Na maior parte das vezes a leitura vem vazia, e isso é esperado. A seção "Por que quase nenhuma imagem tem metadados", abaixo, explica o motivo e por que o vazio também é um achado.

4) Remover metadados (Limpar metadados)

Gera uma cópia limpa de uma imagem JPEG, sem localização, aparelho e datas, para você compartilhar ou juntar sem vazar dados do cliente ou de uma testemunha. A remoção é cirúrgica, sem recomprimir a imagem. Atenção: a cópia limpa tem hash diferente do original, de propósito. Use a cópia para compartilhar e nunca substitua por ela o original que você preservou.

5) Quanto tempo você tem? (Prazos)

Escolha o tipo de registro e a data do fato para estimar a janela antes do descarte, com o status de urgência e a ação recomendada. A ferramenta distingue prazo legal (por exemplo, os registros do Marco Civil) de estimativa de prática (por exemplo, câmeras privadas, de 7 a 30 dias). Da tela, você salta direto para gerar a notificação de preservação.

6) Dossiê da diligência (Dossiê)

Consolida tudo num só documento. Veja a seção abaixo.

Por que quase nenhuma imagem tem metadados

Se você testar a leitura com as imagens que circulam num caso, quase todas vão voltar sem nada. Não é falha da ferramenta: é o comportamento normal do caminho que a imagem percorreu.

Quem apaga os metadados é o transporte. Aplicativos de mensagem e redes sociais recodificam a imagem no envio e descartam o EXIF, por privacidade dos próprios usuários. Print de tela nunca teve metadado de captura, por definição: ele registra a tela, não a câmera. Salvar de novo num editor, exportar de um PDF ou usar "salvar imagem como" no navegador também costuma remover.

Sobra o original. Metadado só sobrevive no arquivo como ele saiu do aparelho: transferido por cabo, baixado do backup em nuvem, ou enviado por aplicativo de mensagem como documento, e não como foto. Essa diferença é o detalhe operacional mais útil deste guia: ao pedir a alguém a foto original, peça que envie como documento ou arquivo. Enviada como foto, ela chega recodificada e sem nada.

O vazio é um achado, não um teste que falhou. Se a imagem não tem metadado, você não está com o original: ela passou por pelo menos uma recodificação até chegar às suas mãos. Isso não prova adulteração, e a ferramenta não afirma que prova. Mas sustenta providências concretas: requerer o arquivo original a quem o apresentou, perguntar de que aparelho ele saiu e por qual caminho chegou aos autos e, se o original ainda estiver com terceiro, notificar a preservação antes que a janela feche. É por isso que a leitura vazia também tem Adicionar ao dossiê: ter conferido e não haver metadado é diligência documentável.

Não confunda "sem metadado" com "formato não lido". A leitura cobre JPEG. Ao abrir um PNG, um HEIC (formato padrão de foto do iPhone) ou um vídeo, a ferramenta avisa que o formato não é coberto, e essa mensagem quer dizer outra coisa: PNG de print realmente não tem metadado de captura, mas HEIC e vídeo têm, e aqui não são lidos. Nesse caso a conclusão honesta é que a conferência não foi possível, não que o arquivo esteja limpo.

Ler e limpar servem pontas opostas. Ler é útil na prova que veio da acusação, onde o resultado quase sempre é vazio e o vazio é o argumento. Limpar é útil na foto que você mesmo tirou na diligência, que quase sempre tem GPS, data e modelo do aparelho, e que não deve ser juntada sem passar pela limpeza, sob pena de expor a localização do escritório, do cliente ou de uma testemunha.

O dossiê da diligência

Cada ferramenta acima tem o botão Adicionar ao dossiê. Ao clicar, o resultado (um hash gerado ou conferido, uma leitura de metadados, uma cópia limpa) entra numa lista com carimbo de data e hora. No topo, preencha os dados do caso (advogado, OAB, cliente, referência) uma vez.

Ao final, você tem um documento único da diligência, com cabeçalho do caso e a declaração de método (tudo local, nada transmitido). Botões: Baixar o dossiê (.txt), Copiar, Imprimir ou salvar PDF e Limpar dossiê.

O dossiê fica salvo apenas naquele navegador, naquele computador (sobrevive a recarregar a página, mas não sincroniza entre aparelhos e não vai para servidor). O Mapa de Vínculos também escreve no mesmo dossiê, com os vínculos apurados.

Onde o seu trabalho fica guardado, e como zerar

Tudo o que você apura aqui, os hashes gerados e conferidos, as respostas do checklist, os campos do termo de coleta e os itens do dossiê ficam guardados no seu próprio navegador, neste computador. Não vai para a plataforma, não acompanha você em outro aparelho e ninguém mais vê. É a mesma escolha que permite trabalhar com o caso na tela sem que ele saia da sua máquina.

A consequência é que, ao voltar, você reencontra o caso da última visita. Quando isso acontece, a página avisa numa faixa no topo, com duas saídas: Continuar de onde parei ou Começar do zero.

Para zerar a qualquer momento, use Limpar esta ferramenta, na barra que fica no topo da página. Ela mostra a lista do que está guardado, com a quantidade de cada coisa, e você marca o que quer apagar. Não há como desfazer: o que sai daqui não fica em lugar nenhum, porque nunca esteve em servidor nosso. Baixe ou copie antes o que ainda precisar.

O dossiê da diligência é o mesmo em todas as peças da Investigação Defensiva. Apagá-lo aqui apaga também no Kit de Cadeia de Custódia, na Linha do Tempo da Custódia, no Mapa de Vínculos, no Mapa do Local do Fato e no Leitor de Conversa. A lista avisa isso antes de você confirmar.

Em computador compartilhado, no escritório ou no fórum, limpar ao terminar é o cuidado que evita que o próximo a sentar encontre o caso do seu cliente na tela.

Cuidados e limites

  • Computador compartilhado: como o dossiê fica no navegador, use "Limpar dossiê" ao terminar em máquina que não é só sua.
  • Limite de 500 MB por arquivo na geração de hash (o arquivo é lido inteiro na memória). Acima disso, divida ou reduza.
  • Leitura e limpeza de metadados cobrem JPEG. Para PNG, use a exportação sem metadados do próprio editor. HEIC (iPhone) e vídeo carregam metadado mas ainda não são lidos aqui: nesses formatos a ferramenta avisa que não conseguiu ler, o que é diferente de dizer que não há metadado.
  • Gere hash novo sempre em SHA-256 (ou SHA-512). MD5 e SHA-1 servem só para conferir laudo legado.
  • Navegador atual. Se faltarem os recursos de criptografia do navegador, a ferramenta avisa; use uma versão atual de Chrome, Firefox ou Edge.

Antes de colher, muitas vezes é preciso preservar: veja o Gerador de Preservação de Prova. Para o passo a passo do módulo inteiro, veja Ferramentas de Investigação Defensiva: por onde começar.

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