Populismo penal é ruim pra cachorro: uma análise da ‘Lei Sansão’
O artigo aborda a análise crítica da 'Lei Sansão', destacando que, embora visa a proteção dos animais, sua implementação reflete um populismo penal que ignora as finalidades do direito penal em um Estado Democrático. O autor argumenta que a lei, impulsionada por comoção social, carece de legitimidade e resulta em penalidades desproporcionais, priorizando cães e gatos em detrimento de outros animais, sem abordar eficazmente a crueldade. A discussão revela também as implicações práticas dessa l...

O artigo aborda uma análise crítica da "Lei Sansão" (Lei 14.064/20), que altera a legislação sobre maus-tratos a animais, especialmente cães e gatos, enfatizando questões como a origem e o histórico legislativo da norma, interpretações jurídicas sobre os tipos penais de maus-tratos, e o impacto das mudanças introduzidas, destacando a possível falta de proporcionalidade nas penas estabelecidas.
O texto inicia com a fundamentação normativa para a proteção dos animais, citando a Constituição Federal e o contexto onde o populismo penal interfere na criação de leis. A denominação “Lei Sansão” é explicada através da história de um cão que sofreu maus-tratos, o que gerou ampla repercussão e pressões sociais que impulsionaram a aprovação da lei. O artigo também discute as alterações legislativas propostas, que visavam aumentar as penas e responsabilizar estabelecimentos que contribuíssem para os crimes contra animais, mas que acabaram sendo limitadas aos pets mais comuns.
Além disso, é feito um apanhado das repercussões operacionais das mudanças, como as novas modalidades de pena e a alteração do regime de cumprimento das sentenças. O autor conclui que, embora a lei pareça bem-intencionada, ela falha em atender às verdadeiras finalidades do direito penal e reflete um conceito errôneo de que penas mais severas garantem maior proteção aos animais.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Populismo penal é ruim pra cachorro: uma análise da ‘Lei Sansão’" por Fernando Antunes Soubhia.
- Fundamento normativo da proteção aos animais: Discussão sobre o amparo legal para a proteção dos animais na Constituição Federal e a necessidade de um enfoque cauteloso na criação de tipos penais.
- Contexto da Lei Sansão: Análise da promulgação da Lei 14.064/20 e suas implicações no combate ao populismo penal, especialmente em relação à crueldade contra animais.
- Histórico Legislativo: Trajetória e modificações do projeto de lei que resultou na Lei Sansão, incluindo a intenção de punir estabelecimentos comerciais que cometessem maus-tratos.
- Alterações introduzidas pela Lei 14.064/20: Criação da figura penal dos 'Maus-Tratos Qualificados' e as críticas à redação excessivamente aberta dos tipos penais, limitando-se a cães e gatos.
- Impactos das alterações na legislação: Efeitos no sistema de justiça penal, incluindo a possibilidade de prisão em regime fechado, mudanças nas medidas cautelares, e na limitação da transação penal.
- Implicações filosóficas da proteção animal: Discussão sobre a diferença entre antropocentrismo e biocentrismo na proteção ao bem jurídico ambiental relacionado aos animais.
- Críticas ao escalonamento das penas: Reflexão sobre a discrepância entre a punição para maus-tratos a cães e gatos em comparação a crimes contra seres humanos, apontando questões de legitimidade da nova lei.
- Conclusão sobre a eficácia da Lei Sansão: Argumentação de que a lei, apesar de bem-intencionada, carece de um processo legislativo reflexivo, resultando em um déficit de legitimidade e em um eventual exercício arbitrário de poder na aplicação das penalidades.
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