Os necessitados de carnelutti: entre a execução penal e o processo coletivo, uma
O artigo aborda a importância do processo coletivo na defesa dos direitos dos encarcerados, destacando a necessidade de reavaliar a atuação da Defensoria Pública em relação aos "necessitados" conforme a perspectiva de Carnelutti. O autor, Maurilio Casas Maia, discute como a legislação atual, como a Lei de Execução Penal e a Emenda Constitucional 80/2014, permitem que advogados defendam coletivamente os interesses dos presos, enfatizando que a vulnerabilidade não deve ser vista apenas sob a ót...

O artigo aborda a necessidade de repensar a atuação da Defensoria Pública e do processo coletivo em relação ao sistema carcerário brasileiro, destacando as condições dos encarcerados como necessitados de justiça e proteção.
A discussão é apoiada na inclusão do artigo 81-A na Lei de Execução Penal pela Lei Federal n. 12.313/2010, que legitima a Defensoria Pública a atuar em favor dos direitos humanos dos presos de forma coletiva. A análise destaca a importância da chamada 2ª onda de acesso à Justiça, enfatizando que a Defensoria pode usar diversas ações para defender coletividades vulneráveis. A figura do "necessitado" é explorada sob a ótica do jurista Carnelutti, que argumenta que o ser necessitado vai além da hipossuficiência econômica, incluindo os encarcerados, que enfrentam uma condição extrema de vulnerabilidade frente ao poder punitivo estatal.
O texto critica a visão reducionista da Defensoria que limita sua legitimidade ao interesse social na proteção da ordem legal em detrimento da proteção dos necessitados. A eficácia da justiça coletiva é vista como um instrumento democrático essencial para garantir direitos a cidadãos marginalizados, e a conclusão defende que encarcerados não devem ser excluídos da proteção coletiva da Defensoria, reafirmando a necessidade de um acesso à justiça que não se restrinja apenas à condição econômica, mas que abarque todos os necessitados de justiça.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Os necessitados de Carnelutti: entre a execução penal e o processo coletivo" por Maurilio Casas Maia.
- Visão crítica sobre a política carcerária: Reflexão sobre a insensibilidade em relação aos prisioneiros e a necessidade de reanalisar as práticas processuais penais.
- Avanços legislativos: Comentários sobre a Lei Federal n. 12.313/2010 e sua importância na tutela dos direitos humanos dos encarcerados, incluindo a legitimação do Estado Defensor.
- 2ª onda de acesso à Justiça: Discussão sobre o papel da Defensoria Pública e a possibilidade de ações coletivas em defesa dos vulneráveis e hipossuficientes.
- Necessidade de tutela coletiva: Análise do conceito de "necessitado" de acordo com a Constituição e a reinterpretação das necessidades além da econômica.
- Francesco Carnelutti e seus ensinamentos: Exposição da visão de Carnelutti sobre a condição dos encarcerados como os mais necessitados e a transcendência do conceito de pobreza.
- Desafios no reconhecimento da legitimação coletiva: Debate sobre a resistência judicial e a confusão entre interesses sociais e tutela da ordem legal.
- Necessitados e direitos humanos: Proposta de que a atuação da Defensoria Pública deve ir além do econômico, visando a dignidade dos encarcerados como uma questão de direitos humanos.
- Aplicação de princípios hermenêuticos: Consideração dos princípios “in dubio pro justitia socialis” e a noção de relevância social para garantir o acesso à Justiça.
- Desafios futuros para a Defensoria Pública: Reflexão sobre a missão do Estado Defensor e a necessidade de garantir efetividade ao acesso à Justiça para coletividades vulneráveis.
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