Os nudges antiepistêmicos da delação: entender para reformar
O artigo aborda os desafios epistêmicos da delação premiada, destacando como a estrutura do sistema jurídico pode incentivar confissões falsas e erros honestos. Os autores analisam a sobrevaloração das confissões e os erros decorrentes da fragilidade da memória, enfatizando a necessidade de regulamentação que preserve a presunção de inocência e promova a correta determinação dos fatos. A análise crítica evidencia os riscos associados à utilização do testemunho em contextos coercitivos, exigin...

O artigo aborda a delação premiada e os riscos epistêmicos envolvidos nesse instituto legal, destacando a problemática da sobrevaloração das confissões, que são frequentemente motivadas por pressão e coerção, levando a erros de interpretação e distorções da verdade.
Os autores, Alexandre Morais da Rosa e Janaina Matida, discutem como declarações falsas podem ser induzidas pelo sistema jurídico, que pode criar incentivos para que o delator forneça informações distorcidas. Além disso, eles exploram a questão dos erros honestos, nos quais os delatores, mesmo acreditando na veracidade de suas declarações, podem ser influenciados por fatores como o tempo e a sugestão, comprometendo a integridade da memória. A regulamentação da delação é apresentada como essencial para equilibrar a busca da verdade com a preservação da presunção de inocência, alertando para o perigo de que as delações possam, em vez de contribuir para a justiça, criar uma rede de nudges antiepistêmicos que prejudicam a correta determinação dos fatos.
O artigo também enfatiza a necessidade de um desenho institucional que evite que a delação premiada se torne um "jogo" processual desequilibrado, que favorece a coerção em detrimento da busca genuína pela verdade.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Os nudges antiepistêmicos da delação premiada: entender para reformar" por Alexandre Morais da Rosa e Janaina Matida.
- Riscos Epistêmicos da Delação Premiada: A análise crítica dos impactos que a delação premiada pode ter sobre a determinação correta dos fatos, incluindo o potencial para fomentar declarações falsas.
- A sobrevaloração da confissão: A discussão sobre a confissão como um mecanismo de pressão que pode levar indivíduos a admitirem crimes que não cometeram, comprometendo a objetividade do processo penal.
- Erros Honestos: A exploração do fenômeno dos erros honestos, onde delatores podem relatar informações falsas sem intenção maliciosa, influenciados por fatores como a fragilidade da memória e o passar do tempo.
- Impacto dos Nudges Antiepistêmicos: A avaliação dos "nudges" (ou empurrões) que podem ser gerados pelo sistema jurídico, promovendo escolhas que na verdade prejudicam a busca pela verdade factual.
- Coerção e Voluntariedade: A distinção entre coerção e voluntariedade nas confissões, e como a pressão por colaboração pode desvirtuar o valor epistêmico da informação fornecida.
- Regulamentação Necessária: A necessidade de uma regulamentação mais rigorosa sobre a delação premiada para evitar que esta ferramenta judicial se torne um meio de injustiças e condenações precoces.
- Importância da Memória e Testemunhos: Uma crítica à fragilidade da memória testemunhal e como isso pode afetar a credibilidade das declarações em delações, enfatizando a importância de diretrizes claras para a produção dessas evidências.
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