A ausência de motivação dos veredictos no Conselho de Sentença
O artigo aborda a crítica à ausência de motivação nos veredictos do júri, analisando essa questão sob diferentes perspectivas, incluindo o conceito de "íntima convicção" e comparações com sistemas de common law. Os autores discutem que a falta de fundamentação explícita não compromete o direito a um julgamento justo, desde que sejam respeitados mecanismos de controle e deliberação. Eles defendem a necessidade de aprimorar as instruções aos jurados para garantir decisões mais racionais e evita...

O artigo aborda a crítica à ausência de motivação nos veredictos do júri, considerando que, enquanto no Brasil essa falta é vista como arbitrariedade, em outros sistemas é interpretada como uma conquista de cidadania.
Discute o conceito de "íntima convicção", enfatizando que não se trata apenas de uma decisão emocional, mas sim relacionada à experiência e vivência dos jurados. O texto também menciona a diferenciação na interpretação de “íntimo” em sistemas de common law e na Argentina, onde o juiz fornece instruções que orientam a deliberação dos jurados. Além disso, é abordado o entendimento jurisprudencial de que a falta de motivação não infringe o direito ao devido processo, desde que ausentes arbitrariedades no julgamento. O artigo analisa a decisão da Corte Suprema da Argentina sobre o sistema de íntima convicção e a importância das instruções judiciais para a fundamentação implícita dos veredictos, assim como as condições de controle nos procedimentos do júri, incluindo a necessidade de unanimidade e sorteio aleatório de jurados.
Por fim, argumenta a favor da implementação de mecanismos que ampliem a qualidade das decisões e combatam a arbitráriedade, destacando a necessidade de uma discussão mais profunda sobre as garantias judiciais e a motivação dos veredictos nos sistemas de júri.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "A ausência de motivação dos veredictos no júri", escrito por Lisandra Panzoldo, Rodrigo Faucz, Daniel Ribeiro Surdi de Avelar e Denis Sampaio.
- Crítica à Ausência de Motivação: Reflexão sobre como a falta de motivação dos veredictos é vista como arbitrariedade no Brasil, mas como conquista da cidadania em outros países.
- Intima Convicção: Análise do conceito de 'intima convicção', que não é emocional, mas uma variação de acordo com a experiência de cada jurado, conforme ensina Alberto Binder.
- Limites da Intimidade: Discussão sobre os limites do que pode ser considerado "íntimo" em diferentes sistemas jurídicos, como nos países de common law e na Argentina.
- Garantias no Júri: A corte defende que a falta de motivação não viola o direito a um julgamento justo, desde que o processo ofereça garantias contra a arbitrariedade.
- Justificativas para Veredictos Imotivados: Três aspectos que justificam a decisão sem motivação, incluindo a incoerência de exigir motivação dos jurados.
- Modelo Argentino: Apresentação do sistema argentino de avaliação de provas e deliberação dos jurados, onde a motivação não é exigida publicamente.
- Controle e Fundamentação: A importância das instruções do juiz e outros mecanismos de controle que sustentam a fundamentação implícita das decisões.
- Sigilo das Votações: O impacto do sigilo das votações no modelo brasileiro e sua relação com a ausência de motivação expressa.
- Avanços Necessários: A necessidade de discutir e implementar medidas que aumentem a qualidade das decisões do júri, evitando veredictos arbitrários.
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