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#362 | O tribunal paralelo: Gestão da prova técnica e da opinião pública em crimes sexuais | Andrews Bianchi, Rita Barchet e Sami El Jundi

O episódio aborda a gestão conjunta da prova técnica e da opinião pública em casos de crimes sexuais, destacando os impactos das primeiras notícias, dos vazamentos e da condenação social antes do processo. Rita Barchet, Sami El Jundi e Andrews Bianchi discutem a atuação integrada entre advocacia, perícia e assessoria de imprensa, a cadeia de custódia de provas digitais e da memória, além da importância da investigação defensiva desde o início.

02 jul. 2026
#362 | O tribunal paralelo: Gestão da prova técnica e da opinião pública em crimes sexuais | Andrews Bianchi, Rita Barchet e Sami El Jundi

O episódio aborda a gestão conjunta da prova técnica e da opinião pública em casos de crimes sexuais, destacando os impactos das primeiras notícias, dos vazamentos e da condenação social antes do processo. Rita Barchet, Sami El Jundi e Andrews Bianchi discutem a atuação integrada entre advocacia, perícia e assessoria de imprensa, a cadeia de custódia de provas digitais e da memória, além da importância da investigação defensiva desde o início.

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Tópicos abordados

Principais temas e pontos abordados neste conteúdo

Principais temas abordados no episódio sobre gestão da prova técnica e da opinião pública em investigações e processos envolvendo crimes sexuais.

  • Workshop prático sobre comunicação em crimes sexuais: Simulação de entrevistas jornalísticas a partir de um caso fictício, com boletim de ocorrência e notícias iniciais, para avaliar como advogados devem se posicionar diante da imprensa sob pressão.
  • Sensibilidade e complexidade dos crimes sexuais: Discussão sobre a variedade de situações envolvendo violência real, violência fictícia, consentimento, capacidade de consentir e falsas acusações.
  • Evolução da prova pericial: Análise da transformação do tradicional exame de conjunção carnal e da ampliação das possibilidades de investigação por meio de exames médicos, psicológicos, toxicológicos e análises forenses.
  • Atuação integrada desde o início do caso: Importância de reunir advogado, consultor forense, assistente técnico e assessor de imprensa logo no começo da investigação, evitando que a defesa atue de forma tardia e fragmentada.
  • Impacto do boletim de ocorrência na opinião pública: Como a primeira notícia, geralmente baseada no boletim de ocorrência, pode assumir caráter de sentença antes da produção de provas e consolidar uma narrativa difícil de reverter.
  • Tribunal paralelo e condenação pública: Debate sobre a diferença entre a absolvição judicial e a permanência da condenação social, já que a notícia inicial costuma alcançar mais pessoas e ter maior repercussão do que o resultado final do processo.
  • Gestão estratégica da opinião pública: Necessidade de acompanhar simultaneamente o processo jurídico e a disputa de narrativas na imprensa, qualificando informações técnicas e apresentando novas versões de forma responsável.
  • Acesso aos autos e produção antecipada de provas: Dificuldades enfrentadas pela defesa para obter acesso ao inquérito e acompanhar exames médico-legais, toxicológicos, psicológicos e demais diligências realizadas logo após o registro da ocorrência.
  • Preservação de provas perecíveis: Riscos da demora na realização de exames, especialmente em casos de suspeita de administração de substâncias, nos quais análises de sangue, urina ou cabelo podem perder viabilidade com o tempo.
  • Investigação defensiva e busca da verdade: Esclarecimento de que a produção de provas pela defesa não serve apenas para favorecer o acusado, mas para contribuir com a apuração completa dos fatos, inclusive em casos conduzidos pela assistência de acusação.
  • Influência da opinião pública sobre a investigação: Reflexão sobre como o clamor social e a narrativa predominante podem direcionar a atuação policial, gerar expectativas de culpabilidade e contaminar a interpretação das provas.
  • Vazamentos seletivos e cobertura policial: Crítica ao fornecimento antecipado de informações e imagens à imprensa, especialmente em prisões de grande impacto, que podem produzir constrangimento público e pré-julgamento.
  • Cadeia de custódia de provas digitais: Importância da cópia forense, da preservação adequada e da documentação de vídeos, celulares, mensagens e demais arquivos para garantir sua validade tanto na imprensa quanto no processo judicial.
  • Mensagens e extração de dados de celulares: Preferência pela extração técnica completa dos dispositivos, em vez do uso isolado de capturas de tela ou atas notariais, permitindo verificar conversas, metadados e interações com terceiros.
  • Prova baseada em memória: Discussão sobre a volatilidade da memória humana, que pode ser alterada a cada recordação e sofrer influência de interpretações, informações posteriores e da própria cobertura midiática.
  • Cadeia de custódia da memória: Proposta de registrar em áudio e vídeo o primeiro relato da vítima, da testemunha ou do acusado, possibilitando comparar versões ao longo do tempo e identificar alterações relevantes.
  • Protocolos de investigação e depoimento especial: Referência aos protocolos de Minnesota, Istambul e de investigação de feminicídio e violência sexual, além da utilização da produção antecipada de provas e do depoimento especial para crianças e adolescentes.
  • Contaminação cognitiva de julgadores: Análise de como redes sociais, grupos de mensagens, familiares e cobertura jornalística podem influenciar magistrados e demais participantes do sistema de justiça, dificultando a neutralidade cognitiva.
  • Novas tecnologias e interpretação forense: Necessidade de considerar contaminações ambientais e limites tecnológicos em exames toxicológicos, estabelecendo níveis de corte e diferenciando achados relevantes de vestígios acidentais.
  • Novo perfil profissional da advocacia criminal: Defesa da formação de equipes multidisciplinares, compostas por profissionais jurídicos, especialistas em ciências forenses e comunicação estratégica, para lidar com casos complexos e de alta exposição.

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

Avatar de Andrews Bianchi
Andrews BianchiProfessor e historiador formado pela PUCRS, é co-fundador da Lawtta, startup que combina tecnologia, inteligência e comunicação jurídica. Tem participação em casos de grande repercussão, como o Júri da Boate Kiss, e colabora com inúmeros advogados de todo o Brasil. Além disso, é dele a arte por trás das palestras de Alexandre Morais da Rosa, ilustrando conhecimento de forma inspiradora e envolvente.
Avatar de Rita Barchet
Rita BarchetJornalista e assessora de imprensa com atuação no meio jurídico. Com expertise na gestão de casos polêmicos e de grande impacto midiático. Atuei como assessora de imprensa na Defensoria Pública do RS, no Ministério Público do RS, na Associação de Defensores Públicos do RS e na Assembleia Legislativa do RS. Coordenadora da Rita Barchet Estratégia e Comunicação que atende escritórios de advocacia em mais de 10 estados (RS, SC, PR, SP, RJ, DF, MT, BA, MG, CE, MA, MS, GO). Atuou como assessora de imprensa das defesas do Caso boate Kiss, Lava Jato, Calicute, Desintegração, Egypto, Faroeste, Lava Jato, Leviatã, Lucas 12, Octopus, Pequod, Rosa dos Ventos, Zelotes, Penalidade Máxima, entre outros.

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