O fishing expedition e os entendimentos do STJ: A vedação à chamada pescaria probatória e a descoberta de novo “ilícito” no curso da investigação
O artigo aborda a linha tênue entre a legalidade das investigações e os riscos de práticas abusivas, como o "fishing expedition", que se refere à busca indiscriminada de provas sem indícios claros de delito. O autor analisa a necessidade de se respeitar os direitos fundamentais do investigado e discute os entendimentos do STJ, que admitem a descoberta de novos ilícitos durante a investigação, desde que não haja desvio de finalidade ou práticas abusivas por parte da autoridade.

O artigo aborda a questão do "fishing expedition" em investigações, discutindo a necessidade de obediência à legalidade e proteção dos direitos fundamentais do cidadão durante a apuração de crimes.
Expõe que o agente público deve respeitar limites na coleta de provas, evitando o desvio de finalidade, o que caracteriza a pescaria probatória como uma busca especulativa de evidências sem indícios de ilícitos específicos. O texto diferencia atos de investigação, que servem como hipóteses, de atos de prova, que buscam garantir a certeza do juiz, ressaltando a importância da delimitação do objeto da investigação para que não se transgridam direitos. Também aborda o entendimento do STJ sobre a legalidade do encontro fortuito de provas, além de apresentar casos concretos onde a corte discutiu os limites do consentimento e da coleta de provas, indicando que a vedação ao fishing expedition deve ser compreendida de forma restritiva, com espaço para a descoberta acidental de novos ilícitos durante investigações autorizadas, desde que não haja abuso de autoridade.
O texto conclui refletindo sobre as implicações dessa tolerância no processo penal, especialmente em relação à violação de intimidade e à potencial proliferação de dados irrelevantes em investigações.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "O fishing expedition e os entendimentos do STJ: A vedação à chamada pescaria probatória e a descoberta de novo 'ilícito' no curso da investigação" por Pierre Franklin Araujo Silva.
- Dever de obediência à legalidade: Discussão sobre o papel do agente público em respeitar os direitos fundamentais durante a investigação e a importância de delimitar claramente o objeto de apuração.
- Elementos indiciários: Abordagem sobre a necessidade de construir elementos probatórios que sustentem a acusação, visando à justa causa para ação penal.
- Distinção entre atos de investigação e atos de prova: Importância da diferença entre atos que buscam provar uma hipótese e aqueles que visam garantir a certeza de uma afirmação, segundo o professor Aury Lopes Jr.
- Pescaria probatória: Definição do conceito de "fishing expedition" como busca especulativa sem indícios concretos, conforme a doutrina de Alexandre Morais da Rosa.
- Caracterização da pescaria probatória: Discussão sobre a ausência de lastro mínimo para investigações e a possibilidade de abusos por parte das autoridades.
- Encontro fortuito de provas: Esclarecimento sobre a jurisprudência que permite a validade de provas encontradas acidentalmente durante investigações regulares, desde que sem desvio de finalidade.
- Entendimentos do STJ: Análise das diferentes interpretações do STJ sobre pescaria probatória, destacando casos como HC 598.051/SP e RHC 150354/PR.
- Consequências da tolerância ao fishing expedition: Reflexão sobre os impactos de decisões que permitem a descoberta de novos delitos durante investigações, com implicações para a privacidade dos investigados.
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