Será que juiz com fome julga diferente?
O artigo aborda a influência de fatores externos, como fome e cansaço, na decisão judicial, analisando se juízes em estados físicos adversos julgam de forma diferente. Baseando-se em estudos de psicologia cognitiva, os autores discutem como emoções e pré-compreensões pessoais afetam o raciocínio jurídico, questionando a ideia de uma decisão puramente racional. A reflexão culmina na necessidade de reconhecer a subjetividade dos juízes na tomada de decisões, enfatizando a importância de uma abo...

O artigo aborda a influência de fatores externos, como fome e cansaço, na tomada de decisões judiciais, questionando se juízes em condições adversas julgam de maneira diferente.
Os autores, Alexandre de Morais da Rosa e Giseli Caroline Tobler, ressaltam a relevância da Psicologia Cognitiva na teoria da decisão, enfatizando que decisões judiciais não são isentas de emoções e crenças pessoais, evidenciadas na noção de decisões inautênticas. Com base em estudos, como o de juízes em Israel, destacam a queda nas taxas de aprovação de pedidos de condicional conforme o tempo passado desde a última refeição. Além disso, discutem os estados mentais do juiz, suas pré-compreensões e a subjetividade que interfere no julgamento, mostrando como aspectos pessoais como idade, religião e experiências de vida contribuem para a formação de opiniões e decisões.
O texto propõe uma reflexão sobre a necessidade de superar a neutralidade ingênua na função judicial e a importância do Novo CPC como um caminho para decisões mais justas. Em última análise, apontam que as ideologias, preconceitos e condições subjetivas do juiz moldam a valoração das provas e o resultado dos julgamentos, sugerindo que o juiz deve estar ciente de suas limitações e influências na deliberação.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Será que juiz com fome julga diferente?" por Alexandre de Morais da Rosa e Giseli Caroline Tobler.
- Influências externas na decisão judicial: Discussão sobre como fatores como fome e dor afetam a atenção e a tomada de decisão dos juízes.
- Experimentos de Kahneman: Análise de estudo mostram como a fome e o cansaço de juízes impactam a taxa de aprovação de pedidos de condicional.
- Decisões inautênticas: Exploração do conceito de decisões inautênticas e armadilhas da cognição na justiça, conforme Lenio Streck.
- Subjetividade do juiz: Reflexões sobre a influência das experiências pessoais, emoções e ideologias na tomada de decisão judicial.
- Impacto das pré-compreensões: Como as pré-compreensões do juiz afetam o julgamento e a valoração das provas.
- Pressão externa e intuições: Impacto de intuições e pré-compreensões do juiz que podem desvirtuar uma decisão racional.
- Autonomia e neutralidade: Questão sobre a concepção do juiz como uma figura neutra e a dificuldade em separar emoções da função judicial.
- Limitações e auto-consciência: Importância do juiz reconhecer suas próprias limitações e influências externas durante a decisão.
- Reflexões finais: Consideração sobre como críticas devem ser feitas com compreensão das influências que afetam a escolha do juiz.
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