O Big Data e a lógica da performance quantitativa no Poder Judiciário
O artigo aborda a aplicação do Big Data no Poder Judiciário, destacando suas implicações na eficiência e transparência das decisões judiciais. Os autores discutem como a lógica da performance quantitativa pode prejudicar a qualidade do julgamento, enfatizando que a mensuração de dados não captura a complexidade dos casos. Além disso, a pressão por resultados pode levar a práticas como o ativismo por omissão, transformando o funcionamento do sistema jurídico em uma corrida por números, ao invé...

O artigo aborda a relação entre o Big Data e o Poder Judiciário, enfatizando como a quantidade e velocidade dos dados (os “5 Vs” do Big Data: velocidade, volume, variedade, veracidade e valor) influenciam a transparência e a performance do sistema judiciário.
Os autores discutem a proposta da Fundação Getulio Vargas de analisar estatisticamente o Supremo Tribunal Federal (STF), revelando dados sobre os pedidos de vista, que indicam atrasos significativos em processos e a predominância de certos ministros em solicitar esses pedidos. A proposta de leitura estatística, embora não seja novidade, é vista como uma forma de monitorar a eficiência judicial, mas também levanta preocupações sobre a transformação de processos em meros números, ignorando a complexidade dos casos e o valor da narrativa jurídica.
Além disso, os autores criticam a lógica da performance que prioriza resultados quantitativos em detrimento da qualidade nas decisões judiciais, destacando que a pressão por resultados pode distorcer a função do Judiciário. Em última análise, embora o Big Data possa servir como uma ferramenta de apoio, sua utilização não deve correr o risco de simplificar a diversidade do sistema jurídico a meras estatísticas, corroendo a essência da decisão judicial e promovendo uma vigilância excessiva.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "O Big Data e a lógica da performance quantitativa no Poder Judiciário", de André Karam Trindade e Alexandre Morais da Rosa.
- Definição de Big Data: Explanação sobre o conceito e os "5 Vs" - velocidade, volume, variedade, veracidade e valor.
- Transparência Judicial: Análise do relatório da Fundação Getulio Vargas e seus impactos sobre os pedidos de vista no Supremo Tribunal Federal.
- Demora em Processos: Dados sobre o tempo médio de solicitações e a problemática dos pedidos de vista no STF.
- Leitura Estatística: Reflexão sobre a crescente abordagem numérica nas instituições e sua influência nas decisões judiciais.
- Impacto do Conceito de Dataísmo: Discussão sobre como a ênfase em dados pode eclipsar a subjetividade e a complexidade das decisões judiciárias.
- Lógica da Performance: Explorando como a medição do desempenho judicial pode afetar a qualidade das decisões, priorizando resultados em detrimento do processo.
- Pressão pelos Resultados: O impacto da transparência e da eficiência nas decisões da mais alta corte do país, transformando a dinâmica do judiciário.
- Limitações do Big Data: Reflexões sobre os limites da quantificação e o risco de confundir correlações com causalidades nas decisões judiciais.
- Critica à Lógica de Velocidade: Considerações sobre a necessidade de preservar a complexidade das decisões judiciais frente à pressão por resultados numéricos.
- Futuro do Big Data no Judiciário: Expectativas sobre a permanência do Big Data no contexto jurídico e as implicações para o sistema de justiça brasileiro.
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