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Artigos Conjur – Gênero e Tribunal do Júri: desafios na bancada da defesa (parte 2)

ARTIGO

Gênero e Tribunal do Júri: desafios na bancada da defesa (parte 2)

O artigo aborda as desigualdades de gênero e raça no contexto do Tribunal do Júri, ressaltando como a presença de mulheres, especialmente negras, na bancada da defesa impacta a qualidade dos julgamentos e a legítima representação no sistema jurídico. As autoras explicam que a naturalização da autoridade masculina e a invisibilidade de preconceitos estruturam um ambiente onde a injustiça epistêmica e a falta de categorias conceituais perpetuam desigualdades. Assim, a transformação do sistema j...

Gina Muniz
16 mai. 2026
Gênero e Tribunal do Júri: desafios na bancada da defesa (parte 2)
Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a intersecção entre gênero e raça no contexto do Tribunal do Júri, destacando as desigualdades estruturais que afetam advogadas, especialmente as negras, em sua atuação profissional.

Comenta-se sobre o recorte racial, evidenciando que as desvantagens enfrentadas pela mulher negra não são meramente aditivas, mas qualitativamente distintas devido a um histórico de opressão econômica e social. A análise da qualidade do julgamento e da paridade de armas revela que a presença feminina na defesa é crucial não apenas para a equidade, mas para a própria justiça do veredicto, dado que as desigualdades são frequentemente invisíveis durante o processo. A importância da normatividade institucional brasileira, como a Resolução CNJ n. 492/2023, que impõe a adoção da perspectiva de gênero nos julgamentos, é destacada, enfatizando a necessidade de educação em direitos humanos sob uma ótica interseccional. O conceito de injustiça epistêmica, apresentado por Miranda Fricker, é fundamental para entender como preconceitos afetam a credibilidade de vozes femininas no sistema jurídico, sendo crucial também a necessidade de uma linguagem que identifique as desigualdades enfrentadas.

O texto clama por uma mudança estrutural no modelo decisório, considerando que a transformação real da justiça não é um esforço individual, mas um processo coletivo que busca romper com as desigualdades raciais e de gênero na advocacia e no Tribunal do Júri. A contribuição de Angela Davis reflete a urgência de um empoderamento que promova a solidariedade e a mudança coletiva, propondo que apenas com este esforço conjunto se pode aspirar a um sistema de justiça verdadeiramente igualitário.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "Gênero e Tribunal do Júri: desafios na bancada da defesa (parte 2)" por Vitória Xavier Barbosa, Carolina Lima Amorim e Gina Muniz.

  • Recorte racial e desigualdades: Exploração das disparidades enfrentadas por mulheres negras no sistema jurídico, destacando a intersecção entre raça e gênero, que resulta em uma desvantagem qualitativa e não apenas quantitativa na advocacia criminal.
  • Qualidade do julgamento e paridade de armas: A presença feminina na defesa é essencial para garantir julgamentos justos, uma vez que a naturalização da autoridade masculina impacta a qualidade das decisões no júri.
  • Diretrizes de gênero na justiça: Introdução da Resolução CNJ n. 492/2023 que estabelece a necessidade de integrar a perspectiva de gênero nos julgamentos e capacitar agentes do sistema judiciário.
  • Injustiça epistêmica: Conceito de Miranda Fricker sobre injustiça epistêmica e como isso se aplica à experiência das mulheres no sistema de justiça, incluindo injustiça testemunhal e hermenêutica.
  • Silêncio conceitual e sua relevância: Discussão sobre a falta de linguagem e reconhecimento de experiências específicas das mulheres advogadas no contexto do júri, perpetuando a injustiça sem um nome adequado.
  • Transformação estrutural necessária: Argumento de que mudanças no sistema de justiça devem ser coletivas, buscando apoiar e legitimar as mulheres advogadas, em especial as negras, em um ambiente de maior equidade.
  • Empoderamento coletivo: Citação de Angela Davis enfatizando a importância do empoderamento conjunto para promover impactos significativos e duradouros no sistema de justiça.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Gina MunizDefensora Pública do estado de Pernambuco. Mestre em ciências jurídico-criminais pela Universidade de Coimbra.

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