A Lei 15.272/2025 e o fascismo à brasileira
O artigo aborda a recente Lei 15.272/2025 e suas implicações no Código de Processo Penal, enfatizando como essa legislação reflete uma tradição autoritária no Brasil, associada ao que os autores classificam de "fascismo à brasileira". Os pontos principais discutem a ampliação das condições para a prisão preventiva, a coleta de material biológico e a periculosidade como critério de persecução penal, evidenciando a contínua marginalização dos direitos individuais e a fragilização do devido proc...

O artigo aborda a recente Lei 15.272/2025, que altera o Código de Processo Penal brasileiro, trazendo à tona questões pertinentes sobre a relação entre essas mudanças e uma tradição autoritária na legislação brasileira, que pode ser caracterizada como um "fascismo à brasileira".
Os temas incluem a conversão da prisão em flagrante em preventiva, destacando as circunstâncias vagas que a legitimam; a coleta de material biológico para a obtenção do perfil genético dos custodiados, um ato que gera controvérsias sobre o direito à não autoincriminação; e os novos critérios de periculosidade utilizados para justificar a prisão preventiva, que evocam práticas de controle social e repressão característicos de regimes autoritários. O texto ainda menciona a resistência da magistratura em aceitar a mudança do modelo inquisitário para o acusatório, o que evidencia um descompasso entre as normas e a prática judicial.
Além disso, traça um paralelo histórico com legislações fascistas, destacando a contínua predileção por medidas preventivas que desconsideram os direitos individuais e perpetuam a desigualdade social, refletida em estatísticas preocupantes sobre a população carcerária no Brasil. Por fim, a análise critica como a nova legislação pode enfraquecer as garantias processuais fundamentais, reafirmando uma cultura jurídica que prioriza o Estado em detrimento dos direitos dos cidadãos.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "A Lei 15.272/2025 e o fascismo à brasileira" por Ana Cláudia Pinho, Amanda Blanco Chaves e Maíra Fernandes.
- Alterações no Código de Processo Penal: Análise das alterações trazidas pela Lei 15.272/2025, incluindo aspectos como a conversão da prisão em flagrante em preventiva e a coleta de perfil genético do custodiado.
- Contexto histórico da autoritarismo: Exploração da tradição autoritária no processo penal brasileiro, destacando a influência de figuras como Alfredo Rocco e Francisco Campos.
- Resistência às reformas: Discussão sobre a resistência do sistema judicial às mudanças propostas e a preservação do modelo inquisitório.
- Perigos da periculosidade: Análise do conceito de periculosidade e suas implicações no novo modelo processual, ressaltando a discriminação racial e social associada.
- Coleta de material biológico: Crítica à inclusão da coleta de material biológico como prova, que fere o princípio do nemo tenetur se detegere e desafia os direitos do custodiado.
- Implicações da prisão preventiva: Discussão sobre a nova redação que conecta periculosidade à ordem pública, abordando as implicações de uma prisão preventiva obrigatória.
- Crítica ao punitivismo: Reflexão sobre a ineficácia das abordagens punitivistas na resolução de problemas de segurança pública e a falta de propostas racionais.
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