Artigos Empório do Direito – “encontro entre direito e narrativa literária” – breves comentários sobre o livro – por paulo silas taporosky filho

Artigos Empório do Direito
Artigos Empório do Direito || “encontro entre direito e n…Início / Conteúdos / Artigos / Empório do Direito
Artigo || Artigos no Empório do Direito

“encontro entre direito e narrativa literária” – breves comentários sobre o livro – por paulo silas taporosky filho

O artigo aborda a interseção entre Direito e Literatura, destacando como as narrativas literárias podem enriquecer a compreensão de questões jurídicas. Os capítulos analisam diversas obras e autores, propondo reflexões sobre direitos humanos, educação jurídica e política pública, evidenciando a importância dessa conexão para tanto a prática jurídica quanto a apreciação literária. A obra é uma contribuição significativa para o movimento “Direito & Literatura”.

Artigo no Empório do Direito

“Encontro entre Direito e Narrativa Literária” é uma obra coletiva, organizada por Edna Raquel Hogemann e Érica Maia C. Arruda, que reúnes excelentes artigos sedimentados no movimento “Direito & Literatura”. Conforme adianta o título da obra, os trabalhos que a compõem contribuem para evidenciar a possibilidade de maior compreensão das questões atreladas ao mundo jurídico através do uso do literário. Daí que se diz do encontro do direito com a narrativa literária, já que através da intersecção de tais saberes, faz-se possível uma reflexão própria sobre questões do cotidiano que acabam sendo objetos presentes em ambos os campos que no livro se assemelham, uma vez “há um ponto de intersecção entre direito e literatura, na medida em que ambos interpretam a sociedade”[1]. A aproximação, portanto, é salutar, e seus efeitos estão visivelmente presentes nas excelentes produções no livro.

“A mulher que habitava em Nísia Floresta” é o primeiro capítulo do livro, escrito por Alana Lima de Oliveira, onde se analisa vida e obra de Nísia, uma vez que “por meio de sua literatura, procura resgatar o sujeito oprimido da situação de vulnerabilidade em que se encontram com o intuito de restaurar sua dignidade”[2], apontando a autora que a produção literária de Nísia Floresta pode ser lida enquanto um manifesto em defesa dos direitos humanos.

Ana Morena Sayão Capute Nunes escreve “O direito à honra de Quicas Berro d’Água: morto de morte morrida ou de morte matada”, onde a partir de uma história de Jorge Amado, a autora promove uma reflexão acerca dos direitos de personalidade, principalmente aqueles que dizem respeito à autodeterminação e à honra, partindo de Dworkin como referencial teórico na análise estabelecida.

Breno Botelho Vieira da Silva, utilizando-se do romance “O Deserto dos Tártaros”, propõe reflexões críticas sobre o ensino jurídico no Brasil no capítulo “A Universidade Bastiani: reflexões sobre o ensino jurídico no país”, aduzindo que as diversas falhas existentes no modelo universitário brasileiro engloba o modus operandi da maioria dos cursos jurídicos, de modo que, dado o quadro drástico que apresenta, uma mudança de postura é condição necessária para buscar se superar o problema, principalmente quando considerado que “há várias formas de lutar contra a sina do deserto dos tártaros, dentro e fora das salas de aula, que passam desde pelo fim da santificação do curso em questão, minimizando máximas reproduzidas pela sociedade e pelos próprios juristas, até uma modernização e reforma dos currículos universitários e da própria forma de pensar a universidade no Brasil”[3].

No capítulo “O direito fundamental à moradia digna: do ”cortiço“, de Aluísio Azevedo, ao direito de laje”, escrito por Demetrius dos Santos, o autor parte da obra “O Cortiço” com o fito de estabelecer um pensar sobre as políticas públicas que buscam efetivar o direito à moradia da população.

Eduardo Leal Silva escreve “A Constituição da morte e o direito em pedaços no sertão nordestino”, onde trabalha a partir do filme de Walter Salles, “Abril Despedaçado”, buscando demonstrar que é o próprio homem “é o verdadeiro responsável pela escolha daquilo que irá nortear o caminho de sua vida”.

“A Constituição Dirigente em sala de aula: dama de triste figura?” é o capítulo escrito por Edípio Paiva Luz Segundo, no qual é examinada a Constituição Dirigente de Canotilho enquanto se apontam semelhanças “entre a hermenêutica jurídica e a literária por meio do exemplo literário de Dom Quixote, de Miguel Cervantes”[4], propondo que o ensino da Constituição Dirigente seja estabelecido a partir da metodologia da problematização.

Érica Maia Campelo Arruda é responsável pelo artigo “A proteção integral de crianças e adolescentes no conto ”A Menina Vendedora de Fósforos“”, onde faz uma relação do mencionado conto com o Estatuto da Criança e do Adolescente, refletindo sobre as mudanças pela substituição do Código de Menores para o Estatuto da Criança e do Adolescente, no sentido de buscar saber se as alterações se deram apenas no âmbito normativo ou se ocorreu alguma concretude na proteção de crianças e adolescente no Brasil.

Carla Ferreira Gonçalves e Joaquim Humberto Coelho de Oliveira escrevem o capítulo “Direito e ficção científica: os limites entre humanos e não-humanos e a atribuição de personalidade jurídica a máquinas e ciborgues”, abordando questões como direito biônico e personalidade jurídica cibernética através da interface com obras literárias de ficção científica (Philip Dick e Arthur C. Clarke, por exemplo).

“O Banquete de Platão em análise: a influência do entendimento filosófico acerca do amor homossexual na esfera jurídica”, de autoria de Thiago Serrano Pinheiro de Souza, é o capítulo que encerra a obra, onde é trazido ao leitor toda uma análise pormenorizada da mencionada obra de Platão acerca do discurso sobre o amor, concluindo-se no sentido de que o direito deve “legitimar a liberdade de exercício do amor, em suas múltiplas dimensões”[5].

É um livro interessante, profundo no trato das temáticas que aborda, e que muito contribui enquanto produção de relevância para o movimento “Direito & Literatura”. Repleto de temas diversificados que se amparam no encontro entre direito e literatura, direito e arte e direito e narrativa literária, certamente será uma leitura proveitosa para aquele que tiver a oportunidade de ter contato com a obra. Vale conferir!

Notas e Referências:

[1] HOGEMANN, Edna Raquel; ARRUDA, Érica Maia C. (Org.). Encontro entre Direito e Narrativa Literária. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2017. p. 2

[2] Ibidem., p. 27

[3] Ibidem., p. 83

[4] Ibidem., p. 147

[5] Ibidem., p. 239

HOGEMANN, Edna Raquel; ARRUDA, Érica Maia C. (Org.). Encontro entre Direito e Narrativa Literária. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2017.

Imagem Ilustrativa do Post: cat of many tails // Foto de: brando // Sem alterações

Disponível em: https://www.flickr.com/photos/bpprice/33882371116

Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Referências

Relacionados || Outros conteúdos desse assunto
    Mais artigos || Outros conteúdos desse tipo
      Paulo Silas Filho || Mais conteúdos do expert
        Acesso Completo! || Tenha acesso aos conteúdos e ferramentas exclusivas

        Comunidade Criminal Player

        Elabore sua melhor defesa com apoio dos maiores nomes do Direito Criminal!

        Junte-se aos mais de 1.000 membros da maior comunidade digital de advocacia criminal no Brasil. Experimente o ecossistema que já transforma a prática de advogados em todo o país, com mais de 5.000 conteúdos estratégicos e ferramentas avançadas de IA.

        Converse com IAs treinadas nos acervos de Aury Lopes Jr, Alexandre Morais da Rosa, Rodrigo Faucz, Gabriel Bulhões, Cristiano Maronna e outros gigantes da área. Explore jurisprudência do STJ com busca inteligente, análise de ANPP, depoimentos e muito mais. Tudo com base em fontes reais e verificadas.

        Ferramentas Criminal Player

        Ferramentas de IA para estratégias defensivas avançadas

        • IAs dos Experts: Consulte as estratégias de Aury Lopes Jr, Alexandre Morais da Rosa, Rodrigo Faucz, Gabriel Bulhões e outros grandes nomes por meio de IAs treinadas em seus acervos
        • IAs de Jurisprudência: Busque precedentes com IAs semânticas em uma base exclusiva com mais de 200 mil acórdãos do STJ, filtrados por ministro relator ou tema
        • Ferramentas para criminalistas: Use IA para aplicar IRAC em decisões, interpretar depoimentos com CBCA e avaliar ANPP com precisão e rapidez
        Ferramentas Criminal Player

        Por que essas ferramentas da Criminal Player são diferentes?

        • GPT-4 com curadoria jurídica: Utilizamos IA de última geração, ajustada para respostas precisas, estratégicas e alinhadas à prática penal
        • Fontes verificadas e linkadas: Sempre que um precedente é citado, mostramos o link direto para a decisão original no site do tribunal. Transparência total, sem risco de alucinações
        • Base de conhecimento fechada: A IA responde apenas com conteúdos selecionados da Criminal Player, garantindo fidelidade à metodologia dos nossos especialistas
        • Respostas com visão estratégica: As interações são treinadas para seguir o raciocínio dos experts e adaptar-se à realidade do caso
        • Fácil de usar, rápido de aplicar: Acesso prático, linguagem clara e sem necessidade de dominar técnicas complexas de IA
        Comunidade Criminal Player

        Mais de 5.000 conteúdos para transformar sua atuação!

        • Curso Teoria dos Jogos e Processo Penal Estratégico: Com Alexandre Morais da Rosa e essencial para quem busca estratégia aplicada no processo penal
        • Curso Defesa em Alta Performance: Conteúdo do projeto Defesa Solidária, agora exclusivo na Criminal Player
        • Aulas ao vivo e gravadas toda semana: Com os maiores nomes do Direito Criminal e Processo Penal
        • Acervo com 130+ Experts: Aulas, artigos, vídeos, indicações de livros e materiais para todas as fases da defesa
        • IA de Conteúdos: Acesso a todo o acervo e sugestão de conteúdos relevantes para a sua necessidade
        Comunidade Criminal Player

        A força da maior comunidade digital para criminalistas

        • Ambiente de apoio real: Conecte-se com colegas em fóruns e grupos no WhatsApp para discutir casos, compartilhar estratégias e trocar experiências em tempo real
        • Eventos presenciais exclusivos: Participe de imersões, congressos e experiências ao lado de Aury Lopes Jr, Alexandre Morais da Rosa e outros grandes nomes do Direito
        • Benefícios para membros: Assinantes têm acesso antecipado, descontos e vantagens exclusivas nos eventos da comunidade

        Assine e tenha acesso completo!

        • 75+ ferramentas de IA para estratégias jurídicas com base em experts e jurisprudência real
        • Busca inteligente em precedentes e legislações, com links diretos para as fontes oficiais
        • Curso de Alexandre Morais da Rosa sobre Teoria dos Jogos e Processo Penal Estratégico
        • Curso Defesa em Alta Performance com Jader Marques, Kakay, Min. Rogério Schietti, Faucz e outros
        • 5.000+ conteúdos exclusivos com aulas ao vivo, aulas gravadas, grupos de estudo e muito mais
        • Fóruns e grupos no WhatsApp para discutir casos e trocar experiências com outros criminalistas
        • Condições especiais em eventos presenciais, imersões e congressos com grandes nomes do Direito
        Assinatura Criminal Player MensalAssinatura Criminal Player SemestralAssinatura Criminal Player Anual

        Para mais detalhes sobre os planos, fale com nosso atendimento.

        Quero testar antes

        Faça seu cadastro como visitante e teste GRÁTIS por 7 dias

        • Ferramentas de IA com experts e jurisprudência do STJ
        • Aulas ao vivo com grandes nomes do Direito Criminal
        • Acesso aos conteúdos abertos da comunidade

        Já sou visitante

        Se você já é visitante e quer experimentar GRÁTIS por 7 dias as ferramentas, solicite seu acesso.