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Artigos Migalhas – Entre insignificância do patrimônio e significância da intervenção penal seletiva

ARTIGO

Entre insignificância do patrimônio e significância da intervenção penal seletiva

O artigo aborda as desigualdades intrínsecas ao direito penal, enfatizando a forma como o sistema penal reproduz a estrutura social e privilegia certas classes. Os autores argumentam que a aplicação excessiva do direito penal a condutas insignificantes, como pequenos furtos, desvia recursos de delitos mais graves e legitima uma intervenção penal seletiva, que deve focar na proteção efetiva de bens jurídicos. A análise critica o uso do princípio da insignificância, propondo uma reflexão sobre ...

Márcio Berclaz
29 ago. 2017 19 acessos
Entre insignificância do patrimônio e significância da intervenção penal seletiva
Publicado no Migalhas
Resumo do artigo

O artigo aborda a crítica ao direito penal como um sistema desigual e reflexo das classes sociais, destacando que a proteção dos bens jurídicos varia conforme a vulnerabilidade do cidadão e a reprodução do status de criminoso, que é desproporcional.

Discute-se a hipertutela do patrimônio, enfatizando a necessidade de uma abordagem funcional que atenda ao desenvolvimento da personalidade, e o direito penal como última ratio, aplicável apenas em casos graves. O conceito de "princípio da insignificância" é explorado, evidenciando sua aplicação pela jurisprudência brasileira em delitos de bagatela, cuja análise é criticada por desconsiderar o desvalor do resultado e as circunstâncias concretas que podem afetar a interpretação do ato criminoso.

Além disso, o texto alerta para o risco da banalização do direito penal ao incluir condutas de mínimo desvalor, defendendo que os recursos penais devem ser utilizados para condutas com real reprovabilidade social, em vez de processos que envolvem infrações de menor relevância, como pequenos furtos em lojas.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Migalhas.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "Entre insignificância do patrimônio e significância da intervenção penal seletiva" por Jacson Zilio e Márcio Soares Berclaz.

  • Crítica ao Direito Penal: O direito penal é visto como um reflexo das desigualdades sociais, onde a proteção de bens jurídicos não é uniforme, favorecendo classes sociais mais altas.
  • A Hipertutela do Patrimônio: A doutrina penal crítica propõe uma interpretação restritiva do bem jurídico patrimônio para evitar a hipertutela, respeitando a função social do mesmo.
  • Função do Direito Penal: O direito penal deve ser aplicado como última razão (ultima ratio) em situações de grave ofensa aos bens jurídicos, evitando sua banalização.
  • Princípio da Insignificância: A jurisprudência brasileira aplica este princípio para afastar a tipicidade material de condutas que não gravemente ofendem os bens jurídicos protegidos.
  • Critérios da Jurisprudência: Foram estabelecidos critérios (mínima ofensividade, ausência de periculosidade social, reduzido grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão) que são criticados por sua inadequação técnica.
  • Intervenção Penal Mínima: De acordo com o autor, a aplicação correta do princípio deve se basear no desvalor do resultado da conduta criminosa, focando mais na gravidade do ato do que nas características do agente.
  • Delitos de Bagatela: Situações cotidianas, como furtos de produtos de baixo valor, não justificam a perseguição penal, devendo recursos serem redirecionados para condutas com maior reprovabilidade social.
  • Impacto Social da Penalização: A banalização do uso do direito penal para delitos mínimos pode ser prejudicial à convivência e acaba por deslegitimar o próprio sistema penal.
Leia o artigo completo no MigalhasTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Márcio BerclazGraduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUCRS, Mestre e Doutor em Direito pela UFPR e membro do Ministério Público do Paraná desde 2004.

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