Todos como “homo lattes”? o jurista, o acadêmico e o “homo latteável”?
O artigo aborda a crítica ao modelo educacional e jurídico contemporâneo no Brasil, destacando a figura do jurista, do acadêmico e do "homo lattes". Os autores analisam como a pressão por produtividade e a ênfase na quantidade de publicações têm prejudicado a qualidade do ensino e do conhecimento jurídico, gerando preocupações sobre a formação intelectual dos profissionais da área. Além disso, refletem sobre a necessidade de uma educação que priorize o desenvolvimento crítico e a inovação em ...

O artigo aborda a presença de três figuras contemporâneas no sistema jurídico e educacional brasileiro: o jurista, que se destaca por sua contribuição à construção de uma ciência jurídica crítica e prática; o acadêmico, responsável por desenvolver teses que orientam a prática jurídica, embora, por vezes, a qualidade de seus trabalhos seja questionada; e o "homo lattes", uma nova figura que simboliza a burocratização do academicismo, onde a produção acadêmica é reduzida a números e metas, desconsiderando a profundidade do conhecimento.
O texto critica a tendência atual de priorizar a quantidade sobre a qualidade na produção científica, resultando numa educação jurídica focada no "publish or perish", que desvaloriza professores qualificados em favor de um sistema produtivista. Além disso, traz reflexões sobre a necessidade de uma educação que promova o pensamento crítico e a criatividade, em contraposição à repetição mecânica de conteúdos, denunciando a ilusão de que a produtividade acadêmica é sinônimo de qualidade educacional.
Por fim, provoca uma reflexão sobre que tipo de formação legal se deseja para o futuro do país, levantando preocupações sobre a ética do conhecimento e a qualidade do saber jurídico produzido.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Todos como 'homo lattes'? o jurista, o acadêmico e o 'homo latteável'?" por Alexandre de Morais da Rosa e Alexandre Barbosa da Silva.
- Personagens do sistema jurídico: Discussão sobre o papel do jurista, do acadêmico e do 'homo lattes' no contexto jurídico e educacional brasileiro.
- Jurista: Análise da figura do jurista como construtor de uma ciência jurídica que relacione teoria e prática, visando um sistema jurídico mais democrático.
- Acadêmico: Reflexão sobre o papel do acadêmico na formação de teses e na melhoria do ensino jurídico, e as dificuldades enfrentadas para se reconhecer o valor das suas contribuições.
- 'Homo lattes': Crítica ao fenômeno do 'homo lattes', que é focado na quantidade de publicações e produção acadêmica em detrimento da qualidade.
- Produtivismo e objetivismo: Avaliação do impacto do produtivismo na academia e a transformação da qualidade do conhecimento em números e estatísticas.
- Consequências da lógica do rendimento: Reflexão sobre as implicações da priorização da produtividade numérica em relação à qualidade do ensino e da pesquisa.
- Karl-Heinz Han e a sociedade do cansaço: Aplicação do conceito da “sociedade do cansaço” na educação, onde os indivíduos se sentem explorados na busca por resultados.
- Necessidade de reflexão crítica: Em defesa da educação jurídica que priorize a formação de juristas e acadêmicos críticos em oposição ao modelo do 'homo lattes'.
- A escolha da educação jurídica: Incentivo à reflexão sobre o futuro da educação jurídica no Brasil, considerando a qualidade versus quantidade de produção acadêmica.
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