Enunciado 381/stj ou como aplicar as regras processuais contra o consumidor
O artigo aborda a importância da proteção do consumidor no ordenamento jurídico brasileiro, especialmente à luz do Enunciado 381 do STJ, que limita a análise de cláusulas abusivas em contratos bancários. O autor, Maurilio Casas Maia, discute a necessidade de o Poder Judiciário aplicar as normas de defesa do consumidor, ressaltando a contraditoriedade desse enunciado com o compromisso constitucional de proteção ao consumidor. A reflexão se concentra na urgência de um Judiciário mais atuante na...

O artigo aborda diversos temas relacionados à defesa do consumidor, destacando primeiramente o compromisso constitucional do Estado em garantir os direitos consumeristas e a natureza protetiva que deve ser adotada nas relações de consumo, conforme disposto na Constituição Federal.
Em seguida, analisa a atuação dos diferentes órgãos estatais (legislativo, executivo, ministério público, defensoria e judiciário) em prol dessa defesa, sublinhando a ausência de discricionariedade judicial em favor do consumidor. O texto critica o Enunciado 381 do STJ, que limita o juiz de reconhecer, de ofício, a abusividade de cláusulas contratuais, evidenciando sua contrariedade ao princípio constitucional de defesa do consumidor. Além disso, discute a neutralidade processual em relação a essa questão e aborda a importância da análise das cláusulas abusivas como matéria de ordem pública.
Por fim, o autor apresenta preocupações sobre a postura do Judiciário em relação à proteção dos consumidores mais vulneráveis, enfatizando a necessidade de uma interpretação mais atenta às especificidades do Direito do Consumidor e aguardando futuras discussões no STJ sobre a revogação do mencionado enunciado.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Enunciado 381/STJ ou como aplicar as regras processuais contra o consumidor" por Maurilio Casas Maia.
- Compromisso constitucional na defesa do consumidor: Exploração do dever do Estado de proteger o consumidor, destacando seu caráter fundamental como previsto na Constituição.
- Funções do Estado na proteção do consumidor: Análise das responsabilidades do Estado-Legislador, Estado-Executivo, Ministério Público e Estado-Juiz em garantir a defesa dos direitos consumeristas.
- Discricionariedade judicial e interesse do consumidor: Discussão sobre a ausência de discricionariedade judicial em desfavor do consumidor, conforme o disposto no inciso XXXII do artigo 5º da Constituição.
- Enunciado sumular n. 381/STJ: Crítica ao entendimento do STJ que veda ao julgador conhecer, de ofício, a abusividade de cláusulas em contratos bancários.
- Princípio "tantum devolutum quantum apellatum": Exame do princípio que limita o objeto da apelação e a interpretação da sua aplicação a favor das instituições financeiras.
- Expectativas de revogação do enunciado: Projeção sobre o debate futuro no STJ em relação ao enunciado n. 381, especialmente no contexto do REsp 1.465.832-RS.
- A necessidade de uma hermenêutica adequada: Reflexão sobre a especificidade do processo civil consumerista e a aplicação de normas de ordem pública, visando proteger consumidores vulneráveis.
- Implication of judicial positioning: Considerações sobre o efeito político do Judiciário e sua responsabilidade na proteção dos direitos dos consumidores.
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