Regimento interno do STF e 'coletividade-vítima': hora da legitimação penal subsidiária?
O artigo aborda a questão da legitimação penal subsidiária no contexto do Supremo Tribunal Federal (STF) e a possível inércia do procurador-geral da República (PGR). O autor discute a necessidade de uma reforma constitucional que amplie os legitimados para a ação penal, especialmente em casos de crimes que afetam coletividades, e apresenta propostas para atualizar o Regimento Interno do STF, com o intuito de fortalecer a defesa das coletividades-vítimas e garantir a representação adequada em ...

O artigo aborda a questão da legitimação penal subsidiária no contexto de inércia do procurador-geral da República (PGR) perante o Supremo Tribunal Federal (STF), discutindo a necessidade de uma mudança constitucional que facilite a participação de outros legitimados na ação penal, especialmente em casos que envolvem “vítimas-coletivas” como em crimes contra a saúde pública e a economia.
Destaca-se a importância de uma atualização no Regimento Interno do STF, que já contém dispositivos relativos à ação penal privada, para melhor incluir a terminologia da “ação penal subsidiária” e aumentar sua visibilidade. O texto menciona também a previsão de legitimados subsidiários em outras legislações, como o Decreto-Lei nº 201/1967 e o Código Eleitoral, questionando se há um rol abrangente de legitimados penais subsidiários no Brasil que ainda não é amplamente debatido. Aborda-se ainda a subrepresentação de coletividades no direito processual civil e de defesa do consumidor, ressaltando que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) já contempla uma legitimação coletiva, que deve ser expandida para outras áreas do direito penal.
O artigo discute o artigo 80 do CDC como um marco para legitimados em ações penais relacionadas a crimes contra o consumidor, e as implicações das decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a legitimidade da Defensoria Pública e outras entidades. Por fim, a possibilidade de atuação da Defensoria Pública na persecução penal é debatida em relação ao que poderia representar uma invasão de competência, levando à reflexão sobre a responsabilidade do Estado como um todo na proteção dos direitos das coletividades-vítimas e a repensar os contornos da legitimidade penal subsidiária, considerando a atualização do Regimento Interno do STF como um potencial motor de mudança nessa direção.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Regimento interno do STF e 'coletividade-vítima': hora da legitimação penal subsidiária?", de Maurilio Casas Maia.
- Legitimação Penal Isolada: Discussão sobre a legitimação do procurador-geral da República (PGR) e sua conexão com o conceito de "poder imperial".
- Atualização do Regimento Interno do STF: Relevância da atualização do regimento para promover a "ação penal subsidiária" e sua adaptação para incluir legitimados diversos.
- Sistemas Processuais e Legitimação Subsidiária: Análise das saídas em outras jurisdições que tratam da legitimação subsidiária com base no artigo 80 do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
- Modelo Misto de Legitimação no CDC: Como o CDC endossa um modelo misto de legitimação, permitindo a atuação coletiva de órgãos públicos e associações privadas.
- Defensoria Pública e a Comunidade-Vítima: Exploração do papel da Defensoria Pública na defesa de coletividades vítimas e normativas que lhe conferem legitimidade penal subsidiária.
- Limitações do CDC: Críticas à proteção mais intensa oferecida às relações de consumo em comparação com outros bens jurídicos.
- Reflexão sobre a Invasão 'Punivista': Discussão sobre a atuação da Defensoria Pública em persecução penal e as preocupações acerca do sistema penal abusivo.
- Possíveis Barreiras no STF: Análise das possíveis limitações impostas ao STF em reconhecer legitimidades subsidiárias em ações penais e a necessidade de debate sobre esses aspectos.
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