Álbuns de suspeitos, processo penal e discriminações estruturais
O artigo aborda a inclusão indevida de fotografias das deputadas Duda Salabert e Érika Hilton em álbuns de suspeitos, evidenciando práticas estruturais de racismo e transfobia no processo penal. As autoras discutem a fragilidade do reconhecimento fotográfico e questionam a validade de sua utilização, ressaltando a ausência de transparência nas investigações. A análise propõe reflexões sobre a necessidade de reformas para combater essas distorções e garantir processos mais justos e imparciais.

O artigo aborda a questão da inclusão indevida de imagens de duas deputadas federais, Duda Salabert e Érika Hilton, nos álbuns de suspeitos por crimes, destacando as implicações estruturais de racismo e transfobia nos procedimentos de reconhecimento no processo penal.
Inicialmente, apresenta um panorama sobre as diretrizes de reconhecimento de pessoas, destacando a fragilidade das provas fotográficas e o impacto da memória humana equivocada. O texto critica a ausência de transparência nos álbuns de suspeitos e alerta para as consequências de incluir indivíduos sem base legal, refletindo discriminações raciais e de gênero. O artigo também explora a falibilidade dos métodos de identificação e argumenta que a predominância de indivíduos negros nos álbuns denota práticas institucionais discriminatórias.
Além disso, menciona a relação histórica entre a seleção de fotografias e as desigualdades estruturais, evidenciando a necessidade de fiscalização rigorosa das normas vigentes e de capacitação dos policiais para promover práticas investigativas imparciais. Por fim, levanta a importância de discutir como esses fatores estão profundamente enraizados nas práticas policiais e jurídicas, perpetuando um ciclo de injustiça.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Álbuns de suspeitos, processo penal e discriminações estruturais" por Antonella Galindo, Gina Muniz e Júlia Vieira da Silva.
- Inclusão indevida de fotos de deputadas: Discussão sobre o caso de Duda Salabert e Érika Hilton, que tiveram suas imagens incluídas em álbuns de suspeitos sem justificativa, levantando questões sobre racismo e transfobia estruturais.
- Legislação e diretrizes sobre reconhecimento: Análise do artigo 226 do CPP, Resolução 484 do CNJ e Portaria 1.122/2026, destacando a importância de seguir as normas para a validade dos reconhecimentos no processo penal.
- Fragilidade do reconhecimento fotográfico: Reflexão sobre a fragilidade da memória humana como evidência, sugerindo que reconhecimento isolado não deve ser suficiente para condenação.
- Transparência e auditabilidade dos álbuns de suspeitos: Crítica à falta de rastreabilidade das imagens incluídas e o risco de inclusão arbitrária sem justificativa plausível.
- Perfil demográfico e discriminação: Discussão sobre a composição racial dos álbuns de suspeitos, destacando a predominância de pessoas negras, e implicações de racismo e transfobia nas práticas investigativas.
- Decisões judiciais relevantes: Referências ao reconhecimento do racismo estrutural pelo STF e a equiparação da transfobia ao racismo social, alinhando com a Lei 7.716/1989.
- Recomendações para melhoria: Sugestões para adequação dos procedimentos policiais, incluindo a necessidade de capacitação e o estrito cumprimento das normativas para prevenir discriminação e garantir justiça.
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