Como usar a Matriz de Risco da Decisão

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Como usar a Matriz de Risco da Decisão

Guia da Matriz de Risco da Decisão: como listar os desfechos possíveis de uma decisão do caso, pontuar cada um em duas escalas separadas (o quanto machuca e o quanto é esperado) e ler o quadro que a ferramenta devolve, com as premissas ao lado. Explica por que a composição é tabela fechada e não conta, por que consequência catastrófica nunca vira risco baixo, o que é o teste de robustez e por que nenhuma escala vem preenchida. Método inspirado no Guia do Processo Penal Estratégico. Nada do caso sai do navegador.

Atualizado em 19 ago 2026decisaoriscocenariosprobabilidadeconsequenciaestrategiateoria-dos-jogosprocesso-penal-estrategicohabeas-corpusanpppremissas

O que esta ferramenta faz

A Matriz de Risco da Decisão pega uma decisão que está na sua mão hoje (impetrar agora ou esperar a instrução, aceitar o acordo ou ir ao mérito, arrolar a testemunha que pode virar contra) e a transforma num quadro que você consegue olhar, discutir com o cliente e conferir depois.

Você lista os desfechos possíveis do julgamento e pontua cada um em duas escalas separadas: o quanto aquele desfecho machuca e o quanto ele é esperado. A ferramenta compõe as duas, posiciona cada cenário na grade e devolve a leitura, com as suas premissas ao lado do resultado.

Abra em criminalplayer.com.br/matriz-de-risco. O quadro é montado no seu navegador: a decisão, os cenários, as premissas e o documento que você exporta não são enviados para a plataforma.

O defeito que ela corrige

Decisão de caso criminal é tomada sob incerteza, quase sempre de cabeça, comparando um cenário bom com um cenário ruim imaginado no mesmo instante. Dois problemas nascem daí.

O primeiro é que a probabilidade vira interruptor. Deveria ser um dial com gradações, mas na cabeça ela colapsa em dois estados: acima de cinquenta por cento "vai acontecer", abaixo "não vai". O que é improvável some da conta, mesmo quando é irreversível.

O segundo é que a decisão não deixa rastro. Quando o resultado chega, meses depois, não há como saber se a leitura estava errada ou se foi o caso que sorteou o lado ruim. Sem registro, não se aprende com o próprio acerto nem com o próprio erro.

O quadro resolve os dois pelo mesmo caminho: obriga a separar as duas perguntas e guarda o porquê de cada estimativa.

As duas escalas, e por que elas não se respondem juntas

Consequência responde: se este desfecho acontecer, o quanto ele machuca o cliente?

  • Catastrófica: muda a vida do cliente e não há como desfazer.
  • Grave: atinge o cliente de forma séria, mas ainda há caminho de reversão.
  • Moderada: atrapalha o caso, custa tempo, dinheiro ou estratégia.
  • Leve: quase não altera a posição do cliente.

Probabilidade responde outra coisa, e a pergunta é feita em linguagem de caso de propósito: em quantos casos parecidos com este você esperaria esse desfecho?

  • Baixa: seria surpresa, acontece em poucos casos parecidos.
  • Média: acontece com alguma regularidade em casos parecidos.
  • Alta: é o que costuma acontecer em casos parecidos.
  • Muito alta: seria surpresa se não acontecesse.

Repare que nenhuma das escalas tem porcentagem. É deliberado: "oitenta por cento de chance" é justamente a formulação que produz a confusão descrita acima, e um número inventado dá ao palpite a aparência de medição.

Como se monta: de trás para frente

O quadro não se monta na ordem em que o processo anda. Comece pelo fim, pelos resultados que o julgamento pode produzir, e só depois volte à decisão que está na sua mão. É a ordem que a tela induz.

  1. A decisão, em uma frase, no formato de escolha: o que você faz ou deixa de fazer. Sem ela o quadro fica sem objeto e, daqui a três meses, ninguém saberá o que estava sendo decidido.
  2. Os desfechos. Um cenário por desfecho, com um nome curto que você reconheça depois. Não liste só o bom e o ruim: entram o parcial, o que resolve e cria outro problema, e o que dá certo e provoca reação do outro lado. Não há número fixo.
  3. As duas escalas, uma de cada vez, para cada cenário.
  4. A premissa: por que você estimou assim. É o campo mais importante da tela, e o único opcional que vale a pena não pular.

Depois é só Montar a matriz. O que você escreveu fica salvo no seu navegador enquanto não clicar em apagar.

Por que a composição é uma tabela, e não uma conta

Cada par de escalas cai numa faixa: Baixo, Moderado, Alto ou Crítico. A correspondência é uma tabela fechada, e ela não é simétrica. Duas regras dela merecem ser ditas com todas as letras, porque são o coração do método:

  • Consequência catastrófica nunca cai para Baixo, nem quando você a considera pouco provável. O piso dela é Moderado. Dano que não se desfaz não vira dano pequeno por ser raro.
  • Consequência leve nunca chega a Alto, nem quando é quase certa. O teto dela é Moderado. Aborrecimento frequente continua sendo aborrecimento.

Seria mais elegante multiplicar dois números e cortar por faixas. Seria também a maneira mais rápida de destruir o método: na multiplicação, o desfecho irreversível e improvável empata com o desfecho leve e quase certo, e desaparece da leitura. A ferramenta não faz essa conta em lugar nenhum.

O que a leitura devolve

Depois da grade, com os cenários posicionados nas células, vêm quatro leituras:

  • Teto do quadro: a faixa mais alta entre os cenários estimados.
  • Maior risco composto: o cenário de faixa mais alta. Havendo empate, decide a consequência mais grave, depois a probabilidade maior, depois a ordem em que você lançou. O critério está escrito na tela, para você não precisar confiar na ordenação sem saber como ela foi feita.
  • Pior consequência em jogo, mostrada em separado quando é outro cenário. É a linha que o método não deixa sumir: um desfecho catastrófico que você estimou como pouco provável compõe em faixa mais baixa que um desfecho grave e frequente, e desapareceria de uma leitura que só ordena por faixa.
  • Distribuição: quantos cenários caíram em cada faixa, e quais estão em Crítico ou Alto.

Em seguida vem o bloco das premissas, cada cenário com as duas escalas por extenso e o porquê que você registrou. Quem ficou sem premissa aparece marcado: ponderação com premissa escondida vira número com aparência de objetividade, que é o defeito que este quadro existe para combater.

O teste de robustez

A pergunta é simples: e se uma estimativa sua estiver errada por um degrau, para pior?

A ferramenta sobe um degrau em cada eixo de cada cenário, um de cada vez, e mostra o que acontece. Duas respostas possíveis:

  • A leitura vira: aquele degrau isolado levanta o teto do quadro. É sinal de que a decisão está apoiada numa estimativa só, e vale conferi-la antes de decidir.
  • A leitura não vira: nenhum degrau isolado muda o teto. Isso não quer dizer que a decisão seja segura. Quer dizer que ela não depende de uma única estimativa, o que é outra coisa.

Cenário que já está no canto mais grave da grade aparece marcado como no extremo: não há degrau acima dele.

Por que nenhuma escala vem preenchida

As duas listas começam vazias, e isso custou desenho de propósito. Valor sugerido cria ancoragem: a primeira referência que aparece na tela puxa o julgamento na direção dela, mesmo quando quem decide sabe que é só um padrão. Ancoragem é uma das armadilhas que o próprio método manda vigiar, e seria estranho a ferramenta produzir a armadilha que ensina a evitar.

Pela mesma razão, cenário sem as duas estimativas não entra no cálculo. Ele aparece nomeado na saída, com a informação do que falta, e o quadro é declarado incompleto. A ferramenta não completa lacuna sua com palpite dela.

O que ela recusa a fazer

  • Não decide. Não diz impetre nem espere, aceite nem recuse. Devolve o quadro e o que ele revela.
  • Não estima nada por você. Consequência e probabilidade são suas, caso a caso. A plataforma não consulta jurisprudência para calcular chance, não busca dado e não infere gravidade.
  • Não prevê resultado de julgamento, e não diz se a tese vai vencer.
  • Não dá nota de 0 a 100. O método completo tem uma escala de pontos de exposição apoiada em metodologia de terceiro que não reproduzimos. Entregar o número sem o modelo por trás seria falsa precisão, exatamente o defeito que o quadro combate.
  • Não compara duas decisões lado a lado ainda. Hoje o quadro é de uma decisão por vez; comparar impetrar contra esperar é a fase seguinte.

Cuidados e limites

  • O quadro vale o que valem as suas estimativas. Ele organiza o seu julgamento com honestidade, inclusive quando o julgamento está errado. Não é medição.
  • Desfecho esquecido é desfecho que não aparece. A leitura só enxerga o que você listou, então vale reler a lista perguntando o que está faltando, principalmente do lado que você prefere não pensar.
  • Cenário sem premissa registrada é meio quadro. Sem o porquê, daqui a três meses não dá para saber se a leitura estava errada ou se foi o caso que virou, e é justamente esse confronto que faz alguém calibrar com o tempo.
  • Nada sai do navegador, então nada fica salvo no servidor. Gere e guarde o documento antes de fechar a página.
  • O quadro é da decisão, não do caso. Um caso tem várias decisões ao longo do processo, e cada uma pede o seu.

O que fazer com o resultado

O botão ao final monta o documento inteiro em texto: a decisão, os cenários com as duas escalas e o risco composto de cada um, as premissas que você registrou, a leitura, o teste de robustez e os limites. Copie, baixe ou imprima.

Três usos que justificam guardá-lo:

  • Na pasta do caso, com data. É o registro de por que você decidiu assim, com a informação que tinha naquele dia.
  • Na conversa com o cliente. Mostrar o desfecho catastrófico que você considera pouco provável, e dizer que ele foi considerado, é diferente de prometer resultado. O quadro sustenta essa conversa sem virar promessa.
  • Depois do resultado. Volte ao documento e compare: a leitura estava errada, ou o caso sorteou o lado ruim? É a única forma de a experiência virar calibragem em vez de anedota.

De onde vem o método

As duas escalas independentes, a composição por tabela e a construção dos cenários de trás para frente vêm do gerenciamento de risco exposto por Alexandre Morais da Rosa no Guia do Processo Penal Estratégico: de acordo com a Teoria dos Jogos e o MCDA-C (Criminal Player Academia, 2021).

Esta ferramenta é uma adaptação nossa do método, não uma transcrição da obra, e o autor não endossa esta implementação. Para o método por inteiro, o caminho é o livro e a trilha Processo Penal Estratégico, no acervo.

Na mesma família, o Conferidor da Escada EVE trabalha o outro lado da mesma mesa: lá se testa se um dado, uma informação ou um argumento se sustenta; aqui se pondera o que fazer com o que se sustenta.

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