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Newsletter Criminal Player #131: Entenda de uma vez por todas como Vorcaro foi parar no STF

Olá, Player!

Desde a liquidação do Banco Master pelo Bacen em novembro de 2025, o Brasil assiste com apreensão a cada novo desdobramento jurídico, econômico e político do caso. São tantas reviravoltas que nem o time de roteiristas mais criativo de Hollywood seria capaz de imaginar um cenário mais complexo e, por que não dizer, catastrófico do que esse. Isso sem falar na delação de Daniel Vorcaro, que é aguardada com clima de final de Copa do Mundo pela opinião pública.

Se você está perdidinho ou perdidinha no emaranhado de inquéritos, vazamentos e tensão no STF e se pega tentando entender como um banco falido gerou tudo isso, eu te ajudo.

Pega teu café que vamos fazer um passeio pelas origens do Caso Vorcaro.

Nos tempos de BH

Daniel Bueno Vorcaro nasceu e foi criado em Belo Horizonte (MG). Filho de um corretor de imóveis e de uma pastora, formou-se em Economia no ano de 2007. Seus primeiros negócios envolviam os setores editorial, com a PQS Empreendimentos Educacionais, e imobiliário, com a Multipar e a Mercatto, todos adquiridos por seu pai, Henrique Vorcaro.

Após idas e vindas, Vorcaro se tornou banqueiro.

Em 2018, Vorcaro adquiriu o Banco Máxima, uma instituição com estrutura já precarizada e com problemas patrimoniais de cerca de 827 milhões de reais.

Basicamente, ele comprou um navio pegando fogo… 🚢🔥

Considerando que somos juristas, é normal que nos escape à mente como funciona o procedimento de compra e venda de instituições financeiras, as autorizações de operação e a respectiva regulamentação pela autoridade monetária.

Então prepare-se, pois teremos um trecho com bastante economês por aqui. Mas é pro seu bem, juro!

Comprar banco não é como comprar carro. Não basta ter a grana: é necessário ter autorização do Bacen, conforme prevê a Lei 4.595/65.

O rito, os documentos necessários, as exigências sobre o controlador e a origem dos recursos da compra são atualmente regulados pela Resolução nº 4.970/2021 do Conselho Monetário Nacional.

Em resumo, todo o negócio deve ter autorização prévia para acontecer e, após firmado, deve ser aprovado pelo Bacen para só então ser plenamente eficaz no plano fático e jurídico.

Para obter essa autorização, o adquirente deve comprovar capacidade econômico-financeira, origem lícita dos recursos e reputação ilibada, além de não estar impedido por condenação por crimes como os falimentares ou contra o Sistema Financeiro Nacional. Convém destacar que, na análise da reputação, o Banco Central considera inclusive a existência de processo criminal ou inquérito policial.

No curso do processo, a autarquia pode requisitar documentos e convocar os interessados para entrevista, além de divulgar publicamente os nomes dos pretendentes ao controle para que eventuais objeções sejam apresentadas.

O pedido pode ser indeferido em caso de falsidade, omissão ou não atendimento dos requisitos (art. 19, II), e, mesmo depois de aprovada, a operação pode ser revista e até desfeita pelo Bacen.

Note que a resolução é de 2021, enquanto a compra do Máxima ocorreu em 2018. Na época em que Vorcaro fez o pedido ao Bacen, o processo era regulado por quatro resoluções diferentes, que foram compiladas na Res. CMN 4.970/21.

Mas por que isso é importante?

Porque a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro foi inicialmente barrada pelo Bacen por dúvidas quanto à origem do valor usado no pagamento. Isso se deu em 2019. O processo de aprovação tramitou, inicialmente, na gestão de Ilan Goldfajn.

Posteriormente, já na gestão de Roberto Campos Neto, teriam sido apresentados novos recursos financeiros que permitiram a aprovação da compra.

Também é necessário destacar que a autorização da compra pode ter sido uma alternativa para evitar a liquidação do Banco Máxima, que causaria um sério custo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) brasileiro.

Você pode entender mais sobre esse processo aqui: Como o BC foi do veto ao aval da compra do Master por Vorcaro | Finanças | Valor Econômico

Máxima vira Master, vende créditos e quase muda de dono outra vez

Após a autorização, já em 2021, o então Banco Máxima passou a se chamar Banco Master, sob o comando direto de Daniel Vorcaro.

A instituição conquistou uma ampla carteira de clientes ao oferecer produtos financeiros extremamente atrativos, como aplicações em CDB com rendimento de até 140% do CDI, muito acima do padrão do mercado financeiro da época.

Outra operação comum do Master era a venda de créditos sem lastro claro ou supervalorizados.

Caso você não lembre como funciona a cessão de créditos, abro aqui um parêntese.

Um crédito é um direito que pode ser objeto de venda. Imagine que eu, Lilian, emprestei dinheiro para meu querido amigo Lorenzo Parodi. Emprestei cem reais para que ele me pague apenas em dezembro de 2026.

Porém, eu preciso levantar dinheiro com urgência. Assim, nossa embaixadora Marcia Erias me faz uma proposta: me dá R$ 95,00 hoje e assume meu lugar na cobrança dos R$ 100,00 de Lorenzo em dezembro.

Como eu preciso de dinheiro rápido, topo o negócio, pego meus R$ 95,00 e fico feliz.

Caso Lorenzo queira dar calote ou, pior, caso o crédito não exista nos termos que eu apontei, aí o problema é da Márcia.

Quando essa cessão ocorre em proporções maiores, é necessário demonstrar documentalmente a origem do crédito e sua liquidez. É o que se chama de “lastro”.

Fechado o parêntese, voltemos ao caso Master.

Lembra da metáfora do navio pegando fogo? Na gestão Vorcaro e com todas essas operações arriscadas, o navio em chamas foi colocado para navegar num oceano de gasolina aditivada.

Não é preciso ser especialista em economia para saber que o Banco Master estava com os dias contados.

O último suspiro da instituição foi a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, em 2025. A compra, contudo, foi reprovada pelo Bacen por meio do procedimento que vimos anteriormente.

Segundo a autoridade monetária, havia sérias dúvidas sobre a integridade do negócio, uma vez que o Master era um banco de operações frágeis. Assim, em novembro de 2025, o Bacen liquidou o Banco Master e interrompeu suas operações.

Enquanto isso, a Compliance Zero corria

Foi justamente a venda de créditos sem lastro que despertou a atenção da PF entre 2024 e 2025, o que deflagrou a Operação Compliance Zero, cujo principal alvo era Daniel Vorcaro.

A suspeita é de que Vorcaro tenha construído uma imensa rede de influência para manter as operações fraudulentas do Master, incluindo o suposto envolvimento de autoridades públicas.

E como o STF entra na história?

É comum surgir a dúvida sobre por que os autos tramitam no STF, já que Vorcaro não tem foro por prerrogativa de função.

Ele não tem, mas outras pessoas investigadas na Compliance Zero têm.

Durante a operação, a PF apurou supostas relações entre Daniel Vorcaro e o deputado federal pela Bahia João Bacelar (PL). Diante dessa relação, a própria defesa de Vorcaro requereu, ainda em 2025, que os autos saíssem da competência da Justiça Federal do DF e fossem avocados pelo STF.

O Min. Dias Toffoli acolheu o pedido, avocou o feito e seus conexos e deu início à tramitação perante o Supremo sob sua relatoria. Atualmente o Min. Toffoli não é mais relator do caso, pois declarou-se suspeito por razões de foro íntimo.

Ou seja, o caso já estava à caminho da Suprema Corte antes mesmo da segunda prisão de Vorcaro, em março deste ano, e antes de surgirem nos autos as menções a ministros.

Para entender cada detalhe da tramitação dos autos no STF, recomendo a leitura do excelente artigo escrito pelo professor Alexandre Morais da Rosa na Coluna Criminal Player do Conjur! No artigo, Alexandre esclarece ao público os detalhes do feito a partir de documentos publicados pelo próprio STF. Uma leitura essencial para compreender o caso! Leia o artigo na íntegra: Para entender o caso Banco Master/Vorcaro no STF — Pet 16.662

Fontes:

Senadores questionam como BC negou e depois aprovou venda do Master a Vorcaro

L4595

Daniel Vorcaro – Wikipédia, a enciclopédia livre

Informações básicas sobre processos de autorização por tipo de instituição

Resolução CMN n° 4.970 de 25/11/2021

VOTO DO CMN 94/2021-BCB/SECRE-Numerado Manualmente

Entenda por que o BC rejeitou compra do Banco Master pelo BRB

Saiba quem é o deputado que apareceu em documento de Vorcaro e pode levar investigação do Master ao STF

Toffoli puxou Caso Master ao STF um dia após PF descartar pessoas com foro | CNN Brasil

Como o BC foi do veto ao aval da compra do Master por Vorcaro | Finanças | Valor Econômico

Toffoli se declara suspeito em julgamento do caso Master - Migalhas

IMERSÃO CRIMINAL PLAYER - LAVAGEM, CAUTELARES PATRIMONIAIS E CRIPTO

Meliá Ibirapuera, São Paulo (SP)

16 e 17 de outubro

Nos dias 16 e 17 de outubro a Criminal Player desembarca no Hotel Meliá Ibirapuera, em São Paulo (SP), para uma imersão dedicada a um dos campos mais desafiadores da advocacia criminal contemporânea: lavagem de dinheiro, criptoativos e medidas cautelares patrimoniais.

O time escolhido pelo Prof. Aury Lopes Jr reúne André Luís Callegari, que conduz a oficina VIP sobre lavagem de dinheiro; Guilherme Lucchesi que discutirá a cegueira deliberada e as controvérsias em torno do dolo no tipo de lavagem; Raphael Boldt com as medidas cautelares patrimoniais, tema que Luiza Oliver também aprofunda sob a ótica do posicionamento defensivo.

Marlon Ricardo Lima Chaves e Alex Schmidel trazem a investigação defensiva e o inquérito policial em crimes de lavagem e conexos, e Luísa Walter da Rosa aborda a justiça penal negociada.

O universo cripto ganha um bloco próprio, com Alexandre Senra e Pablo Dominguez falando sobre rastreamento de criptomoedas e Rafaela de Otero conectando o tema à cooperação internacional.

Rita Barchet também estará conosco, mostrando como lidar com gestão de crise em casos midiáticos.

A imersão tem dois formatos: o pacote VIP, que inclui as oficinas exclusivas da sexta-feira pela manhã, e o pacote FULL, com a programação aberta a partir da sexta à tarde e durante todo o sábado.

São dois dias para sair com repertório técnico e estratégias aplicáveis a casos reais, num tema em que a defesa não pode se dar ao luxo de estar um passo atrás.

Garanta seu ingresso antes que as vendas encerrem pelo link abaixo:

IMERSÃO LAVAGEM, CAUTELARES PATRIMONIAIS E CRIPTO

Nota importantíssima : o evento também acontece na semana de aniversário da curadora que vos escreve. Já fui autorizada a escolher a Playlist do Happy Hour… preparem-se! 🎧🍾 🥳

Por hoje é só, pessoal! Até a próxima 👋

Lilian Soares Dias

Curadora Criminal Player

Encontre-me na plataforma: @liliansoaresdias

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Lilian Soares Dias
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