Artigos Migalhas – Racismo algoritmo: A nova face da injustiça penal

ARTIGO

Racismo algoritmo: A nova face da injustiça penal

O artigo aborda a crescente introdução de algoritmos e inteligência artificial no sistema judiciário brasileiro, destacando o risco do racismo algorítmico, que perpetua desigualdades históricas ao automatizar decisões baseadas em dados contaminados por preconceitos. Os autores alertam que, apesar da promessa de eficiência e celeridade, essas tecnologias podem reforçar a seletividade penal, criminalizando especialmente a população negra e periférica, sem garantir a devida responsabilidade e tr...

Philipe Benoni
06 mai. 2025 4 acessos
Racismo algoritmo: A nova face da injustiça penal
Publicado no Migalhas
Resumo do artigo

O artigo aborda as implicações do racismo algorítmico no sistema penal brasileiro, destacando como a introdução de tecnologias de inteligência artificial (IA) no Judiciário pode, inadvertidamente, perpetuar desigualdades raciais e sociais existentes.

Discute a promessa de eficiência e imparcialidade que a IA oferece, contrastando-a com os riscos de reforço do racismo estrutural, uma vez que os dados utilizados para alimentar esses sistemas já contêm preconceitos históricos. O texto explica o conceito de racismo algorítmico, que se refere à reprodução de padrões discriminatórios por algoritmos com base em dados contaminados, e critica a crescente opacidade desses sistemas em comparação com juízes humanos. Além disso, aborda a seletividade do processo penal brasileiro, que mira majoritariamente a população negra e pobre, e explora práticas processuais que acentuam essa desigualdade.

O artigo salienta a necessidade de resistência por parte de profissionais da advocacia, académicos e sociedade civil contra a automação de injustiças, propondo que a implementação de IA no Judiciário deve ser acompanhada de auditorias, transparência e inclusão de especialistas em direitos humanos. Por fim, enfatiza a importância de assegurar que qualquer inovação tecnológica se submeta à Constituição e promova justiça social, evitando a reprodução das iniquidades históricas do sistema penal.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Migalhas.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "Racismo algoritmo: A nova face da injustiça penal" por Philipe Benoni Melo e Silva.

  • Introdução da inteligência artificial no Judiciário: Discussão sobre a modernização do Judiciário brasileiro com o uso de tecnologias como inteligência artificial, automação de rotinas processuais e sistemas de apoio à decisão judicial.
  • Promessas da IA: Expectativas em torno de decisões mais rápidas e padronizadas, destacando a Resolução 332/20 do CNJ que orienta o desenvolvimento de sistemas baseados em IA.
  • Risco da desumanização: Reflexão sobre a neutralidade dos algoritmos, questionando como as máquinas podem perpetuar desigualdades raciais e sociais com base em dados históricos tendenciosos.
  • Conceito de racismo algorítmico: Definição do fenômeno em que sistemas de IA reproduzem padrões discriminatórios que afetam populações negras e periféricas devido ao aprendizado de dados contaminados por desigualdades.
  • Impacto no processo penal: Análise de como algoritmos ampliam a seletividade penal ao utilizar dados históricos que refletem racismo estrutural, resultando na automação do preconceito.
  • Transparência e responsabilidade: Crítica ao uso opaco de algoritmos que reduzem a capacidade de crítica, revisão e resistência no sistema judicial.
  • Práticas processuais raciais: Exemplos de práticas como reconhecimento fotográfico acrítico e valorização da palavra policial que amplificam a automatização do preconceito no Judiciário.
  • Direito de resistir à automação da injustiça: Apelo para que a advocacia, academia e sociedade civil atuem na prevenção da implantação incorreta de tecnologias no sistema penal, priorizando legalidade e dignidade humana.
  • Conclusão: Advertência sobre o risco de a inteligência artificial perpetuar injustiças raciais, enfatizando a importância de uma implementação ética e atenta aos erros históricos do sistema penal.
Leia o artigo completo no MigalhasTexto integral no site da publicação
Acessar artigo

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

Avatar de Philipe Benoni
Philipe BenoniAdvogado Criminalista. Título Próprio da Universidade Pablo de Olavide de Sevilha (ES) em Fundamentos Críticos: los derechos humanos como Processos de Lucha por la Dignidad. Especialista em Direito Público pela Faculdade Fortium. Especialista em Probidade Administrativa pela Faculdade Projeção. Autor de livros e artigos.

Explore

Indicações relacionadas a este conteúdo

Precisa de ajuda?
Fale com nossa equipe pelo WhatsApp para dúvidas sobre este conteúdo.

Não perca este conteúdo

Assine a Criminal Player e tenha acesso imediato a esta aula, mais de 4.900 conteúdos, ferramentas de IA e a maior comunidade de advocacia criminal do Brasil.

Ver planos