DICAS DA CS: Antes de assinar a peça, confira se cada fonte existe e ainda vale
Uma nova ferramenta para conferir citações jurídicas feitas com IA e um primeiro olhar sobre as novidades que estão chegando na Criminal Player.

Seja bem-vindo(a) à 3ª edição da Curadoria Criminal Player! Nesta edição, apresentamos uma ferramenta recente da plataforma, criada para testar e verificar peças jurídicas produzidas com o auxílio de inteligência artificial — mais uma novidade para tornar sua rotina mais prática e segura.
O Radar de Alucinações
Quem usa IA para redigir peças conhece o risco: ela pode "alucinar", ou seja, gerar uma informação falsa ou incorreta com toda a aparência correta. O Radar de Alucinações foi feito para que o advogado identifique isso antes de assinar.
O funcionamento é direto: você cola a peça, e cada súmula, tema repetitivo, dispositivo de lei e acórdão citado volta com o estado em que se encontra. Súmula cancelada aparece cancelada, dispositivo revogado aparece revogado, e o número que não corresponde a nada aparece como tal. Nos acórdãos localizados, o que a peça atribui ao julgado é comparado com o teor que o acervo tem dele.
O problema, como a própria página da ferramenta define, é que a citação errada não parece errada. Um número plausível de súmula, um acórdão com classe e numeração bem formadas, um dispositivo que existe, mas trata de outro assunto: nada disso salta aos olhos numa releitura.
Há ainda o caso da fonte que era boa e deixou de ser. O exemplo dado no site é a Súmula 174 do STJ, que autorizava o aumento da arma de brinquedo no roubo e foi cancelada em 2001. A citação pode estar correta no dia em que foi escrita e continuar com a mesma cara depois de a fonte mudar.
O que a ferramenta confere:
- Existência e vigência: as súmulas são conferidas todo dia contra o tribunal, e cada linha traz o link da fonte.
- Teor do acórdão: o texto atribuído ao julgado é confrontado com o teor disponível no acervo, e o acórdão abre na própria tela, ao lado da citação.
- Redação do dispositivo: se você informa a data do fato, o Radar avisa quando o artigo teve a redação alterada, porque o que vale é o texto daquele dia.
A ferramenta também é clara sobre o que não promete. Nada ali valida a peça, e que uma súmula exista e esteja vigente não significa que ela sustente a tese. Em dispositivo e acórdão, a ausência na base quer dizer que a conferência não foi possível, nunca que a citação foi inventada. A conferência na fonte oficial continua sendo do advogado; o Radar entrega o caminho até ela.
Sobre privacidade, a página é transparente: a conferência acontece no servidor da plataforma, parte do texto passa por um provedor de inteligência artificial sob contrato que veda o uso do conteúdo para treino, e o que você excluir é apagado em 30 dias. O Radar está disponível na conta gratuita, sem cartão e sem limite de peças.
Meu Trabalho e o ERP jurídico
A segunda novidade desta edição é um aviso sobre o que vem por aí. A área Meu Trabalho está sendo construída, e em breve haverá um ERP jurídico integrado ao Criminal Player, para a gestão de casos, de clientes e do próprio escritório dentro da plataforma.
Para fechar
O Radar de Alucinações é o ponto alto desta Curadoria, e vale o teste com a próxima peça que estiver na sua mesa.