Inconstitucionalidade da discricionariedade fortíssima admitida pelo stf
O artigo aborda a crítica à discricionariedade fortíssima identificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), considerada pelos autores como uma forma de arbitrariedade que desrespeita o princípio da segurança jurídica e a proteção da confiança legítima. A análise se concentra nos efeitos dessa decisão em julgamentos futuros, questionando a ausência de fundamentação nas escolhas dos ministros e a possibilidade de sua revisão, o que contraria a lógica do processo democrático e as demandas de um ...

O artigo aborda a inconstitucionalidade da discricionariedade fortíssima reconhecida pelo STF, analisando as implicações de tal postura no âmbito do Estado Democrático de Direito.
Os autores discutem a arrogância hermenêutica do Judiciário ao se atribuir privilégios interpretativos, o que contraria o princípio da segurança jurídica e a proteção da confiança legítima. Enfocam a decisão do STF em 14.04.2021 que, ao permitir ao relator decidir a afetação dos casos ao Plenário ou à Turma sem necessidade de fundamentos específicos, introduz a possibilidade de arbitrariedade nas decisões. Essa discricionariedade é comparada às teorias de Dworkin e Hart, que criticam a confusão entre discricionariedade e arbitrariedade, defendendo a necessidade de uma fundamentação que sustente as decisões judiciais.
A crítica se estende ao fato de que decisões semelhantes sem justificativas adequadas violam a Constituição e os direitos fundamentais, danificando a integridade do sistema jurídico e reforçando a necessidade de normas claras que orientem o comportamento dos juízes. Os autores concluem que a adoção de uma interpretação construtiva do Direito, que respeite as normas e princípios constitucionais, é indispensável para garantir a legitimação das decisões na esfera judicial, reforçando a importância de evitar a discricionariedade abusiva.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Inconstitucionalidade da discricionariedade fortíssima admitida pelo STF" por Alexandre Gustavo Melo Franco Bahia, Diogo Bacha e Silva, Marcelo Andrade Cattoni de Oliveira e Paulo Roberto Iotti Vecchiatti.
- Privilégios hermenêuticos do Judiciário: Discussão sobre a discricionariedade do Judiciário e a gestão de poderes que levaram a uma violação da segurança jurídica.
- Críticas hermenêuticas: Análise crítica das interpretações hermenêuticas promovidas pelo STF e a eficácia das decisões em um Estado Democrático de Direito.
- Decisão do STF de 14.04.2021: Avaliação das consequências da decisão que concede discricionariedade absoluta ao relator em processos judiciais, como no HC 193.726.
- Fundamentação das decisões judiciais: A necessidade de fundamentação vigente nas decisões judiciais e como a ausência dela implica em arbitrariedade.
- Teorias de discricionariedade: Abordagem de Ronald Dworkin sobre as formas de discricionariedade e a crítica à sua aplicação equivocada em decisões do STF.
- Imparcialidade e colegialidade no Judiciário: A importância da imparcialidade nas decisões e o respeito ao princípio da colegialidade entre Turmas e Plenário do STF.
- Princípio da vedação ao arbítrio: Explicação sobre como a decisão de permitir uma discricionariedade fortíssima fere o princípio da vedação ao arbítrio no direito.
- Legitimidade das decisões: A legitimidade das decisões judiciais em um Estado Democrático deve estar vinculada à proteção dos direitos fundamentais e à responsabilidade institucional.
- Direitos das minorias e participação moral: A importância da consideração dos direitos de grupos vulneráveis e a necessidade de fundamentação das decisões à luz de princípios de moralidade política.
- Impactos da decisão no funcionamento do STF: Análise das implicações da decisão sobre a dinâmica institucional e o funcionamento do STF com relação à sua hierarquia normativa.
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