Apetite punitivista e princípio da insignificância
O artigo aborda a discussão sobre a aplicação do princípio da insignificância em casos de pequeno valor econômico, utilizando como exemplo um julgado do STF sobre um furto tentado de produtos de baixo valor. Os autores, Soraia da Rosa Mendes e Daniel Brandão, argumentam que a intervenção do Estado deve ser limitada, questionando a pertinência de penalizar condutas insignificantes, especialmente em um contexto que pode perpetuar o apetite punitivista. A análise enfatiza a importância de respei...

O artigo aborda a relação entre o apetite punitivista do Estado e o princípio da insignificância, através da análise do julgamento do habeas corpus 137.290 pelo Supremo Tribunal Federal, no qual uma mulher foi acusada de furto tentado de bens de baixo valor.
Discute-se inicialmente a inadequação do professor que assume a pretensão de ensinar, refletindo uma postura de ensino problemático. O texto analisa decisões de tribunais superiores que negaram a aplicação do princípio da insignificância, argumentando que a conduta da ré não causara dano significativo ao supermercado e que os itens furtados foram devolvidos. O autor ressalta a importância do princípio da intervenção mínima, que limitaria o uso do Direito Penal a situações de crimes graves, questionando a necessidade de punir ações que não representam ameaça à ordem pública.
O artigo também aborda a decisão do ministro relator Ricardo Lewandowski, que se opôs ao reconhecimento da insignificância, levantando preocupações sobre como essa visão pode subverter a justiça penal, levando a um excessivo punitivismo. Por fim, enfatiza a necessidade de respeitar a dignidade humana e o valor da presunção da inocência, argumentando que é preferível soltar um culpado do que condenar um inocente, visando a contenção do impulso punitivo.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Apetite punitivista e princípio da insignificância" por Soraia da Rosa Mendes e Daniel Brandão.
- Contexto do Julgamento: Análise do habeas corpus 137.290 pela Segunda Turma do STF, envolvendo uma mulher denunciada por furto tentado de produtos com valor total de R$ 42,00.
- Rejeição do Princípio da Insignificância: Detalhamento das decisões do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e do STJ que negaram a aplicação do princípio da insignificância, considerando a baixa relevância do prejuízo causado.
- Argumentos da Defensoria Pública: Explicação da argumentação da DPU sobre a inexpressividade do delito e a falta de periculosidade social, além da devolução dos itens furtados.
- Decisão do STF: Descrição do resultado do julgamento com a validação da insignificância, mas observação de que a decisão ocorreu por maioria e à parte oposta ao voto do relator.
- Princípio da Intervenção Mínima: Discussão sobre a necessidade de limitar o poder punitivo do Estado, respeitando a dignidade humana e priorizando penas adequadas e justas.
- Implicações do "apetite punitivista": Reflexão sobre o impacto do direito penal em casos de crimes considerados leves e a importância de não punir excessivamente comportamentos insignificantes.
- Presunção de Inocência: Questionamentos sobre a aplicação da penalização quando se considera a habitualidade da ré em delitos, destacando a importância de preservar o caráter punitivo do direito penal.
- Reflexão Final: Considerações sobre a necessidade de repensar o uso do direito penal e a máxima de que é preferível soltar um culpado do que prender um inocente, buscando minimizar o apetite punitivista.
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