Algo sobre crianças selvagens e os adolescentes infratores: investir em jaula ou em educação, eis a questão da pec nº 171
O artigo aborda a polêmica em torno da PEC n. 171/1993, que propõe a redução da maioridade penal no Brasil, contrastando a repugnância ao encarceramento de adolescentes com a necessidade de soluções educacionais. O autor, Maurilio Casas Maia, discute exemplos de "crianças selvagens" para evidenciar como o contexto social afeta o desenvolvimento e a criminalidade juvenil, questionando se encarcerar é a solução ou se isso perpetuará o problema. O texto destaca a urgência de repensar estratégias...

O artigo aborda a discussão sobre a PEC n. 171/1993, que propõe a redução da maioridade penal no Brasil, questionando as implicações sociais e jurídicas dessa proposta.
O autor, Maurilio Casas Maia, introduz a ideia de "crianças selvagens" e relaciona a situação dos adolescentes infratores com contextos sociais que geram tal comportamento, enfatizando a importância de entender as raízes da criminalidade juvenil em vez de simplesmente optar pela punição. O texto examina casos extremos de crianças que cresceram em condições desumanas, como Oxana Malaya e Victor, o Selvagem de Aveyron, para demonstrar como o ambiente social molda o desenvolvimento infantil. A análise se aprofunda na crítica ao sistema penal, sugerindo que um enfoque em encarceramento, referenciado como "Estado Encarcerador", é contraproducente e que a verdadeira solução reside em investimentos em educação e integração social.
O discurso centra-se na crítica à "cultura da punição", questionando se a sociedade deseja realmente atacar as causas da criminalidade ou se seguirá perpetuando um ciclo de violência e encarceramento. A PEC 171, ao invés de solucionar os problemas da delinquência juvenil, pode acentuar a marginalização e a exclusão social, propondo um cenário alarmante onde os adolescentes são tratados como inimigos da sociedade, refletindo um sistema penal punitivo que não considera as especificidades necessárias ao tratamento dos jovens.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Algo sobre crianças selvagens e os adolescentes infratores: investir em jaula ou em educação, eis a questão da pec nº 171" por Maurilio Casas Maia.
- Rejeição da PEC 171/1993: Análise da rejeição do substitutivo da PEC que reduz a idade de maioridade penal na Câmara dos Deputados e as implicações desse fato para o direito penal.
- Indústria do medo: Discussão sobre como frases associadas à criminalidade juvenil alimentam uma cultura de medo, usada para fins midiáticos e eleitorais.
- Conceito de "crianças selvagens": Exploração do conceito de "wild child" e os impactos negativos do ambiente social na formação de jovens, utilizando exemplos históricos e sociais.
- Impacto do meio social: Reflexão sobre os casos de crianças que cresceram em ambientes desumanos e como isso influencia seu desenvolvimento e escolhas na juventude.
- Investimento no Estado encarcerador: Crítica ao investimento em políticas de encarceramento em vez de educação e inclusão social, questionando a lógica por trás dessas decisões.
- Paradoxo de Wacquant: Discussão sobre a contradição entre a ampliação do Estado penal e a diminuição da intervenção social, conforme a crítica de Wacquant sobre a segurança social e econômica.
- Efeitos prejudiciais da prisão juvenil: Análise dos riscos e potenciais de agravamento da vulnerabilidade ao crime em jovens que são encarcerados e suas consequências para a sociedade.
- Crítica à PEC 171: Argumentação sobre como a proposta poderá exacerbar o problema da criminalidade juvenil em vez de resolvê-lo, perpetuando um ciclo de exclusão e criminalização.
- Direito penal do inimigo: Reflexão sobre o conceito de direito penal do inimigo e suas implicações éticas e sociais para o tratamento de adolescentes em situação de criminalidade.
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