Filosofia da linguagem e limites da Inteligência Artificial na interpretação jurídica
O artigo aborda os desafios e limites da Inteligência Artificial (IA) na interpretação jurídica, destacando o papel da filosofia da linguagem nesse contexto. O autor, Marco Aurélio Marrafon, analisa como a IA, apesar de sua capacidade de processamento de dados, carece de compreensão hermenêutica necessária para decisões jurídicas justas e objetivas, refletindo sobre a importância do conhecimento e da experiência humana na construção do sentido jurídico. A obra enfatiza que, sem a consciência ...

O artigo aborda diversos temas interligados à filosofia da linguagem e as limitações da Inteligência Artificial (IA) na interpretação jurídica.
Inicialmente, discute-se a interseção entre tecnologia e Direito, destacando como a IA e as Lawtechs estão reformulando a prática jurídica e como a automatização pode facilitar processos. Entretanto, são mencionados os perigos da dependência da IA para decisões judiciais, ressaltando que o conhecimento jurídico humano ainda é fundamental para a interpretação correta dos fatos. A hermenêutica filosófica é evocado para evidenciar a dualidade do logos, onde se distingue a dimensão lógico-formal da apofântica e a dimensão existencial da hermenêutica, crucial para o entendimento do Direito. O texto mostra que a linguagem é um elemento vital na construção de significados jurídicos, além de discutir a dificuldade da IA em transcender ao logos hermenêutico, permanecendo restringida a algoritmos e cálculos probabilísticos.
Exemplos como os chatbots Tay e Xiaoice ilustram as potenciais falhas e sucessos da IA na interação com humanos. Por fim, o artigo conclui que, apesar das capacidades da IA, a ausência de consciência hermenêutica a impede de compreender e responsabilizar-se adequadamente nas decisões jurídicas, levantando preocupações sobre discriminações e falta de transparência nas análises algorítmicas.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Filosofia da linguagem e limites da Inteligência Artificial na interpretação jurídica" por Marco Aurélio Marrafon.
- Contexto Atual da Inteligência Artificial: Discussão sobre o impacto da IA e suas aplicações no setor jurídico, enfatizando o surgimento das Lawtechs no Brasil.
- Utilidade da Automação: Análise das vantagens da coleta e processamento de dados por IA, incluindo a organização de jurisprudências e apoio às decisões judiciais.
- Riscos Associados: Apontamento dos perigos da dependência de IA na elaboração de relatórios e decisões, questionando a objetividade e transparência dos algoritmos.
- Hermenêutica Filosófica: Exploração da relação entre linguagem e Direito, e como a interpretação jurídica é impactada pela IA, que pode se tornar a "intérprete maior" do Direito.
- Fundamentos da Filosofia da Linguagem: Discussão sobre a virada linguística e a compreensão da linguagem como condição essencial para a compreensão do Direito.
- Divergência entre Logos Apofântico e Hermenêutico: Análise das limitações da IA em alcançar uma compreensão hermenêutica profunda, em comparação à capacidade humana de interpretação.
- Exemplos de Chatbots: Ilustração de dois casos de chatbots, Tay e Xiaoice, destacando as implicações do aprendizado de máquina e suas consequências sociais.
- Impacto da Falta de Consciência Hermenêutica: Discussão sobre a importância da consciência hermenêutica na interpretação da legislação e possíveis falhas da IA nesse aspecto.
- Conclusões e Reflexões Finais: Sugestão de aprofundamento nas discussões sobre a IA como influenciadora nas decisões judiciais, considerando suas limitações e a necessidade de uma maior compreensão humana.
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