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Artigos Conjur – Crise da “ordem pública” como fundamento da prisão preventiva

ARTIGO

Crise da “ordem pública” como fundamento da prisão preventiva

O artigo aborda a crise de identidade da "ordem pública" como justificativa para a prisão preventiva, destacando a confusão entre clamor público e a necessidade cautelar. Os autores criticam a utilização desse conceito vago para legitimar prisões que, muitas vezes, funcionam como penas antecipadas, além de ressaltarem os riscos de sua manipulação midiática. Concluem que a prisão preventiva, ao desvirtuar seus fins processuais, compromete direitos fundamentais e fere o princípio da presunção d...

Alexandre Morais da Rosa, Aury Lopes Jr
06 fev. 2015 22 acessos
Crise da “ordem pública” como fundamento da prisão preventiva

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Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a crítica à utilização da "ordem pública" como fundamento para a prisão preventiva, analisando diversos aspectos relacionados.

Primeiramente, discute a confusão comum entre "ordem pública" e "clamor público", destacando como essa confusão pode levar a decisões judiciais baseadas em sensações sociais ao invés de princípios jurídicos sólidos. Em seguida, critica a recuperação do artigo 312 na reforma de 2011, argumentando que isso reforçou o poder discricionário dos juízes e o viés punitivista do sistema. O texto explora a natureza vaga e imprecisa do conceito de "ordem pública", além de sua origem histórica em contextos autoritários que justificavam prisões sem fundamentos claros. Outro ponto abordado é a manipulação da opinião pública pelos meios de comunicação em relação a questões judiciais, enfatizando como isso influencia a percepção social sobre a necessidade de prisão.

O autor também discute a violação do devido processo e da presunção de inocência, evidenciando que a prisão cautelar não deve ter funções punitivas ou de prevenção de delito, a não ser que haja um devido julgamento. A crítica é estendida à prisão preventiva em nome da "ordem pública", que pode ser interpretada como um instrumento de verdadeiras penas antecipadas, distantes da função cautelar legítima. Por fim, argumenta que essa forma de prisão deve ser considerada inconstitucional, pois a sua natureza não se alinha com os princípios do direito penal moderno e da proteção dos direitos individuais.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais temas abordados no artigo "Crise de identidade da ‘ordem pública’ como fundamento da prisão preventiva", escrito por Aury Lopes Jr. e Alexandre Morais da Rosa.

  • Definição de Ordem Pública: A confusão comum entre "ordem pública" e "clamor público", além de como a gravidade do crime é utilizada para justificar prisões preventivas.
  • Poder Discricionário do Judiciário: A ressurreição do artigo 312 em 2011 e como isso facilita o aumento do poder discricionário dos juízes, visando um viés punitivista.
  • Vazio Semântico da Lei: A falta de clareza e rigor no conceito de "ordem pública" e seus fundamentos, levando a interpretações vagas e potencialmente abusivas.
  • Influência Midiática: O impacto das operações policiais na opinião pública e como isso molda pedidos de prisão com base em um suposto clamor social.
  • Pena Antecipada: A utilização da prisão preventiva como um meio de cumprir funções punitivas incompatíveis com a natureza de medidas cautelares.
  • Violação do Devido Processo Legal: O problema de tratar a prisão preventiva como penalidade antecipada, comprometendo direitos fundamentais como a presunção de inocência.
  • Desvio do Papel do Judiciário: A crítica à ideia de que o Judiciário deve agir em nome da segurança e credibilidade das instituições, abandonando seu papel de garantidor de direitos.
  • Risco de Reiteração de Delitos: A análise da prisão preventiva sob a alegação de risco futuro e como essa prática é inconstitucional.
  • Função Meta-processual: O questionamento da função metaprocessual da prisão preventiva e sua inadequação à natureza cautelar da medida.
  • Consequências para a Democracia: Reflexões sobre como a dependência da prisão para a legitimidade das instituições jurídicas pode representar um retrocesso autoritário.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Alexandre Morais da RosaPós-doutorando em Universidade de Brasilia (UnB). Doutor em Direito (UFPR), com estágio de pós-doutoramento em Direito (Faculdade de Direito de Coimbra e UNISINOS). Mestre em Direito (UFSC). Professor do Programa de Graduação, Mestrado e Doutorado da UNIVALI. Juiz de Direito do TJSC. Membro Honorário da Associação Ibero Americana de Direito e Inteligência Artificial/AID-IA. Pesquisa Novas Tecnologias, Big Data, Jurimetria, Decisão, Automação e Inteligência Artificial aplicadas ao Direito Judiciário, com perspectiva transdisciplinar. Coordena o Grupo de Pesquisa SpinLawLab (CNPq UNIVALI)
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Aury Lopes JrDoutor em Direito Processual Penal pela Universidad Complutense de Madrid. É Professor Titular do Programa de Pós-Graduação – Especialização, Mestrado e Doutorado – em Ciências Criminais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Advogado criminalista. Membro da Abracrim

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