Como usar O MP recorreu
Guia da peça O MP recorreu: o que costuma acontecer quando a acusação recorre ao STJ criminal. Mostra quanto é barrado na admissibilidade, quanto passa e é negado no mérito e quanto de fato altera a situação do réu, por matéria, por crime, por via e por relator. Os percentuais descrevem o que aconteceu no acervo medido e não preveem o resultado do seu caso.
Para quem esta peça é
O MP recorreu responde à pergunta que chega ao escritório depois de uma vitória. O Ministério Público recorreu da absolvição, da pena ou do regime, e o cliente quer saber o que vem agora.
É o oposto das outras peças da família. O Radar de Admissibilidade fala com quem está montando um recurso. Esta fala com quem levou um.
O que ela mostra
O caminho do recurso da acusação no Superior Tribunal de Justiça, medido sobre o nosso acervo, dividido em quatro desfechos:
| Desfecho | O que significa |
|---|---|
| Nem passam da admissibilidade | o recurso é barrado antes do mérito |
| Passam e são negados no mérito | o tribunal examina e mantém a situação |
| Alteram algo contra o réu | é o que interessa: a parcela que muda o quadro |
| Sem desfecho identificado | a decisão não permitiu classificar |
Nos três primeiros casos a situação do réu permanece como está. O número que importa é o terceiro.
Por que a média sozinha engana
Vista de longe, a resposta é tranquilizadora: a maior parte dos recursos do Ministério Público termina sem alterar nada contra o réu.
Mas a peça existe justamente por causa da dispersão. Medido em agosto de 2026, o risco varia de 0,7% a 60,6% conforme a matéria discutida. Ficar na média é dar a mesma resposta a um recurso sobre prisão preventiva e a um sobre uma matéria em que o Ministério Público costuma ganhar.
Os quatro recortes, e o que cada um separa
| Recorte | Quanto separa |
|---|---|
| Matéria (o que se discute) | é o eixo que mais separa: variação de 87 vezes |
| Relator | separa 3,5 vezes |
| Crime (o assunto) | separa pouco: 2,6 vezes |
| Via | recurso especial ou agravo em recurso especial |
Comece pela matéria. O crime discrimina menos do que parece: recurso do Ministério Público sobre prisão preventiva quase nunca prospera, seja qual for o delito. O que muda o quadro é o que está sendo discutido, não de que crime se trata.
O relator entra depois, e vale a pena: ele separa mais que o crime. Sem escolhê-lo, a leitura sai pela distribuição inteira.
Como ler o resultado
O percentual em destaque é a parcela dos recursos do Ministério Público que altera algo contra o réu naquele recorte, com a base amostral ao lado. A base não é decoração: é ela que diz o quanto o percentual sustenta uma leitura.
A tabela por relator conta apenas os recursos que passaram da admissibilidade. Recurso barrado no gate não ensina nada sobre como aquele relator decide o mérito, então fica de fora.
Quando a amostra é pequena
Abaixo de um piso de casos, a peça mostra a contagem e não arrisca leitura. A mensagem é explícita: os números ficam, a interpretação não.
Isso acontece com frequência nos recortes mais fechados, e é o comportamento correto. Percentual sobre poucos casos oscila muito, e um número que parece preciso é mais perigoso do que a ausência dele.
O que a peça não faz
- Não prevê o resultado do seu caso. Os percentuais descrevem o que aconteceu com recursos do Ministério Público no período medido.
- Não isola a matéria. As taxas contam os casos que envolvem aquela matéria, não apenas ela: uma decisão pode discutir mais de uma.
- Não cobre outras instâncias. A medição é do Superior Tribunal de Justiça, em matéria criminal.
- Não recomenda conduta. Ela mostra o que costuma acontecer; o que fazer com isso é decisão sua.
Onde ela ajuda de verdade
Na conversa com o cliente. Depois de uma absolvição ou de uma pena favorável, o recurso da acusação costuma ser lido como se tudo estivesse em aberto de novo. A peça permite dizer o que costuma acontecer naquela matéria específica, com a base amostral à vista, em vez de tranquilizar sem lastro ou alarmar sem motivo.
E permite calibrar o esforço: uma matéria de risco baixo não pede a mesma mobilização de uma em que a acusação costuma prevalecer.
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