Artigos Conjur – Um estudo sobre O Leopardo e o constitucionalismo da aparência

ARTIGO

Um estudo sobre O Leopardo e o constitucionalismo da aparência

O artigo aborda a relação entre a obra "O Leopardo" de Giuseppe Tomasi di Lampedusa e o fenômeno do "constitucionalismo da aparência", que descreve mudanças superficiais na estrutura do poder que não significam transformações reais. Os autores, Luis Henrique Madalena e Og Fernandes, analisam como a literatura revela a ilusão de inovação no direito, onde a reforma se torna um mecanismo de conservação das elites e de estabilização das relações de poder. A reflexão crítica proposta apresenta uma...

Luis Henrique Madalena
13 mai. 2026
Um estudo sobre O Leopardo e o constitucionalismo da aparência
Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda temas centrais como o conceito de "constitucionalismo ilusivo", que descreve a discrepância entre a mudança prometida e a realidade do poder, e a relação entre a literatura e o Direito, utilizando "O Leopardo" de Giuseppe Tomasi di Lampedusa como referência para debater como as mudanças formais no constitucionalismo podem ocultar a continuidade das estruturas de poder.

Explora ainda a crítica à visão simplista de que a mera reforma normativa implica em transformação real, enfatizando que o novo pode funcionar como um álibi para a manutenção de velhas hierarquias. A discussão inclui a diferença entre mudança jurídica e política, ilustrando que muitas vezes a mudança tácita ocorre dentro de uma fachada de inovação, resultando em um "constitucionalismo da aparência" – onde a forma constitucional é preservada mas é utilizada para estabilizar relações de poder existentes, em vez de promover a verdadeira redistribuição de autoridade. O artigo também diferencia entre "constitucionalismo simbólico" e "constitucionalismo da aparência", destacando que enquanto o primeiro refere-se à insuficiência de implementação, o segundo indica uma manobra ativa de encenação que visa legitimar o status quo.

A leitura de Lampedusa torna-se uma ferramenta crítica para entender a natureza da política e do Direito, ressaltando que as elites podem incorporar mudanças superficiais para desativar críticas e evitar transformações substanciais. A conclusão reafirma o alerta sobre os riscos da preservação aparente do constitucionalismo, onde a mudança superficial pode reforçar a legitimidade de estruturas de dominação já estabelecidas.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "Um estudo sobre O Leopardo e o constitucionalismo da aparência" por Luis Henrique Madalena e Og Fernandes.

  • Constitucionalismo ilusivo: Discussão sobre como promessas e aspirações no direito constitucional podem se mostrar ilusórias e não serem efetivamente cumpridas.
  • Análise de O Leopardo: Reflexão sobre o romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa como uma crítica à conservação política e à mudança superficial.
  • Distinção entre mudança jurídica e mudança política: Enfatiza que mudanças no texto constitucional não necessariamente resultam em transformações reais no poder.
  • Teoria do Direito: A validade das normas jurídicas depende de sua adesão social e da correlação de forças, destacando a importância do contexto histórico.
  • Crítica ao moralismo institucional: Lampedusa revela a interconexão entre declínio e adaptação dentro das estruturas de poder existentes.
  • Constitucionalismo da aparência: Conceito de que as formas constitucionais operam de maneira ornamental, escondendo as relações de poder existentes.
  • Constitucionalismo simbólico vs. aparência: Diferença entre a promessa da Constituição e sua realização prática, enfocando como a forma constitucional é manipulada.
  • Mudança como técnica de conservação: A permanência do poder é frequentemente gerida através de reformas que criam a impressão de novidade sem alterar a essência da dominação.
  • Impacto na crítica institucional: Como a manutenção da aparência institucional pode desativar a crítica e facilitar a sobrevivência de elites dominantes.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Luis Henrique MadalenaAdvogado, doutor em Filosofia e Teoria do Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e mestre em Direito Público pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Atua como professor no IDP e no programa Law Experience da FAE Centro Universitário. Madalena é autor de diversas obras jurídicas, incluindo \"Uma Teoria da Discricionariedade Administrativa\" e coautor de \"A Nova Improbidade Administrativa\". Sua trajetória acadêmica destaca-se pela contribuição ao estudo da discricionariedade administrativa, da improbidade no setor público e, especialmente, da jurisdição constitucional. Ainda, possui intensa e destacada atuação profissional nos Tribunais Superiores, com ênfase no STF e STJ

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