Sistema acusatório de fachada: legitimação de práticas inquisitórias pelos tribunais superiores (parte 1)
O artigo aborda a crítica ao uso do sistema acusatório no Brasil, evidenciando como práticas inquisitórias têm sido legitimadas por decisões dos tribunais superiores, como o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. Os autores analisam decisões que enfraquecem a separação de funções entre acusação e defesa, questionando a real aplicação do modelo acusatório e as implicações para a imparcialidade judicial e garantias processuais. A discussão se desdobra em uma reflexão sobre a...

O artigo aborda uma crítica ao sistema processual penal brasileiro, destacando a confusão e a manipulação entre os modelos inquisitório e acusatório.
Os autores, Jacinto Nelson de Miranda Coutinho e Gina Muniz, discutem a legitimação de práticas inquisitórias por tribunais superiores, enfatizando que o sistema brasileiro, embora teoricamente caracterizado como acusatório, é frequentemente distorcido em sua aplicação prática. São analisadas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, que legitimaram a atuação do juiz de maneira contrária aos princípios do sistema acusatório, essencialmente abolindo a imparcialidade judicial. O texto ressalta a importância da definição de funções entre juiz e promotor, a relevância da gestão da prova pelas partes, e critica a invocação da "verdade real" como justificativa para tais intervenções.
Além disso, propõe que o desrespeito às garantias processuais e à separação de funções pode comprometer a integridade do sistema, tornando necessário um reconhecimento da nulidade das audiências realizadas nesses moldes. Por fim, os autores convocam uma reflexão sobre a real natureza do processo penal e a urgência de salvaguardas que garantam sua estrutura acusatória, apresentando a imparcialidade como um direito fundamental do acusado.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Sistema acusatório de fachada: legitimação de práticas inquisitórias pelos tribunais superiores (parte 1)" por Jacinto Nelson de Miranda Coutinho e Gina Muniz.
- Dificuldades na discussão dos sistemas processuais penais: Análise das divergências entre os sistemas inquisitório e acusatório e a manipulação retórica ao apresentar o sistema inquisitório como acusatório.
- Decisão do STF sobre o artigo 3º-A do CPP: Reflexão sobre a declaração de constitucionalidade do sistema acusatório e as implicações da decisão do Supremo Tribunal Federal em relação à sua aplicabilidade prática.
- Crítica ao RE 1.555.431/RS: Exame da decisão do STF que negou a nulidade de audiência sem a presença do Ministério Público, evidenciando as fragilidades do sistema acusatório.
- Imparcialidade judicial e gestão da prova: Discussão sobre a importância da imparcialidade e a gestão da prova pelas partes como aspectos centrais do sistema acusatório.
- Problemas da "verdade real": Crítica ao uso do conceito de "verdade real" como justificativa para a atuação do juiz e seu impacto na imparcialidade e na estrutura do processo.
- Consequências da atuação do juiz como protagonista: Análise dos riscos de o juiz assumir um papel ativo como acusador e sua incompatibilidade com as diretrizes do CPP.
- Nulidade de audiências sem o Ministério Público: O argumento de que a ausência do Ministério Público compromete a imparcialidade e a validade das audiências de instrução.
- Convocação à coerência: Chamado para que as salvaguardas do processo penal sejam tratadas como condições essenciais, não como meras formalidades.
- Próxima discussão sobre a atuação de ofício do juiz: Antevisão da análise da decisão da 5ª Turma do STJ sobre o exame das redes sociais do acusado para a decretação da prisão preventiva.
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