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Artigos Conjur – Soubhia e Muniz: Pessoas insignificantes, patrimônio sagrado

ARTIGO

Soubhia e Muniz: Pessoas insignificantes, patrimônio sagrado

O artigo aborda o caso de Rosangela Sibele, que foi presa por furto de itens alimentares valendo R$ 21,69, gerando um debate sobre a aplicação do princípio da insignificância no Direito Penal. Os autores criticam a postura da Justiça, que desconsiderou a condição social da autora e não reconheceu a atipicidade do ato, ressaltando a necessidade de uma reflexão crítica sobre a criminalização de pequenas infrações em contextos de vulnerabilidade. Eles argumentam que o sistema penal brasileiro de...

Fernando Antunes Soubhia, Gina Muniz
03 nov. 2021 16 acessos
Soubhia e Muniz: Pessoas insignificantes, patrimônio sagrado

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Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a complexidade do tratamento jurídico penal no caso de Rosangela Sibele, uma mulher em situação de vulnerabilidade social, presa por um furto de baixo valor, e discute diversos temas relevantes.

Primeiramente, traz à tona o "princípio da insignificância", que sugere que pequenas infrações não devem ser punidas criminalmente, especialmente quando não afetam bens jurídicos relevantes. Explora-se a aplicação deste princípio em face do "estado de necessidade" que justifica o furto famélico, destacando a negativa da judicatura em reconhecer essas condições. O texto também examina a influência da teoria das “janelas quebradas” na criminalização de pequenos delitos e a evolução da jurisprudência sobre a reincidência e a atipicidade das condutas, questionando a aplicação desigual do Direito Penal entre os socialmente marginalizados e os favorecidos. Além disso, discute a falácia da argumentação que justifica a prisão preventiva com base na "ordem pública" e critica a aplicação de medidas punitivas sem considerar o contexto socioeconômico.

A análise avança para discutir o impacto das políticas penais e a construção de comportamentos criminosos, além de questionar as causas sociais por trás da criminalidade, evocando teorias sociológicas sobre o fenômeno. Por fim, o artigo enfatiza a necessidade de repensar o papel do Estado no controle social e a urgência de abordar questões estruturais de exclusão social, evidenciando que o verdadeiro "crime" pode estar na falta de oportunidades e direitos básicos para os cidadãos vulneráveis.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais temas abordados no artigo "Quando as pessoas são insignificantes, mas o patrimônio é sagrado", de Fernando Antunes Soubhia e Gina Ribeiro Gonçalves Muniz.

  • O caso de Rosangela Sibele: Análise do furto de pequenos itens alimentares por uma mãe em situação de vulnerabilidade e necessidade.
  • Princípio da Insignificância: Debate sobre a aplicação deste princípio em casos de furtos de baixo valor e a sua relação com o estado de necessidade.
  • Decisões judiciais: Reflexão sobre o tratamento dado pelas instâncias judiciais ao caso de Rosangela, evidenciando o contraste entre prisões preventivas e a insignificância do delito.
  • Requisitos para a bagatela: Discussão sobre os quatro requisitos que os tribunais superiores utilizam para reconhecer a insignificância de atos ilícitos.
  • Reincidência e insignificância: Abordagem da possibilidade de considerar um furto de bagatela mesmo em casos de reincidência, conforme jurisprudência recente.
  • Critica às políticas punitivas: Reflexão sobre o tratamento penal direcionado a pessoas em situações de vulnerabilidade, ressaltando a ineficácia do sistema punitivo.
  • Consequências sociais e econômicas: Discussão sobre os custos do encarceramento em comparação ao valor dos delitos patrimoniais e a eficácia do Judiciário.
  • Diagnóstico social: Enquadramento dos furtos famélicos no contexto de crises sociais e a inadequação do uso do Direito Penal para resolver problemas sociais.
  • Tensão entre ordem pública e direitos individuais: Reflexão sobre as implicações da prisão preventiva em casos de crimes insignificantes e o conceito de ordem pública.
  • Crítica à concepção de crime: Debate sobre a percepção do que é considerado crime e o papel da Justiça Penal na rotulação de indivíduos como criminosos.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Fernando Antunes SoubhiaPós-graduado em Direito Penal e Processo Penal pela PUC-SP. Mestre em Criminologia e Sistema de Justiça Criminal pela University of London. Bolsista Chevening 2017-2018. Defensor Público no Estado de Mato Grosso. Vice-Diretor da ESDEP-MT. Professor de Criminologia.
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Gina MunizDefensora Pública do estado de Pernambuco. Mestre em ciências jurídico-criminais pela Universidade de Coimbra.

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