A “promoção acusatória” não é para todos
O artigo aborda a crítica à "promoção acusatória" no contexto do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, destacando a seletividade na persecução penal. O autor, Eduardo Januário Newton, discute como a mídia cria uma imagem distorcida das organizações criminosas, resultando em uma aplicação desigual da lei, especialmente para os indivíduos das comunidades carentes, que são julgados com rigor sem a devida investigação. Assim, o texto denuncia a criminalização da pobreza e a presunção de culpabilid...

O artigo aborda a análise da "promoção acusatória" no contexto do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, destacando a imagem construída pela mídia sobre organizações criminosas e sua influência na sociedade.
O autor examina a atuação do poder estatal e como sua ausência criou um vácuo que permitiu a atuação de líderes do tráfico como "chefes do morro", que se apresentam como provedores numa sociedade carente. É discutido o alarmismo da mídia, que exagera a criminalidade, e a seletividade do sistema de justiça, que trata de forma desigual os acusados de tráfico conforme sua localização geográfica. A presunção de associação entre traficantes nas favelas é criticada, evidenciando a responsabilidade penal desproporcional imposta aos moradores dessas regiões em comparação com os que atuam no "asfalto".
O autor, com base em dados sobre a defasagem das investigações criminais, conclui que a promoção acusatória não abrange a todos e que o tratamento diferenciado constitui uma forma de criminalização da pobreza, reforçando estigmas sociais e dificultando a reintegração dos acusados ao convívio social.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "A 'promoção acusatória' não é para todos" por Eduardo Januário Newton.
- Cenário fluminense no século XXI: Análise da realidade do crime organizado no Rio de Janeiro e o impacto da ausência do estado em determinadas áreas.
- Imagem das 'organizações' criminosas: Discussão sobre a construção social da imagem de facções criminosas e sua origem histórica, com crítica à representação midiática.
- Assistencialismo criminoso: Reflexão sobre a atuação dos 'chefes do morro' como prestadores de assistência em comunidades abandonadas pelo estado.
- Alarmismo da mídia: Efeitos nocivos do sensacionalismo na construção do medo e na industrialização da segurança privada.
- Divisão 'asfalto' e 'morro': Análise das diferenças de lucratividade e responsabilização penal entre os traficantes que atuam em áreas nobres e em favelas.
- Seletividade na persecução penal: Crítica à forma como o sistema de justiça trata os criminosos, privilegiando uns em detrimento de outros, especialmente em áreas carentes.
- Investigação criminal no Brasil: Discussão sobre a ineficácia das investigações e a dependência de prisões em flagrante no processo penal.
- Promoção acusatória: Explicação do conceito e suas implicações, especialmente em relação à presunção de associação criminosa com base em localização geográfica.
- Estado de inocência: Reflexão sobre a violação desse princípio no contexto da persecução penal e os direitos fundamentais dos acusados.
- Criminalização da pobreza: A crítica à aplicação desigual da lei entre diferentes classes sociais no contexto do tráfico de drogas.
- Repercussões processuais: Efeitos do sistema de 'promoção acusatória' na prisão preventiva e estigmatização dos acusados.
- Críticas à responsabilidade objetiva: Discussão sobre as implicações de aplicar conceitos de responsabilidade civil na esfera penal.
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