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Artigos Migalhas – STF precisa reconhecer racismo estrutural nas abordagens policiais

ARTIGO

STF precisa reconhecer racismo estrutural nas abordagens policiais

O artigo aborda a discussão do STF sobre racismo estrutural nas abordagens policiais, especialmente em relação ao HC 208.240/SP, que questiona a nulidade dessas abordagens com base em "fundada suspeita". Os autores enfatizam que, apesar do reconhecimento do racismo estrutural, o tribunal não considerou a discriminação racial indireta nas decisões, defendendo que o perfilamento racial é uma prática que afeta desproporcionalmente a população negra e requer medidas de controle objetivas. Eles al...

Paulo Iotti
07 mar. 2023
STF precisa reconhecer racismo estrutural nas abordagens policiais
Publicado no Migalhas
Resumo do artigo

O artigo aborda o julgamento do HC 208.240/SP pelo STF, destacando o tema do perfilamento racial nas abordagens policiais, que historicamente afeta mais pessoas negras que brancas em situações similares.

Discute-se a nulidade dessas abordagens ao reconhecer o racismo estrutural, enfatizando a necessidade de requisitos objetivos para fundamentar tais ações policiais. O texto examina a votação do tribunal, onde três ministros, embora reconhecendo o problema, não o aplicaram ao caso concreto, levantando a discussão sobre a invisibilidade do racismo indireto nas análises judiciais. Críticas são feitas à visão de que o perfilamento só ocorre com intenção racista, ressaltando a importância de abordar a discriminação não intencional que resulta em efeitos desproporcionais sobre minorias.

A posição de amici curiae, como IDAFRO e GADvS, é mencionada, defendendo que práticas como a abordagem racialmente discriminatória, mesmo não intencionais, devem levar à nulidade das provas decorrentes. O artigo conclui alertando sobre as implicações de uma decisão que não reconheça o perfilamento racial, que poderia enviar uma mensagem negativa para grupos historicamente marginalizados.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Migalhas.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "STF precisa reconhecer racismo estrutural nas abordagens policiais" por João Paulo Martinelli e Leonardo Schmitt de Bem.

  • Julgamento do HC 208.240/SP: Discussão sobre o perfilamento racial nas abordagens policiais e a nulidade das abordagens fundamentadas na "fundada suspeita" do art. 244 do CPP, que historicamente afeta desproporcionalmente pessoas negras.
  • Decisão do STF: O placar do julgamento se encontra 3x1 contra a concessão do habeas corpus, com ministros reconhecendo o racismo estrutural, mas considerando o caso concreto insuficiente para a nulidade da abordagem.
  • Critérios para abordagens policiais: A importância de requisitos objetivos que justifiquem abordagens, conforme decidido pelo STJ, destacando a falta de tal justificativa no caso em questão.
  • Argumentação do ministro Fachin: O relator destacou que locais considerados nobres, conhecidos pelo tráfico de drogas, não são alvos da mesma vigilância policial, evidenciando o racismo e classismo estrutural nas abordagens.
  • Sustentação oral do defensor público: A defesa menciona que não há expectativas de declarações explícitas de racismo nas abordagens, mas sim manifestações sutis que revelam uma construção histórica de desvalor contra a população negra.
  • Crítica ao entendimento da dissidência: A discordância com a visão de que o perfilamento racial só ocorre em casos de racismo direto, ignorando a discriminação racial indireta que perpetua o problema.
  • Memorial dos amici curiae: Instituições como IDAFRO e GADvS argumentaram que o perfilamento racial pode ocorrer mesmo em situações sem intenção de discriminação, cobrindo também formas de discriminação indireta.
  • Princípio in dubio pro reo: A dúvida sobre abordagens em contextos raciais deve ser interpretada em favor da defesa, reforçando a necessidade de concessão do habeas corpus.
  • Consequências da não-concessão do habeas corpus: A decisão pode enviar uma mensagem devastadora para pessoas negras e grupos minoritários, reforçando a necessidade de um posicionamento garantista por parte do STF.
Leia o artigo completo no MigalhasTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Paulo IottiDoutor e Mestre em Direito Constitucional pela Instituição Toledo de Ensino. Especialista em Direito da Diversidade Sexual e de Gênero e em Direito Homoafetivo. Advogado e Professor Universitário. Diretor-Presidente do GADvS - Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero. Sócio do IBDFAM - Instituto Brasileiro de Direito de Famílias.

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